quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Adeus, Ano Velho... Feliz Blog Novo!



2010. Um ano marcante, sem dúvidas. Importante pelas amizades que foram construídas, e as antigas que permanecem preservadas. Fatos que ficarão nas nossas memórias por um bom tempo, e que talvez só saiam de lá quando outros fatos ainda mais impressionantes ganharem lugar de destaque. No final das contas, os acontecimentos e as recordações terão de desocupar um vasto espaço da nossa mente, pois não dá para celebrar a chegada de um ano novo sem abrir os braços para todas as coisas novas que ele nos reserva.

O Menino das Letras foi uma das minhas grandes revelações este ano. E como eu disse na primeira postagem de dezembro, coisas novas estão por vir e não vão demorar para chegar; elas se aproximam cada vez mais à medida que 2011 fica próximo de despertar.

Esta é a última postagem deste ano, e as novidades que aqui estarão só se tornarão realidade graças a você, leitor(a). A você que nos visita há algum tempo, mesmo que não seja regularmente. A você que, de forma inacreditável, gosta das coisas que escrevo. E até a você que tenha nos visitado mesmo que sem querer, ou não tinha mais nada para fazer e ainda assim preferiu ficar. É para você que o blog está aqui.

É agora que eu saio de cena e me despeço. E só retornarei quando as cortinas de 2011 se abrirem. Agradeço a todos que tentaram acompanhar os devaneios deste Letrado.

Um Feliz Ano Novo!!! E que ele traga alegrias para todos nós.

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Milagres de Natal





É bastante estranha, essa força que nos une. Que poder é esse que encanta a mais sonhadora das crianças até o mais carrancudo dos velhos? Como descrever essa magia que nos encoraja, que nos dá alegria e saudades ao mesmo tempo?

Uma força que nos arranca um sorriso, que nos faz pular, cantar, e até mesmo chorar. É como um vírus que se espalha pelo ar, contagiando centenas, milhares, incluindo o mais frio e duro dos corações. Acreditar em Papai Noel? A tal força de que falo nos faz desejar que o bom velhinho realmente exista, nos faz querer – muito embora pareça impossível – que o espírito natalino atinja a todos. E quando eu digo TODOS, refiro-me também, é claro, aos idosos que passam o resto dos seus dias nos asilos, aos homens, mulheres e crianças que suportam o frio e o calor das ruas por não terem um lugar para morar, às pessoas desempregadas, que por não terem a oportunidade de emprego se vêem obrigadas a conseguir dinheiro de outras formas.

Esse poder de alcance inimaginável é o fio condutor das mais diversas situações. Você é capaz de comprar presentes, de montar sua árvore de Natal, de se despedir de amigos e reencontrar familiares sem nem ao menos sentir um pingo de raiva ou rancor. Essa força tem o potencial de nos fazer olhar para trás e refletirmos a respeito dos erros cometidos e dos acertos possuídos. E se você possui mágoa por alguém, relaxe. Esse poder é capaz de fazê-lo perdoar e de querer ser perdoado. E, acredite, isso já é muita coisa.

Talvez, do jeito que o mundo está hoje, desejar um “Feliz Natal” não seja capaz de suprimir as necessidades de esperança e de união que nos rodeia. Boas ações e votos de felicidades podem salvar vidas. Por isso, não fique pensando que você está sozinho no mundo, que ninguém tem apreço por você; não faça da solidão a sua pior inimiga. Há sempre alguém querendo te ver feliz.

Foi essa energia surreal que te trouxe até aqui. Ela que te deu vontade de ler este texto. Ela que me deu vontade de escrevê-lo. É por isso que neste momento só me resta uma coisa a fazer, e isso em si já é uma grande novidade: desejar-te, caro(a) leitor(a), e a todas as outras pessoas, um Feliz Natal. E que você tenha sorte... Muita sorte.

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sábado, 18 de dezembro de 2010

Afinal, o que querem as mulheres?




Amor? Não, não creio que seja o suficiente.

Talvez o amor, com toda a sua beleza e plenitude, não seja mais o caminho para a tão aclamada resposta. O amor por si só já não basta, pois hoje sabe-se que ele pode plantar dentro de nós sentimentos dos mais variados: alegria, tristeza, ciúmes, raiva, pena, perdão. E estes são apenas alguns.

Mulheres sabem exatamente por aquilo que passam por dentro do órgão ventricular e palpitante. E elas aprendem quando pisam em falso, veja só. Desse modo, é preferível querer algo que ultrapasse a barreira do amor. Algo que, somado a este ato de paixão, transforme-se em uma coisa aparentemente perfeita e impenetrável.

Entretanto, nada é perfeito. E mesmo que por um segundo a gente queira acreditar que a perfeição um dia pode ser atingida, para se chegar ao imaginário do impossível é preciso travar algumas batalhas. Batalhas de solidão, de arrependimento, de conhecimento. E eu estou travando a minha agora. Em busca de uma reconquista.

As mulheres, com toda a sua sabedoria, precisam compreender que os homens também sofrem com o amor. Tentar decifrar o que elas querem é tão difícil quanto desvendar o enigma da Esfinge ou tentar descobrir qual é a fórmula da Coca-Cola. É um trabalho de Hércules! Elas precisam entender o quão árdua essa tarefa é, e que exige muito de nós. Afinal, é pedir demais?

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"Estamos todos presos do lado de fora de um abraço."
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"Toda história de amor é uma cerimônia de adeus."
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"Porque é que não nos apaixonamos todos os meses de novo? Porque, por altura de cada separação, uma parte de nossos corações fica desfeita. Assim, nos esforçamos mais para evitar o sofrimento do que na busca do prazer."
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"Eu sempre achei que o amor, que o grande amor fosse incondicional. Que quando houvesse um grande encontro entre duas pessoas, tudo pudesse acontecer. Porque se aquele fosse o grande amor, ele sempre voltaria triunfal. Mas nem todo amor é incondicional. Acreditar na eternidade do amor é precipitar o seu fim, porque você acha que esse amor aguenta tudo, então de um jeito ou de outro você acaba fazendo esse amor passar por tudo. Um grande amor não é possível, e talvez por isso é que seja grande, para que nele caiba o impossível."

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(fragmentos de Afinal, o que querem as mulheres?)


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sábado, 11 de dezembro de 2010

Percy Jackson e a Batalha do Labirinto




"Descerás na escuridão do labirinto infinito,
O morto, o traidor e o perdido reerguidos.
Ascenderás ou cairás pela mão do rei espectral,
Da criança de Atena, a defesa final.
A destruição virá quando o último suspiro do herói acontecer,
E perderás um amor pra algo pior que morrer."


Muito me impressiona a capacidade imaginativa de certos escritores. Dividir uma história em diversos volumes, tendo uma aventura diferente contida em cada um deles, é uma proeza difícil de se realizar. Às vezes eu me acho criativo, mas quando conheço autores como Rick Riordan vejo que preciso me aperfeiçoar cada vez mais. Afinal, escrever uma série cujo protagonista é filho de um dos deuses do Olimpo requer um estudo profundo e uma grande dose de imaginação. E mais uma vez, de forma fantástica e sublime, a mitologia grega se mistura com o contemporâneo no quarto volume da série Percy Jackson e os Olimpianos, A Batalha do Labirinto.

Agora no ápice da adolescência, Percy Jackson inicia seu ano letivo em uma nova escola... de novo. Só que a vida de um semideus, caro(a) leitor(a) - como você bem já deve saber - é assaltada a cada instante pela balbúrdia e o caos. Percy é atacado por monstros disfarçados de alunos e antes da situação ficar totalmente perdida, ele foge para o Acampamento Meio-Sangue. Só que ao chegar lá, descobre que as boas notícias estavam longe de cair do céu; o exército de Cronos planeja atacar o Acampamento, burlando suas fronteiras impenetráveis.

Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Quíron acredita que Luke está tentando encontrar uma passagem que permita sua entrada para o Acampamento e assim exterminar todos os heróis que estão contra o Senhor do Tempo. E só existe um modo disso acontecer: pelo Labirinto. Sim, o lendário labirinto que Dédalo, pai de Ícaro (aquele cara que subiu aos céus com asas de cera e que por chegar perto demais do Sol acabou se dando mal, lembra?), construiu para aprisionar o Minotauro sob as ordens do rei Minos.

O Labirinto se extende pelo subterrâneo de todo os EUA e muitas coisas inimagináveis existem por lá. O problema é que a função de todo labirinto é fazer você se perder, e aqui não é diferente. O objetivo dos nossos heróis é descer até o Labirinto, encontrar Dédalo e pedir-lhe para que lhes entregue o fio de Ariadne antes que Luke o faça, pois este objeto é o único que pode guiar as Tropas de Cronos até o Acampamento.

Percy, Annabeth, Grover e Tyson estarão prontos para encarar o mundo misterioso do Labirinto? Será que Dédalo ainda está vivo? Conseguirão eles encontrar o fio de Ariadne antes de Luke? A Batalha do Labirinto é o fim da inocência de nossos heróis, revelando-lhes a porta de entrada para uma guerra de proporções universais.

Agora, Percy Jackson terá de controlar seu medo e tentar apagar da mente todas as coisas horríveis que presenciou, pois só a coragem deverá prevalecer quando ele estiver frente a frente com o Pai dos Titãs. E, acredite, Cronos já está reerguido, e o tão esperado encontro não vai demorar para acontecer.

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domingo, 5 de dezembro de 2010

Onde os Fracos Não Têm Vez





"Qual a coisa mais importante que você já perdeu num lance de cara ou coroa?".



Talvez isso também aconteça com você, leitor(a), mas quando um filme é ganhador de várias premiações, entre elas o tão cobiçado Oscar, e possui um enredo e um trailer de chamar a atenção, uma pulga faz a festa atrás da minha orelha. Em outras palavras, a tentação da curiosidade grita por mim. E em meio a essa voz hipnotizadora, é o sussurro da minha consciência que me faz escolher o que realmente devo assistir. E a danada muitas vezes acerta em cheio.


Onde os Fracos não Têm Vez é apenas um de tantos exemplos. Vários aspectos me chamaram a atenção e são justamente películas como esta que merecem o devido respeito. O filme foi dirigido pelos irmãos Coen (é o primeiro trabalho deles que vejo), e aqui ambos demonstraram uma maneira bastante peculiar de direção.


Começando pelo fato do filme não ter trilha sonora. Confesso que sou amante de uma boa sonora, mas os Coen me ensinaram que um filme também pode ficar ótimo com a ausência dela; ajudou a aumentar o clima de tensão e suspense durante todo o longa, e te deixa despreparado para qualquer tipo de coisa que esteja por vir. Os únicos sons presentes são dos objetos de cena e os da natureza. Outra coisa bacana é o uso que eles fazem das paisagens, tornando o filme bastante fotográfico.


A história nos leva até o Texas dos anos 80, onde um caçador chamado Llewelyn Moss, em uma de suas andanças pelo deserto, encontra um grupo de traficantes mortos. Entre eles há uma maleta com 2 milhões de dólares. E esta é apenas mais uma das coisas que devemos aprender com a ficção: não se pega uma maleta cheia de dinheiro por aí, principalmente este sendo proveniente de atividades ilícitas, e achar que simplesmente pode ficar com ele sem sofrer consequências. Percebendo que aquele dinheiro lhe traria confusão, Llewelyn trata de sair da cidade levando consigo a maleta. Infelizmente, ele não podia mensurar o tamanho do problema que lhe perseguia.


Um assassino psicótico chamado Anton Chigurh, interpretado brilhantemente pelo ator Javier Bardem (personagem que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante), foi contrato para perseguir Moss e encontrar o dinheiro. E ele irá até o fim, mesmo que tenha de matar todos que atrapalharem seu caminho. E assim começa o jogo de gato e rato. Só que nem tudo está perdido.


O xerife Ed Tom (Tommy Lee Jones, que por sinal também faz um belo trabalho) está seguindo os rastros de Anton há algum tempo, e agora tem como objetivo ajudar Llewelyn a sair da mira deste louco sem piedade. O filme já é considerado por muitos um clássico, e devo dizer: cada minuto de tensão torna o longa mais imprevisível, portanto não tente imaginar ou criar um final feliz e tradicional. Porque, se há algo que aprendi com os irmãos Coen, é que o final é tão incerto quanto tentar descobrir de qual lado a moeda vai cair.


"Eu não quero apostar minhas fichas em algo que não entendo. Um homem teria que pôr sua alma em perigo. Ele teria que dizer: 'Tudo bem... Eu serei parte deste mundo'".


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Trailer:

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Novidades de fim de ano




É isso mesmo, caro(a) leitor(a). Estamos respirando ares de dezembro, o que significa que o relógio da contagem regressiva já deu sua largada para as férias que tanto esperamos e para o 2011 que nos aguarda.


E como a chegada de um ano novo é sempre rodeada pelo símbolo da renovação, com o Menino das Letras não poderia ser diferente; a partir de hoje, coisas novas estarão chegando por aqui. Agradeço imensamente a você, leitor(a), que acompanha este blog há algum tempo. E foi para você que criei o email do blog! Agora, além de ler as postagens, você também poderá entrar em contato comigo através de suas críticas, sugestões, opiniões... e por aí vai. E dou a minha palavra de que farei o possível para responder à todos.


E as novidades ainda não acabaram. Em janeiro teremos a adição de novos marcadores e também estaremos em circulação num site de relacionamento muito famoso... Não vou entrar em detalhes, até porque já falei demais.


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sábado, 27 de novembro de 2010

Diário de um Banana



"Só não espere que eu seja todo 'Querido Diário' isso, 'Querido Diário" aquilo".

A Literatura Infanto-juvenil é uma área que muito me fascina. Até os dias de hoje, por sinal. Às vezes me pergunto por qual motivo este tipo de literatura ainda me disperta o interesse. Teoricamente, uma vez que você vai envelhecendo seu tipo de leitura vai amadurecendo ao longo do processo. Mas há velhos hábitos que não consigo largar. Talvez pelo fato da minha mente viajar na maionese quase que em estado permanente, sei lá... Enfim, leitor(a), sugiro que não tente entender o que se passa na minha cabeça. É perigoso demais.


Diário de um Banana não é um livro comum (e só por isso a leitura já vale muito). Como dito em sua própria capa, é um romance em quadrinhos. A história criada por Jeff Kinney gira em torno da vida de Greg Heffley, um pré-adolescente que ainda está no início do ensino fundamental e como tal está cheio de desejos e indagações como qualquer outro menino dessa idade. É infernizado o tempo todo pelo irmão mais velho, Rodrick, e passa vergonha diariamente por ser amigo de Rowley.


Greg é tudo que se espera de um adolescente inseguro; o garoto só aprende errando. E para a alegria do leitor, ele comete muitos erros. Provavelmente são tais erros que tornam a narrativa engraçada, pois oscilam entre vacilos inocentes à absurdos, e você sempre pressente que as coisas não acabarão bem. Em meio a uma escola cheia de jovens que querem se destacar em algo, Greg é apenas mais um à procura da adequação para depois ganhar algum reconhecimento por isso. E ele fará qualquer coisa para consegui-lo... menos, é claro, pegar o Toque do Queijo.


Acredito que os erros de Greg Heffley sejam sua maior arma. À medida que ele vai aprendendo com as besteiras que faz, vai dando espaço ao bom senso e deixando de lado o seu egocentrismo, e isso acaba refletindo na sua amizade com Rowley. Mas como todo herói atrapalhado, isso vai acontecendo a passos lentos.


A série tem três obras publicadas no Brasil e já foi adaptada para o cinema. Diário de um Banana é um livro que chama a atenção pela sua simplicidade, pelos traços cartunescos engraçados e pelo enredo cativante. Não importa qual idade você tenha, é um texto que fará você sentir a nostalgia dos tempos bons de escola e que, querendo ou não, fará você ter raiva por não ter tido um diário na época, para assim poder relembrar das tantas histórias que mereciam ser contadas.




sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1






"Ninguém mais vai morrer... não por mim".



Como diria o Oráculo de Matrix: "Tudo aquilo que tem um começo, tem um fim". É, eu sabia que o fim iria chegar. Sabia que um dia ele iria bater no pé da minha porta e dizer: "Oi, querido! Cheguei!". Aliás, tanto eu quanto os milhares de fãns espalhados pelo mundo. E mesmo que já saibamos como tudo terminará, mesmo que já tenhamos a consciência do que o destino reserva para cada personagem, esperamos ansiosos para o desfecho cinematográfico desta grande história. É chegada a hora de colocar um ponto final na espera e dar um passo à frente ao caminho que muitos ainda hesitam em trilhar, pois "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1" é o início do fim.


Perdoe o meu sentimentalismo, leitor(a), mas quando recordo dos diversos dias e noites que passei lendo as centenas de páginas dos 7 volumes da obra de J.K. Rowling, percebo como estou envelhecendo. Afinal, eu cresci ao lado de Harry, Rony e Hermione; compartilhamos emoções, repartimos as dores e tristezas, e ficamos com a alma mais leve nos momentos de alegria. Comecei essa jornada com 13 anos e a finalizei aos 19, portanto, é no mínimo sensato admitir que as histórias do menino bruxo foram o grande refúgio de um adolescente magricela, inseguro, tímido e sonhador de outrora.

E foi com o coração apertado, com a expectativa à flor da pele, e com o gostoso clima nostálgico que vislumbrei diante de mim o primeiro capítulo do derradeiro final, que por sinal é muito fiel à sua obra. E após o término da sessão, com o corpo trêmulo, os olhos marejados e a adrenalina incendiando minhas veias, pude refletir com o mais sincero dos pensamentos: cada minuto gasto de leitura valeu a pena.


Acho que já é de conhecimento mundial que Harry Potter é um bruxo. E, sinceramente, se você ainda não sabia, pegue uma corda, amarre-a ao seu pescoço e pule do local mais alto que conseguir encontrar. E dê-se por satisfeito! Não espere que eu faça um breve resumo de cada filme/obra; não estou interessado em passar mais uma noite em claro escrevendo coisas que você previamente já deveria saber, uma vez que se dispôs a ler este comentário.

É muito interessante ver como os filmes de Harry Potter evoluíram. Aquilo que começou infantil agora tornou-se dramático, e Relíquias da Morte.1 veio para fortalecer ainda mais esse rótulo. A partir do terceiro filme a saga passou a ganhar uma tonalidade diferente, mas foi com a chegada do diretor David Yates, responsável pelo quinto e sexto filme, que a série passou a amadurecer ganhando aspectos sombrios. A dramaticidade, a morte de personagens queridos, a relação do trio de amigos cada vez mais intensificada pela amizade transformaram-se em prato cheio nas mãos do diretor, que aqui nos mostra seu trunfo maior; Relíquias da Morte é, na verdade, o prato principal de uma ceia bastante farta.

O impressionante é saber como as crianças ainda se sentem atraídas por Harry Potter. Como eu disse, é um filme dramático e algumas das cenas ali produzidas são inapropriadas para menores de 10 anos. Há sangue, há tortura, há morte. Há cenas lindas também, bonitas de se ver. Neste penúltimo capítulo, Harry, Rony e Hermione partem em uma viagem incerta à procura das horcruxes de Voldemort. Objetos que guardam fragmentos da alma de Voldemort, e que uma vez destruídos põem fim a imortalidade do Lorde das Trevas. Só que desta vez o trio está fora dos muros de Hogwarts, e para enfrentar o mundo real será preciso agir sozinhos e com muita cautela.


Voldemort está no apogeu de seus dias. O Ministério da Magia já não é mais como antes e Comensais da Morte se infiltraram em cada camada da sociedade bruxa, inclusive em Hogwarts. Os trouxas também são afetados; aqueles que não são bruxos de sangue estão sendo caçados e são vistos como a escória do mundo mágico. Harry torna-se o Indesejável Número Um, sua cabeça está a prêmio, e a cada lugar que o trio arma sua barraca o inesperado está a espreita. É perceptível o empenho de cada ator, do diretor e de todos que participaram da produção. Relíquias da Morte.1 é apenas um aperitivo para o que realmente interessa, e devo dizer que se continuar no mesmo caminho a coisa de fato será épica. Que comece a contagem regressiva!


A parte 2 só estreia ano que vem, mas estará finalizando toda a história e dando adeus aos tantos fãns que há 10 anos acompanham a trajetória de Harry e sua batalha pela sobrevivência contra Voldemort. As pontas soltas finalmente serão amarradas e nada restará a não ser saudade. Agora é só uma questão de tempo. O verdadeiro final está cada vez mais próximo. E eu estarei preparado para o que for, quando ele vier.


"Eu vi o seu coração... E ele é meu".


Trailer:



domingo, 14 de novembro de 2010

Percy Jackson e a Maldição do Titã



"A oeste, cinco buscarão a deusa acorrentada,

Um se perderá na terra ressecada,

A desgraça do Olimpo aponta a trilha,

Campistas e Caçadoras, cada um, brilha,

A maldição do Titã um deve sustentar,

E pelas mãos do pai um irá expirar
"


É sempre bom ser coerente e manter a continuidade. Nos meses de agosto e setembro publiquei, respectivamente, comentários a respeito do primeiro e segundo volumes da série Percy Jackson, e quando se começa uma coisa tem que ir até o final. E se você, leitor(a), acompanhou aqui cada postagem das aventuras do filho de Poseidon, tenho certeza que irá se empolgar mais ainda com a terceira parte desta saga mitológica.


Percy Jackson e a Maldição do Titã é apenas o prelúdio para o início da guerra entre Deuses e Titãs. O clima ficou mais tenso com a reaparição de Thalia, filha de Zeus, e a relação dela com Percy passa longe de ser uma amizade feliz. Com o retorno de Cronos cada vez mais próximo, torna-se urgente a busca por semideuses; é preciso encontrá-los antes do exército do Senhor do Tempo, para que seu processo de renascimento fique mais lento. Percy, Annabeth, Grover e Thalia partem a procura dos irmãos Di Angelo, semideuses recém-descobertos.


Para quem já está acostumado com a leitura dos livros de Rick Riordan, sabe que as tarefas dos jovens heróis nunca é tão simples como tirar doce de uma criança. Na tentativa de salvar Nico e Bianca Di Angelo, eles são abordados pelo Manticore, um lendário monstro mitológico. A criatura alerta que a cada minuto que Cronos se fortalece, uma grande comoção de monstros da antiguidade começam a ressurgir, e que o mais tenebroso de todos estava para despertar e destruir todo o Olimpo. Algo bem agradável de se ouvir.


Com a ajuda das Caçadoras de Ártemis, o Manticore é derrotado, mas leva consigo Annabeth. A deusa sai em busca do tal monstro destruidor, enquanto Percy, Grover, Thalia, as Caçadoras e os Di Angelo tomam o caminho para o Acampamento Meio-Sangue. Como de costume, Percy tem sonhos que tentam lhe dizer algo: ele vê Annabeth sendo torturada e a deusa Ártemis sendo capturada por Luke e um homem chamado General. Para sua surpresa, Zoë Doce-Amarga, uma das Caçadoras, tem um sonho semelhante. Quíron imediatamente ordena que uma equipe seja montada para ir em busca de Ártemis. Thalia, Bianca, Zoë e Grover são os escolhidos, e Percy entra de penetra nessa jornada na esperança de encontrar Annabeth e por ter prometido a Nico que protegeria sua irmã.


Os cinco viajam por diversos lugares, só que a cada esquina eles encontram uma surpresa; desde exército de esqueletos, gigantes de ferro e até um dragão com hálito demoníaco. E Percy tem um encontro inusitado com Rachel Elizabeth Dare, uma menina mortal que consegue ver através da Névoa e que se torna uma personagem muito importante no livro seguinte. O problema é quando eles encontram o temível monstro capaz de exterminar o Olimpo, pois é neste ponto que o terrível plano de Cronos é revelado.


Qual a intenção de Cronos, afinal? Os heróis conseguirão salvar o Olimpo? Percy encontrará Annabeth? O que há no topo do Monte Talmalpais e quais serão os desafios que os aguarda por lá? Desta vez, os heróis terão um trabalho dobrado e algumas perdas serão necessárias para que no final Percy tenha forças suficientes de suportar o peso da maldição do Titã...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

V de Vingança





"Lembrai, lembrai o 5 de novembro... A pólvora, a traição e o ardil... Por isso não vejo como esquecer... Uma traição de pólvora tão vil".

Antes de começar, eis um pequeno fato histórico:


Guy Fawkes (Iorque, 13 de abril de 1570 — Londres, 31 de janeiro de 1606), também conhecido como Guido Fawkes, (Não confundir com Guy Folques) foi um soldado inglês católico que teve participação na "Conspiração da pólvora" (Gunpowder Plot) na qual se pretendia assassinar o rei protestante Jaime I da Inglaterra e todos os membros do parlamento durante uma sessão em 1605, objetivando o início de um levante católico. Guy Fawkes era o responsável por guardar os barris de pólvora que seriam utilizados para explodir o parlamento inglês durante a sessão.

Porém a conspiração foi desarmada e após o seu interrogatório e tortura, Guy Fawkes foi executado na forca por traição e tentativa de assassinato. Outros participantes da conspiração acabaram tendo o mesmo destino. Sua captura é celebrada até os dias atuais no dia 5 de novembro, na "Noite das Fogueiras" (Bonfire Night).
(Fonte: Wikipédia).


É partindo desse acontecimento que se inicia o enredo de V de Vingança, um dos melhores filmes que já tive o prazer de assistir. E como hoje é dia 5 de novembro, não poderia deixar essa data passar em branco; é uma maneira de homenagear o longa, valorizar sua ideologia, e como afirma o verso, é claro, lembrar deste dia tão celebrado.


De certa forma, V de Vingança denuncia as formas de como o abuso de poder é aplicado sobre a sociedade, e tal abuso só é praticado tão explicitamente quando se trata de uma ditadura. O enredo nos transporta para uma Inglaterra futurista, centro do poder mundial (Sim, aqui os EUA não passa de um lixo), e totalmente monopolizada pelo ditador Adam Sutler, fazendo uma analogia óbvia a Adolf Hitler.


Aqui, e como em qualquer ditadura, o povo não tem direito a opinião. Como um cachorro submisso ao seu dono, as pessoas passam a noite diante de uma TV, sofrendo manipulação da Mídia, enquanto as ruas estão vazias devido ao Toque de Recolher. Esse Governo é contra qualquer forma de anomalia e por trás dos panos se acha na razão de fazer experiências com negros, homossexuais e até mesmo deficientes físicos. Isso te lembra alguma coisa? A submissão do povo é tão voluntária que passou a fazer parte do cotidiano. Era quase certeza que algum dia alguém teria que se rebelar contra o sistema.


Só não esperavam que isso acontecesse com tamanha classe e eficácia. V, o nosso protagonista, é um anarquista de primeira mão, um anti-herói que não mede esforços para obter justiça através da vingança. Inspirado nas atitudes de Guy Fawkes, V tem como objetivo terminar a tarefa que Fawkes não conseguiu: explodir o Parlamento Inglês no dia 5 de novembro e, assim, acabar com o poder do Estado e despertar o povo para a liberdade.


Em seu caminho ele encontra Evey Hammond (Natalie Portman, que fez um belo trabalho neste filme), uma cidadã comum que passa a seguir os passos do nosso anti-herói mascarado, como uma espécie de aprendiz, na esperança de tentar compreender suas atitudes e pensamentos complexos ao longo do vasto caminho de sangue e morte que ele insiste em traçar.


Diálogos inteligentes, frases impactantes, roteiro bem trabalhado. V de Vingança é um belo filme que explora diversos aspectos do Homem e Sociedade, e sinceramente não tenho mais palavras para descrever a largura da sua magnitude e complexidade. A única coisa que posso sugerir, leitor(a), é que você assista o filme e se encante com a ideologia de V; só assim o 5 de novembro para você terá um significado maior, e nunca mais será o mesmo.



"Por baixo desta máscara há mais do que carne e sangue. Por baixo desta máscara existe uma ideia... E ideias são à prova de balas".


Trailer:

domingo, 24 de outubro de 2010

A Antena e a Nuvem




* Como esta semana estou meio sem assunto, resolvi publicar esse texto de minha autoria, ainda que de maneira relutante. Já escrevi coisas melhores que essa, como A Menina que Matava Livros, mas aí está para quem curte textos pedagógicos. A foto no início da postagem foi tirada por mim em mais uma de minhas empreitadas fotográficas durante as férias de verão, e foi também minha fonte de inspiração para a criação desse texto. Boa leitura.


De repente, o tempo fechou.

Uma nuvem intensamente nebulosa e gigantesca sobrevoava uma pequena cidade. Pronta para despejar sua carga torrencial, ela hesita ao escutar algo inusitado.

Uma voz. Lá de baixo.

- Nuvem!

A nuvem achou aquilo muito estranho. Que tipo de ser humano perderia seu tempo tentando conversar com uma nuvem? Era coisa de louco.

Quando olhou para baixo, porém, ela viu que não era uma pessoa que gritava. Para seu espanto, percebeu que em meio às várias casas uma antena de rádio destacava-se balançando de um lado para o outro, tentando chamar sua atenção.

- És tu que me chamas? – a Nuvem perguntou.

- Sim – respondeu a Antena. – Desculpe o incomodo, mas reparei que a senhora é bem grande e está prestes a... Como posso dizer... Jogar o seu “pacote” aqui para baixo, não é?

- Por acaso você se refere à chuva?

- Sim.

- Correto. Vai chover canivete para vocês aí de baixo.

- Então... A senhora poderia me fazer um favor?

- Acho bastante improvável, mas não custa tentar. Do que se trata?

- Será que a senhora poderia chover um pouco mais pro lado de lá?

A nuvem achou o pedido muito esquisito.

- Por quê? – ela perguntou, curiosa.

- É que a senhora é tão grande que dá pra perceber que vem chuva forte por aí – explicou a Antena. – E como eu sou uma antena frágil, tenho medo que o temporal me derrube.

A Nuvem soltou uma gargalhada.

- Que petulância! Não posso evitar uma chuva só por sua causa. Iria contra os meus princípios. Fazer chover faz parte da minha essência de nuvem.

- Então para você não faz diferença se permaneço de pé ou caio?

- Tenho coisas mais importantes com que me preocupar.

- Como o quê?

- Levar água para os que necessitam. O sertão, por exemplo, que é devastado pela seca quase o ano inteiro. Você precisa ver a emoção nos olhos do velho sertanejo ao presenciar a transição do que antes era seco, transformar-se em algo verde. A chuva para muitos traz felicidade, e garanto que várias pessoas da sua cidade pensam da mesma maneira.
- Com certeza – concordou a Antena. – Mas sua chuva também traz desgraça. Pessoas perdem suas casas e, inclusive, a vida. Morrem em inundações e desabamento de terra. E, além disso, na maioria das vezes que antenas como eu caem por causa de chuvas como a sua, acontece um curto-circuito que pode eletrocutar um cidadão e até quem sabe causar um incêndio.

- Já disse que não posso evitar a chuva, mesmo que eu quisesse. Não dá para lutar contra as leis da natureza!

- Por favor, não! Não!

Tarde demais. Como uma boca aberta pronta para cuspir saliva, a nuvem lançou gotas e mais gotas em direção a terra, trazendo uma chuva que há muito a cidade não tinha a oportunidade de ver.

Quando terminou, a nuvem olhou para baixo. A antena não conseguiu resistir. Estava caída no chão, derrotada.

Certo dia, a nuvem volta a passar pela mesma cidade, pronta para novamente despejar seu arsenal. Quando olha para baixo, uma surpresa: a antena estava de volta ao seu lugar, nova em folha.

- Retornou do mundo dos mortos? – indagou a Nuvem.
- Pois é – a Antena respondeu.

- Vai querer repetir o pedido? Porque agora vai chover tão forte quanto da última vez.

- Fique à vontade.

A Nuvem estranhou a atitude da Antena. Onde estava todo aquele medo?

- O que deu em você? Acha que estou blefando?

- De modo algum. Acredito no seu potencial.

- E o que é, então? Você está diferente.

- Desta vez estou mais confiante.

- Posso saber por quê?

- Claro – disse a Antena. – Você disse que a chuva traz felicidade. E estava certa. Graças a você, consegui encontrar alegria no meio da desgraça. Após aquela chuva, o que restou de mim foi utilizado para a construção de uma antena mais moderna e duradoura. Assim como na vida, precisamos aprender a levantar quando caímos em frente a um obstáculo, seja sozinho ou com a ajuda de amigos. Temos que ultrapassar barreiras que nos impedem de crescer. Agora eu entendo. Por isso, pode chover o quanto quiser desta vez. Não tenho nada a temer.

- Está bem. Você que pediu.

A Nuvem deu tudo de si. Lançou sobre a cidade uma chuva pior que a anterior. Águas descontroladas inundaram ruas, o vento enfurecido envergou árvores e até os raios deram o ar da graça.

Não tendo mais forças, a nuvem parou e olhou para baixo.

A antena estava intacta. Imóvel.

A nuvem ficou embasbacada.

- Como pode? – perguntou.

- Eu te disse – lembrou a Antena. – Estou mais forte e mais confiante. Para me derrubar de novo, será preciso um dilúvio.

Foi a partir daquele dia que a nuvem aprendeu o significado de dar a volta por cima. Anteriormente a antena havia demonstrado fraqueza e medo, mas agora exibia coragem e autoconfiança.

É preciso cair para aprender a levantar.

E assim renascer das cinzas.



Leonardo da Vinci F. da Cunha.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2





"Para certas pessoas a guerra é a cura. A guerra funciona como uma válvula de escape. Comigo sempre foi assim, parceiro".



Raras são as ocasiões em que um filme brasileiro é tão esperado, principalmente quando se trata de uma sequência. Se o primeiro foi aclamado pelas plateias de toda a nação, é porque deve ser muito bom. Se o segundo gera o dobro de expectativa, é porque provavelmente deve ser melhor ainda. Esse pensamento permeou minha ansiedade durante a semana inteira, e foi com ele ao meu lado que entrei no cinema para assistir Tropa de Elite 2. E não me decepcionei.

Ele está de volta. Mais velho, mais experiente e com mais problemas. E devo dizer que uma legião de pessoas aguardavam ansiosas pelo retorno do Capitão Nascimento... digo, agora Coronel Nascimento. Wagner Moura encarna mais uma vez esse polêmico personagem, que neste filme possui uma carga psicológica ainda mais dramática que no antecessor.

Ambientada aproximadamente 15 anos após o primeiro filme, a trama nos mostra os bastidores da corrupção de uma maneira mais ampliada; o sistema não corrompre apenas os policiais e os jovens adolescentes usuários de droga. Para que estes sejam corrompidos, é necessário que se tenha um corruptor. E adivinha só quem é o culpado... São os senhores do sistema, os financiadores de toda a sacanagem: os políticos. E assim se estende a ampla rede social da corrupção.

A guerra de Nascimento contra o sistema continua. Só que não basta ficar prendendo e espancando vagabundo eternamente. Agora que foi promovido a trabalhar na Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, seu objetivo é atingir o olho do furacão. Com a ajuda do BOPE, ele extermina quase todo o tráfico existente nas favelas. E isso não podia passar despercebido. Quando a fossa é entopida, meu chapa, a merda tem que sair por outro lugar. Os policiais corruptos descobrem outra maneira de ganhar dinheiro dentro da favela, e isso pouco a pouco vai afundando os planos de Nascimento.




E para aumentar a dramaticidade do personagem, seus assuntos familiares não andam nada bem. Agora ele é separado, seu filho não vai com sua cara e também é bombardeado o tempo inteiro na televisão por pessoas que são a favor dos direitos humanos. Sem contar que o Capitão André, o homem que foi treinado para substituí-lo, já não mais o admira.






José Padilha, diretor dos dois longas, conseguiu transportar este Tropa de Elite para um patamar mais maduro e complexo. Se no primeiro o espectador ficava perdido diante de tanto tiroteio e perplexo ao presenciar tanto sangue e violência, nesse tem-se a oportunidade de conhecer o interior de cada personagem, seus dramas pessoais e todo seu lado podre. E não é só isso: as sequências de filmagem são bem mais cuidadosas e organizadas, e isso é perceptível desde a primeira cena. A trilha sonora evoluiu bastante e lembrou-me muito o compositor Hans Zimmer nos filmes Batman e A Origem nos momentos impactantes.

Acho que não preciso tecer comentários sobre a atuação de Wagner Moura. Seria redundante. O cara é demais. Atente para o roteiro bem estruturado, cuja função é denunciar aquilo que já sabemos que acontece na política, porém não temos conhecimento de como funciona. O roteiro é digno de premiação.

Mas se você, leitor(a), aprecia uma boa carnificina, não há com o que se preocupar: a mesma violência do primeiro filme nós vemos aqui, o mesmo saco, os mesmos bofetões e também há novos bordões. E sangue. Muito sangue, para dar e vender. As cenas de assassinato foram muito bem feitas, inclusive a dos personagens que não mereciam morrer...

Acha que está preparado(a) para enfrentar Tropa de Elite 2? Não?

Então pede pra sair, malandro.




"Eu demorei muito para perceber quem eram os meus verdadeiros inimigos. E numa guerra, isso pode ser fatal. A verdade é que minha guerra contra o sistema estava só começando... E desta vez ia ser pessoal".




Trailer:

domingo, 3 de outubro de 2010

Eleições: o poder do mais fraco


"O povo não deve temer o seu governo. O Governo é quem deve temer o seu povo". *



Nós somos a ralé da sociedade. Não há nem o que discutir ou tentar argumentar. Por mais que sejemos honestos, tenhamos um trabalho digno e até mesmo um nível de escolaridade adequado, obstáculos infindáveis surgem especialmente para nos manter no anonimato. Escondidos sob a sombra de um sistema opressor.


Aqueles que se destacam são justamente os que controlam a grande brincadeira de ventríloco. São os ditos poderosos, os imperadores. Em outras palavras, os políticos. Eles manipulam a enorme marionete chamada de Mídia; ela é a responsável por apontar todo o lado podre dos humanos. Por isso sempre somos mostrados como estupradores, ladrões, analfabetos, incompetentes... Raras são as ocasiões em que um ato de bondade é destacado de maneira triunfal. O que, por sinal, já é muita coisa; a Mídia é obrigada a explorar os nossos grandes feitos, a imensidão da nossa benevolência.


Por um único e simples fator.


O que talvez muitos ainda não tenham percebido é que além de sermos a ralé da sociedade, nós também somos o alicerce que a sustenta. Se não fosse por nós, os poderosos não estariam no cume da pirâmide social. Nós somos os verdadeiros agentes do poder. E para você ser detentor de tal poder basta ter uma coisa: um título de eleitor.


Infelizmente, o voto é a única forma que temos de gritar por justiça e sermos escutados. É através do nosso dedo, este pequeno membro esquelético, que transferimos o poder e o jogamos nas mãos do candidato que julgamos mais bem preparado. Afinal, por que você acha que eles nos pedem ajuda? Eles sabem que sem nós é apenas uma questão de tempo para que se abra um abismo no solo onde pisam e mergulhem no pesadelo da normalidade. Se não fôssemos nós estendendo a mão para eles, muitos já teriam caído nesse abismo para nunca mais voltar.


Voto também pode ser usado como um protesto contra o sistema... Tiririca que o diga... Homens corajosos que estufam o peito e utilizam-se de artifícios cômicos para conquistar a população, despejando ideias estapafúrdias na cabeça daqueles que sonham em viver num mundo utópico.


É em época de eleição que a nossa importância é enaltecida e que o nosso poder de escolha vale ouro.


Somos nós que sustentamos a sociedade.
*Frase do filme V de Vingança.
Vote consciente!

domingo, 26 de setembro de 2010

Percy Jackson e o Mar de Monstros





Às vezes eu tenho muita pena dos heróis. Eles não têm descanso, não possuem dias de folga. Só relaxam de fato quando derrotam seus arqui inimigos ou quando morrem, é claro. Eles não são privilegiados pela dádiva de uma vida tranquila e despreocupada. Aliás, ninguém é. Deve ser por isso que também somos hérois... Heróis do cotidiano.


Um bom herói sempre traz consigo uma boa coisa: a vontade de querer acompanhar sua jornada até o fim. Cada aventura sua é repleta por novas missões e desafios a serem ultrapassados. Foi esta vontade que me levou a ler Percy Jackson e o Mar de Montros, segundo volume da saga do jovem semideus filho de Poseidon, pois ele, assim como um bom herói, ainda tem muita história para contar.


Antes de você continuar, leitor(a), devo alertar: pare agora caso não tenha lido o primeiro volume ou não tenha assistido ao filme. Mas caso esteja interessado, leia o comentário que fiz sobre ambos no mês passado, se você tiver amor ao bem estar de sua compreensão, e volte aqui depois.


Rick Riordan mais uma vez faz uma bela mistura de mitologia grega com a atualidade. Percy continua morando com sua mãe no subúrbio de Nova York e certa noite tem um sonho estranho: seu melhor amigo, Grover, o sátiro, estava fugindo de um monstro. Sabendo que seus sonhos sempre significam alguma coisa, ele parte para aula na nova escola com uma pulga atrás da orelha. Lá ele se prepara com seu novo amigo, Tyson, para o que lhes parecia mais uma aula de educação física. Até que são atacados.


A tendência é que as coisas piorem. O que realmente acontece. Percy descobre através de Annabeth que o Acampamento Meio Sangue está em perigo, pois as proteções que defendiam o lugar foram enfraquecidas. A lendária árvore de Thalia fora envenenada, e aquela era apenas uma das providências tomadas para o fortalecimento de Cronos. E o mais interessante, ele descobre que o fato de ter conhecido Tyson não foi mera coincidência.


Com Grover desaparecido, Percy vai descobrindo que seus sonhos com o menino-bode correspondem aos fatos; seu amigo realmente está em apuros e é por meio dos sonhos que pede ajuda. Juntos, ele, Annabeth e Tyson saem em busca do Velocino de Ouro, a única esperança para a restauração do Acampamento. Só que, como sempre, não será fácil. O Velocino encontra-se na ilha de Polifemo, o mitológico ciclope, localizada no Mar de Monstros. E para deixar as coisas menos complicadas, Grover está sendo mantido como refém do dito gigante.


Será que eles conseguirão salvar o amigo das garras do ciclope? Conseguirão encontrar o Velocino de Ouro antes do Acampamento ser extinguido? Poderão eles confrontar Luke e impedi-lo de ressuscitar Cronos?

Desta vez, Rick Riordan nos faz navegar por um mar recheado de monstros, nos faz mergulhar em águas perigosas e cheias de mistério. E Percy, mais uma vez, terá que pôr em prática todo o seu heroismo com a ajuda de Contracorrente, sua espada. Este livro encerra apenas uma parte de toda a saga, e o final revela a Percy e seus amigos que muitas coisas terríveis estão por vir.


A verdadeira batalha ainda não começou.

domingo, 19 de setembro de 2010

As Chaves do Reino - Sr. Segunda-Feira




"E, no primeiro dia, havia mistério".


Venho percebendo a um bom tempo que o número de comentários de filmes é maior que o de livros. Isso é bom, mas preocupante. Não que eu não goste de filmes, eu os adoro, só que também sou amante das letras e por isso acho justo tentar balancear as coisas. E foi então que lembrei de um livro fantasioso que li ano passado, e que deveras me encantou.


O dito cujo chama-se "As Chaves do Reino - Sr. Segunda-Feira", do autor Garth Nix, primeiro volume de uma série de sete livros. Infelizmente, aqui no Brasil, a obra não esteve no topo da mídia, enquanto nos Estados Unidos não posso dizer o mesmo; todos os livros já foram lançados lá fora. Acho que fazer um comentário sobre ele é uma forma de divulgar o talento que Garth Nix tem para escrever ficções.


O livro nos apresenta Artur Penhaligon, garoto órfão que mora com uma família adotiva e sofre de terríveis crises de asma, além do fato de ser medroso. Sua mãe é médica, o pai é músico e é o mais novo de uma prole de cinco filhos. Não é exatamente o que podemos chamar de um herói clássico. Contudo, o garoto revela pouco a pouco que é capaz de desempenhar este papel.


Recém-chegado na nova cidade, Artur vai para o seu primeiro dia na escola. O que ele não esperava era ter que participar de uma corrida na aula de educação física, que resultou em mais uma crise asmática no seu frágil corpo. Enquanto espera por ajuda, o menino recebe a visita de dois homens, um chamado Espirrador e o outro Sr. Segunda-Feira. Eles lhe entregam uma chave no formato do ponteiro de um relógio e um livro. E é aí que tudo muda.


Artur passa a enxergar uma enorme casa em seu bairro, casa esta que nunca estivera ali antes. Para piorar, quando se recupera e retorna à escola, ele é atacado por um homem chamado Meio-Dia de Segunda-Feira. Mas isso não é nada. A coisa realmente piora quando uma praga assola todo o país e pessoas começam a morrer. Ninguém sabe qual é o antidoto para aquela nova doença. E Artur, sabendo que de alguma forma era tudo culpa sua, pega a chave e, graças às instruções do livro que recebera, entra na Casa na esperança de encontrar a cura e salvar todas as pessoas, incluindo sua família.


O que ele não sabia era que dentro da Casa existia um mundo totalmente diferente do seu, e que ali havia pessoas à sua espera. Com a ajuda de Suzy Azul-Turquesa, uma garota que morava na Terra e que foi levada para lá pelo Tocador de Gaita, ele conhece Will, o Testamento. Esse ser explica a Artur que ele é o Herdeiro da Chave do Reino, e está ali para libertar todas as pessoas da Casa Inferior das mãos do Curador, Sr. Segunda-Feira. Agora, para poder salvar seu mundo, ele precisará compreender este novo.


Só que a imaginação que Garth Nix não termina aqui. A parte complicada da história começa agora e eu vou tentar explicar da melhor maneira possível. A Casa é um mundo paralelo que possui sete reinos, cada reino governado por um Dia diferente. A Casa Inferior, reino onde Artur entra, é governada pelo Sr. Segunda-Feira. As Regiões Afastadas, por exemplo, é governada pelo Horrível Terça-Feira e o Mar Fronteiriço, pela Quarta-Feira Submersa. E por aí vai. Tudo bem até aqui? Muito bem, continuemos.


A Casa foi criada por uma entidade chamada de Arquiteta. Ela fez a Casa a partir do Nada, um material que nas mãos certas pode criar tudo. Acontece que em um belo dia, inexplicavelmente, a Arquiteta desaparece e deixa para trás o Testamento. Os Dias dividem o Testamento em partes iguais, sete fragmentos. Will é apenas o primeiro pedaço do Testamento e explica a Artur que ele é o Herdeiro que a Profecia menciona, tendo agora como missão a restauração da paz dentro da Casa e a recuperação de cada parte do Testamento.


Artur, em posse da Chave, assumi a responsabilidade de enfrentar o Sr. Segunda-Feira e cada um dos Dias Seguintes, embora muitas vezes de um jeito relutante. E esse é apenas o primeiro livro. Mesmo sendo uma obra de fantasia, não custa nada dar uma conferida nesta série que instiga nossa imaginação. Porque, de alguma maneira, existe um Artur Penhaligon dentro de cada um de nós.

domingo, 12 de setembro de 2010

Nosso Lar




"Você chegou a pensar que existe vida depois da vida?"


Antes de mais nada, gostaria de deixar uma coisa bem clara: não sou Espírita. Sou apenas um "simpatizante", se assim posso dizer, e um apreciador de filmes nacionais. Não vou tentar discutir aqui questões de fé, até porque acredito que discuti-la é de certa maneira uma perda de tempo. Fé é igual em qualquer lugar, seja no Japão ou em Saturno. O problema mesmo é de que forma você decide propagar esta fé... Enfim, é melhor não continuar, pois religião, assim como a política, é uma área onde não pretendo meter o dedo. Pelo menos não no momento atual.


Se você não for adepto dessa doutrina (esqueci qual outro nome posso atribuir a ela), tente dissipar seus preconceitos por apenas alguns minutos enquanto lê este texto e imagine-o como um filme normal, igual a qualquer outro. Abra sua mente, permita-se conhecer novos horizontes... Acho que às vezes eu mesmo deveria escutar este conselho.


Nosso Lar é o filme brasileiro do momento. Baseado na obra psicografada por Chico Xavier, o filme nos conta a vida de André Luiz (o verdadeiro autor do livro, diga-se de passagem), médico que vive no Brasil da década de 30. Apunhalado por uma doença, André não resiste e morre. Quer dizer, o seu corpo morre...

André cai de peito no Umbral, um lugar comparado ao Purgatório, onde almas pecadoras e agoniantes vagueiam pela eternidade. Após passar um tempo imerso no desespero daquele lugar funesto, ele é resgatado e vai para a Colônia Nosso Lar, uma cidade cercada por Ministérios que chega a lembrar Brasília. Lá ele aprende a seguir regras, volta a trabalhar (mas não exercendo a medicina terrestre) e reencontra velhos conhecidos. Com o auxílio de alguns ministros e do próprio Governador, ele entende que para voltar a ver sua família é preciso ter merecimento e passa a abandonar os antigos sentimentos que o fizeram tornar-se um homem arrogante.

E agora iremos sair um pouco do enredo e adentrar na parte técnica do longa. Eu diria que 50% de Nosso Lar é constituído de Efeitos Especiais. De boa qualidade, por sinal. Não é à toa que foi o filme nacional mais caro até aqui. A maneira como a cidade foi projetada é bastante interessante. A trilha sonora também é de se chamar a atenção, e devo dizer que é até exepcional em certos momentos.


Não li o livro e também não tenho interesse. Todavia, gostei da organização que vi em Nosso Lar. Muito ousado para um filme nacional. Acho que é disso que o nosso cinema precisa, mas não necessariamente com um orçamento exacerbado. Em determinadas situações, a beleza encontra-se na simplicidade.


Vale a pena dar um passeio para conhecer a Colônia Nosso Lar. Porque, como o nome já diz, lá todos nós somos bem vindos. Estamos esperando por você.

sábado, 4 de setembro de 2010

O Homem que Copiava




"Dinheiro... é só um pedaço de papel que todo mundo acredita que vale alguma coisa. Se ninguém acredita, não vale nada."


Percebi esta semana, caro(a) leitor(a), que já faz algum tempo que eu não posto um comentário sobre um filme nacional. O que de certa forma foi um pecado de minha parte, pois sou fanático por filmes nacionais. Filmes bons, é claro. De boa qualidade e conteúdo. Acho que já tratei deste assunto aqui quando escrevi meu primeiro comentário cinematográfico.

Bom, se tratando de filmes nacionais, posso proferir diversos títulos que me agradam. Mas há entre eles um que se destaca com um louvor de altíssima dimensão. Este que, na minha concepção, é uma das melhores produções brasileiras já feitas em todos os tempos. Sei muito bem que alguns irão me criticar (e poucos irão concordar), contudo, meus olhos não têm como não observar a grandiosidade de "O Homem que Copiava".


O filme foi dirigido e escrito por Jorge Furtado (Louvado seja!) e é protagonizado por Lázaro Ramos, um dos melhores atores nacionais da atualidade(e um dos meus preferidos também). O enredo nos mostra o cotidiano de André (Lázaro), jovem de 19 anos que trabalha numa papelaria na função de operador de fotocopiadora na cidade de Porto Alegre. Nas horas vagas, André fica em casa lendo, desenhando, assistindo tv e às 23h ele vai bisbilhotar os vizinhos com seu binóculo. Foi em uma dessas empreitadas que ele conheceu Silvia (Leandra Leal) e apaixonou-se à primeira vista.


O que encanta o espectador em O Homem que Copiava não é apenas a simplicidade com que Lázaro Ramos encarna André, mas também a simplicidade que a história carrega; pois, basicamente, esse filme conta uma história de amor. Porém de uma maneira inteligente e nada habitual.


André passa a seguir Silvia e descobre onde ela trabalha. Ele entra na loja e se encanta ainda mais com a garota. Como ela trabalha em venda de roupas, ele decide comprar uma peça feminina para sua mãe que custa 38 reais. O problema é que André é duro e precisa pedir dinheiro emprestado para alguém.


Através de sua colega de trabalho, Marinês (Luana Piovane, e vale salientar que sua atuação ficou ótima), ele conhece Cardoso (Pedro Cardoso, aqui fazendo o que sabe fazer de melhor: ser engraçado) a quem pede os benditos 38 reais. Só que Cardoso também é um duro.


E é em momentos como esse que não podemos medir o que um homem apaixonado é capaz de fazer. André nos conta no início do filme como é operar uma máquina fotocopiadora. Uma descrição que para alguns pode ser desnecessária, mas a máquina revela-se o objeto primordial do filme. Ele copia uma nota de 50 reais e finalmente compra a tal roupa, em troca ganhando o sorriso da mulher idolatrada.


À medida que a relação de André e Silvia vai se itensificando, seus atos vão ficando mais preocupantes. Ele continua a copiar dinheiro sempre em prol da alegria da garota ou de sua segurança e acaba, sem perceber, se metendo na maior roubada. Será o amor capaz de salvá-lo? O dinheiro realmente pode comprar tudo, inclusive a inocência de seus atos criminosos? André vai descobrindo na base do sacrifício que ter muito dinheiro é uma tarefa perigosa que pode causar graves consequências.

É provável que alguns espectadores não gostem das formas com as quais os personagens resolvem seus problemas, mesmo assim isso não estraga a beleza do filme.

Estou me coçando para contar mais coisas sobre este filme, mas tenho medo de estragar a ansiedade de quem for assistir. Mas garanto uma coisa: O Homem que Copiava faz parte de um conjunto completo de bons elementos; você se admira com a história e com as atuações, você se encanta pela forma como a qual o filme foi dirigido, escrito e editado, você entra no clima de adrenalina e tristeza que a trilha sonora lhe proporciona...


E o final... Ah, que belíssimo final! Uma mistura poética de psicologia com filosofia e ideologia que permeia todo o longa e se converge no último momento.


Vou parar de falar porque acho que já consegui de você o que queria: a curiosidade de ver o filme. E não se arrependerás. Não mesmo.


"Tem uns detalhes que eu não posso e nem quero falar. Não importa. Quando a gente conta, tudo acontece rápido e parece que as coisas se encaixam. A vida é mais complicada que um quebra-cabeças... Agora parece mais fácil entender a vida".

Só vai entender quem assistir o filme:

Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;

Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;

Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono

Morrem ao ver nascendo a graça nova.
Contra a foice do Tempo é vão combate,
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.

( trad. Ivo Barroso)

William Shakespeare - Soneto 12

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A Hora da Estrela


Existem certas coisas que um bom leitor precisa saber: você não vai passar a eternidade lendo um determinado gênero que gosta ou lhe chama mais a atenção. Ninguém possui tamanha liberdade literária. Sempre existirá um sujeito que lhe indicará um livro, ou haverá aqueles que irão impor-lhe uma leitura diferente da habitual.


No meu caso, como faço parte do vasto universo das letras, é exigido de minha parte que eu possua um conhecimento maior do mundo literário e que não fique somente preso àquilo que mais me interessa. Não estou reclamando, veja bem; dentro da minha realidade isso é bom, só não sei se para você também será. Graças a esse enorme leque de caminhos literários, eu pude conhecer Machado de Assis, José Saramago, Graciliano Ramos... E há dois dias tive a oportunidade de conhecer Clarice Lispector.


No decorrer de 24 horas, eu li A Hora da Estrela, livro de apenas 87 páginas. Estava curioso com relação a esta obra, pois já havia escutado muitos elogios. Cuidado com a curiosidade, muitas vezes ela pode lhe cegar; você não é obrigado a gostar de uma coisa só porque eu gostei. No entanto, também há a possibilade de você colher bons frutos.


O enredo nos mostra a jornada de uma jovem moça nordestina, cujo nome é capaz de impregnar sua mente e não sair mais de lá. Macabéa. É até bonito, se prestarmos bastante atenção... Mas não é só o nome que crava na nossa memória, e você verá o porquê.


Macabéa é do estado de Alagoas e foi tentar a sorte no Rio de Janeiro logo após a morte de sua tia, único parente vivo que lhe restava. Não que ela soubesse o que era sorte, porém isso não vem ao caso: Macabéa não sabia de quase nada mesmo. Ela dividia um quarto com mais quatro mulheres na rua do Acre e logo conseguiu um empreço de datilógrafa. Ela era totalmente incompetente naquilo que fazia e logo não demorou muito para que fosse ameaçada de demissão. Como diria o narrador: "Faltava-lhe o jeito de se ajeitar. Só vagamente tomava conhecimento da espécie de ausência que tinha de si em si mesma".


Macabéa nunca perdia a fé, embora não soubesse quem era Deus. Ela não fazia perguntas porque achava que não tinham resposta. Ela não sabia o significado da "realidade". As coisas eram daquele jeito e ponto final. Para ela, o fato de viver já bastava, só que não sabia qual era o objetivo da vida... Ela gostava de olhar os navios no cais do porto aos domingos, uma vez por mês ia ao cinema e ainda se dava ao luxo de tomar coca-cola. Ela não era muito de falar, mas gostava de ruídos. À noite, antes de dormir, ouvia a Rádio Relógio e memorizava os anúncios e os ensinamentos que ela lhe repassava. Nunca recebia presentes, achava bom ficar triste, tinha enjoo de comida, não tinha conhecimento da existência de outras línguas e sempre recortava anúncios de jornais para colá-los em um álbum.


Até que em uma tarde do mês de maio, dia em que não foi trabalhar, Macabéa conhece seu futuro namorado: Olímpico de Jesus. "O rapaz e ela se olharam por entre a chuva e se reconheceram como dois nordestinos, bichos da mesma espécie que se farejam". Olímpico viera do sertão da Paraíba e trabalhava numa metalúrgica. Era ambicioso, queria ser famoso e guardava segredos obscuros. Era totalmente impaciente com relação ao jeito de Macabéa e acabou terminando com ela para namorar sua colega de trabalho, Glória.


Confesso que realmente não sei bem o que pensar deste livro. (E isso não significa que ele seja ruim). Macabéa mexe com a pessoa, mexe comigo... Por isso que não há como esquecê-la. O seu jeito inocente, obediente e desatualizado chega a ser gritante em certos momentos. Por que ela é assim? Por que não toma um rumo em sua vida? O problema é que nem ela sabe e nem se dá ao trabalho de se perguntar. Até mesmo o narrador fica indignado.


Acho que além de Macabéa, o narrador é o ponto forte do livro. Ele vai construindo os personagens no decorrer da narrativa e não esconde isso do leitor. Ele mostra seu sentimento de compaixão pela ingênua nordestina e chega a dizer que a ama. Afinal, que tipo de pessoa diz a um médico "muito obrigada" quando ele acaba de dizer-lhe que tem tuberculose? Só Macabéa mesmo.


Não sei o que de fato Clarice quis passar com essa obra. Talvez a inocência que poucos ainda possuem nesse mundo cruel, ou a falta de oportunidades que sofrem aquelas pessoas vítimas do êxodo rural. Eu não sei... A Hora da Estrela é um livro que nos leva a refletir sobre os fatos da vida; quantas Macabéas devem existir por aí? É um livro que desperta dentro de nós a vontade de ajudar a pobre protagonista e livrá-la das profundezas da miséria.


Macabéa, a mulher que encanta através da sua simplicidade, e nos espanta com seu puro coração.


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Morte: a consequência da vida






Acredito que a morte seja divertida. Ou, no mínimo, interessante.



Tendo em vista que a morte é o fim de uma vida cheia de sofrimentos, alegrias, ganhos e perdas, é sensato imaginar que sua chegada seja macia e reconfortante, amenizando as dores de uma existência inteira, de um modo que somente ela é capaz de fazer.


É assim que espero que aconteça comigo.


E com você também.


Porque, afinal, eu e você estamos fadados a encontrá-la. E como esse encontro é inevitável, espera-se ao menos que ela tenha um pouco de compaixão e nos leve a um lugar melhor, onde todas as sensações são boas.


Acho que é assim que acontece. E se não for, estamos todos perdidos.



Mas como aceitar o fato de alguém próximo morrer? Um parente, um amigo de infância, ou um vizinho simpático... A morte pode ser gentil e ao mesmo tempo traiçoeira; ela nos visita sem mandar avisos, e vai embora deixando tristezas. Pobre morte, tão incompreendida... Por que sempre é vista como vilã e não como libertadora? Por que sempre temos medo dela? E, principalmente, por que ela sempre nos faz chorar quando leva de nós alguém tão especial?


Por causa da incerteza. Por causa da saudade. Do medo. A vida é um dom tão precioso que o fato de deixá-la para trás é assustador. A única certeza que temos na vida é que a morte um dia nos encontrará. É um grande mistério, essa viagem sem volta... E nós nunca estaremos preparados para partir, para dizer adeus, deixar para trás toda família e amigos, tudo que construímos e que fazem parte de nós.


Talvez, no final das contas, a estratégia da morte tenha boas intenções; ela não nos dá o luxo da despedida, pois se este privilégio nos fosse dado, provavelmente a dor da perda fosse bem pior. Não adianta implorar pela morte e querer se juntar àquele ente querido que já se foi. Sua hora vai chegar, de um jeito ou de outro. É só ter paciência...


Vida e morte são opostos que se atraem. São o equilíbrio do Universo. Eu e você, seres de carne e osso, não podemos mudar as engrenagens que movem esse enorme sistema. Se pudéssemos, não teria a menor graça. Temos mesmo é que viver, essa é a nossa missão, porque nosso tempo é curto e pouco a pouco ele vai se esgotando. Vamos brincar na rua e subir em árvores, vamos comer até da dor de barriga, vamos assistir filmes até o amanhecer, vamos descobrir a deliciosa sensação de amar, vamos fazer cada vez mais novas amizades, vamos abraçar pessoas, vamos nos entregar ao aconchego do abraço dos nossos avós, vamos relaxar com os cafunés dos nossos tios, vamos sentir segurança na presença dos nossos pais, vamos rir, vamos ter dúvidas, vamos trabalhar, ter responsabilidade... Vamos sentir dor, tristeza, saudade... Vamos cair e depois aprender a levantar... Vamos chorar. E muito. Vamos erguer a cabeça e seguir em frente... Vamos deixar as boas lembranças nos encherem de alegria...


Pois, no fim de tudo, o repouso final estará nos aguardando. E quer saber de uma coisa? Ter o merecido descanso após uma boa vida é melhor do que nada. Porque o sentido da vida é a morte, e ela nos levará a uma nova jornada.

Autor: Leonardo da Vinci Figueiredo da Cunha

* À memória de Dona Francisca, querida e amada avó.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Enfim... coisas de canhoto





Como havia dito na postagem de ontem, cá estou novamente. Desta vez não para tecer comentários sobre um filme ou um livro, mas para homenagear certas pessoas que correspondem apenas a 10% da população mundial. Sim, estou me referindo aos canhotos. E se você, amigo(a) leitor(a), já vem acompanhando este blog há algum tempo, já deve ter percebido que sou canhoto. E tenho orgulho de ser. Graças a Deus!




Mas por que hoje é o Dia Internacional do Canhoto? Eu não sei, e pelo que li em minhas pesquisas na internet, esse é um mistério que quase ninguém sabe responder. Decidiram que seria assim e pronto. Uma coincidência trágica do destino. Por que trágica? Vou dizer o porquê.




Ser canhoto não é fácil. Tanto hoje como antigamente (se bem que no passado a coisa era bem pior). A minha avó, por exemplo, cresceu numa época em que ser canhoto era uma coisa feia, e assim foi obrigada a escrever com a direita. Lembra-se daquelas carteiras com um braço só? Por que você acha que a grande maioria era com o braço direito? Aí vai a resposta: porque o canhoto é minoria e, como tal, "deve" se adequar aos padrões impostos pelo mundo destro. E essa é a realidade nua e crua: ao longo da história, o mundo vem sendo controlado por destros. A tesoura foi feita para os destros. O abridor de latas foi feito para destros. Quando você vai cumprimentar alguém, tem que apertar sua mão direita. Acordar com o pé esquerdo é sinal de azar. Na política, se você faz parte do partido esquerdista, é visto contra o sistema.


Viu? Não é nada fácil. Imagine na antiguidade, onde pessoas eram mortas e queimadas, simplesmente por serem "estranhos". Era dessa forma que o povo julgava; se você era diferente de todo mundo (destros), você era um feiticeiro, um usuário de magia negra, ou um parente do Diabo. E lá ia você para fogueira... Inocente. Injustiçado.


E para piorar, como já relatei, o dia do canhoto é celebrado num dia 13, que para muitos é o sinal do mal. "O número 13 é considerado de má sorte. Na numerologia o número 12 é considerado de algo completo, como por exemplo: 12 meses no ano, 12 tribos de Israel, 12 apóstolos de Jesus ou 12 signos do zodíaco. Já o 13 é considerado um número irregular, sinal de infortúnio. A sexta-feira foi o dia em que Jesus foi crucificado e também é considerado um dia de azar. Somando o dia da semana de azar (sexta) com o número de azar (13) tem-se o mais azarado dos dias." Fonte: Wikipédia.

Como dizia o meu nobre conterrâneo potiguar, Luís Câmara Cascudo, em seu livro Dicionário do Folclore Brasileiro, "o dia 13 é um número fatídico, pressagiador de infelicidades. A superstição de evitar 13 convidados à mesa é tradicional como uma reminiscência da Santa Ceia, quando Jesus Cristo ceou com os seus 12 apóstolos, anunciando-lhe a traição de um deles e seu próprio martírio".


E para deixar a situação ainda mais desagradável, além de hoje ser dia 13, é sexta-feira. Sexta-feira 13 é considerado o dia em que as bruxas estão soltas, dia carregado de maldade. Canhoto já era associado com coisa ruim, e ainda tem essa...


Só que ser canhoto também tem lá suas vantagens. Estudos mostram que nós utilizamos o cérebro com uma potência maior do que os destros, e por isso temos uma tendência maior para a loucura. Canhoto tem a cabeça voltada para as artes. Canhoto escuta melhor que os destros. Existem até aqueles que se dão bem nos esportes, como Ayrton Senna. Isso sem contar que grandes gênios da humanidade foram canhotos, como Albert Einstein, Charles Chaplin, o próprio Da Vinci, Beethoven, Issac Newton, Benjamim Franklin, Pablo Picasso, o vocalista do Linkin Park, Mozart, Gandhi, Machado de Assis...



Mas também tivemos canhotos malvados, como: Hitler, Bush e Napoleão.


Espero ter mostrado com êxito uma pequena parte de mundo canhoto. E, como eu sei que com certeza tem algum canhoto lendo isto, eu lhe desejo sinceramente um feliz Dia do Canhoto!

Esqueci de dizer que muitos canhotos têm hábitos interessantes. Eu, por exemplo, às vezes leio de trás para frente. Tenho um amigo canhoto que escreve de trás para frente. Eu esqueço de dar recados, eu tropeço em lugares e derrubo coisas que estão próximas de mim. E também falo e faço coisas sem nexo... Desastrado, distraído, no mundo da lua... São minhas canhotices.

Enfim... típico de um canhoto.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A Origem









"Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma simples ideia da mente humana pode construir cidades. Uma ideia pode transformar o mundo e alterar as leis. E é por isso que tenho que roubá-la."




Confesso que estava um pouco relutante para postar este comentário hoje, pois amanhã será o Dia Internacional do Canhoto, e cá estarei eu novamente despejando minhas tresloucadas palavras. Mas, como sou o dono deste blog, posso fazer um comentário na hora que bem entender, e, como acabei de sair da sessão do filme A Origem, vou aproveitar enquanto minha mente ainda está fresca.




A Origem é o mais novo filme de Christopher Nolan, mesmo diretor de Batman - O Cavaleiro das Trevas (filme já comentado aqui no blog). E devo dizer, caro(a) leitor(a), que senti a mesma sensação que tive quando assisti Matrix pela primeira vez. Para quem não conhece essa sensação, vou descrevê-la: é quando você assisti a algo que não está ali apenas para lhe entreter, mas para mexer exclusivamente com a sua mente, trabalhar seu raciocínio lógico, explorar os limites da sua imaginação. Já sentiu isso? Espero que sim.




O enredo de A Origem gira em volta de Dom Cobb (Leonardo DiCaprio), um extrator de segredos. Em outras palavras, pode-se chamá-lo de ladrão. Mas não um ladrão qualquer; um criminoso cuja área de trabalho são os sonhos. Nós não podemos tocar num sonho e certamente também não podemos senti-los. Simplesmente fechamos os olhos e caímos de cabeça no cenário criado ou relembrado pelo nosso cérebro. E se nós pudéssemos compartilhar um sonho com outra pessoa, ou melhor, com várias pessoas? É ao redor desse conceito que o filme funciona.




E é justamente nesse ponto que o filme trabalha a mente do espectador. Dom trabalha no ramo dos sonhos com o intuito de invadir a mente de um sujeito e através dela extrair seus segredos, como por exemplo, a senha de uma conta bancária, ou a senha que destranque um cofre, etc. O problema é que a imagem da sua mulher sempre aparece para atrapalhar seus planos; atormentado pela culpa de sua morte, ela permanece viva dentro do seu subconsciente.




Para piorar a situação, um magnata empresário encosta Dom contra a parede e lhe oferece uma proposta de trabalho. A grande dificuldade: ao invés de roubar uma ideia, Cobb terá que implantá-la na mente de um indivíduo. Sabendo dos riscos que isso implica no consciente de uma pessoa, ele aceita a oferta e em troca terá passagem livre para voltar para casa e reencontrar seus filhos. Ele monta sua equipe e juntos arquitetam um plano: um sonho por cima de outro sonho e mais outro, dividindo assim a cena do crime entre três níveis.




Mas como é de se esperar, nem todo crime é cheio de facilidades. Quando entram no sonho da vítima, descobrem que ela possui uma segurança do subconsciente: homens armados até os dentes prontos para matar os invasores. Igualmente quando nossos anticorpos reagem na presença de uma bactéria. Eu falei que era um filme que mexia com a imaginação...




Cenas repletas de ação, ótimas atuações, trilha sonora na medida certa, edição bem feita e, como é de se esperar de um filme de Chris Nolan, um roteiro formidável. Nolan superou-se outra vez. E espero que agora ele leve um oscar.




A Origem é mais um filme para guardar na lembrança... ou, será que devo dizer, nos meus sonhos?


Trailer:




sábado, 7 de agosto de 2010

Percy Jackson e o Ladrão de Raios






A curiosidade sempre bate mais forte quando lançam um filme baseado em uma obra literária. Principalmente se este for um livro que você já tenha lido. Grandes adaptações já foram feitas e continuam surgindo ano após ano, e eu vou tentando acompanhar cada uma das quais me chamam a atenção.


Esta semana assisti ao filme "Percy Jackson e o Ladrão de Raios", adaptação da obra de Rick Riordan. E agora iremos, leitor(a), para uma questão que assola a maioria dos leitores e espectadores: por que grande parte dos filmes não correspondem à altura com relação às obras que os inspiraram? Sim, porque por mais que o filme seja bom, quase nunca chega aos pés da história original. Éragon, até onde sei, foi um fracasso. O Caçador de Pipas chegou bem perto de ser totalmente fiel ao livro. O Senhor dos Anéis filme, na minha opinião, é bem superior ao livro, cuja leitura é bastante cansativa. O Código Da Vinci foi fiel em vários aspectos, diferente de Anjos e Demônios, cuja versão cinematográfica foi um pouco deturpada em certos detalhes. Harry Potter, embora nos últimos anos tenha tido adaptações muito boas, é uma saga que deixa escapar muitos acontecimentos.


Não sei o que se passa na cabeça do diretor e do roteirista na pré-produção do filme, mas eles devem saber que determinadas alterações irritam aquele espectador que espera ver a cena que tanto imaginou na hora da leitura. E muitas empresas da indústria hollywoodiana enfatizam a mesma resposta: não dá para exibir 300 páginas em apenas duas horas. Eu posso estar sendo injusto, até por ser leigo no que se diz respeito à produção cinematográfica, só que essa é a verdade que se abate nas pessoas que se decepcionam.


Com Percy Jackson isso não é diferente. Aliás, o roteirista pisou feio na jaca... Fiquei na dúvida se falaria sobre o livro ou filme, mas como basicamente os dois possuem o mesmo enredo, vou misturar ambos. O Ladrão de Raios conta a história de Percy Jackson, narrador-personagem, garoto de 12 anos que sofre de dislexia e síndrome de déficit de atenção. Primeiro Erro do Filme: além do protagonista não narrar a história, o ator que o encarna, Logan Lerman, não é nada parecido com alguém que esteja iniciando a fase da pré-adolescência, pelo contrário; parece que já saiu da puberdade. Qual o problema? Simples. Se houver continuações, os atores já estarão velhos demais.


Percy mora com a mãe no subúrbio de Nova York. Vivem na companhia de seu padrasto, Gabe, que só pensa em comer e beber. Na escola é sempre acompanhado por seu amigo Grover, e no início do ano passa a ser atazanado pela professora que mais o odeia, senhora Dodds. Em uma visita ao museu da cidade, senhora Dodds ataca o garoto, transformando-se num monstro com asas. E é aí que a vida de Percy se complica de vez. Sem saber o tamanho do perigo que está correndo, ele sai da cidade com a ajuda de Grover e sua mãe rumo ao Acampamento Meio-Sangue. Até que no meio do caminho são atacados por outro monstro: o Minotauro. Segundo Erro do Filme: No livro, a entrada do Acampamento fica no alto de um morro, ao lado de uma árvore que é essencial para a história. Como no filme isso não é mostrado, a história de Thalia, filha de Zeus, fica totalmente ausente. Também esqueceram de dizer o que é a Névoa, algo tão essencial quanto. Pisaram na bola...


No Acampamento Meio Sangue, Percy descobre que Grover é na verdade um sátiro, meio-homem e meio-bode, e que estava ao seu lado o tempo todo para protegê-lo. E descobre, principalmente, a verdadeira identidade de seu pai: Poseidon. Percy Jackson é um semideus, e o acampamento é o local perfeito para pessoas como ele treinarem suas habilidades e ficarem protegidas dos monstros espalhados pelo mundo. Terceiro Erro do Filme: Esse é cruel. No livro, existem 12 chalés, um correspondente a cada deus olimpiano, e o filme só mostra o chalé de Percy. Mas isso é o de menos. O que doeu mais foi a ausência das personagens Clarissa e Oráculo. A primeira porque é uma personagem primordial para o segundo filme (caso venha a ter), portanto já deveria ter aparecido aqui. A segunda porque é ela quem faz as profecias, que no livro é uma passagem importante.


No acampamento Percy faz amigos, como Annabeth, filha de Athena; Luke, filho de Hermes; e Quíron, o centauro. O problema é que o clima está pesado. Os deuses estão prestes a entrar em guerra, pois o raio-mestre de Zeus, a arma mais poderosa do universo, foi roubada bem debaixo do seu nariz. Apenas um semideus poderia ter roubado o raio... E a culpa cai em Percy. Com o objetivo de provar sua inocência, o jovem herói, acompanhado por Grover e Annabeth, sai em uma jornada em busca do raio. Se o raio não for recuperado até o sostício de verão, será o fim dos tempos. Quarto Erro do Filme: A ausência do boné da invisibilidade, objeto não só importante nesse livro como nos demais também; A ausência do deus da guerra, Ares, que no livro tenta arquitetar a grande guerra, usando Percy como instigador.


O trio segue jornada encontrando vários inimigos pelo caminho, entre eles a Medusa. Eles acabam tendo que ir até o Mundo Inferior, na esperança de que Hades saiba onde o raio se encontra. Assim que o raio é encontrado de maneira surpreendente (pelo menos no livro), eles voltam ao mundo normal e entregam o raio na mão do próprio Zeus. Quinto Erro do Filme: Essa foi a pior falha de todas. Eu até entendo que seja normal acrescentar personagens que não estão no livro, MAS DEIXAR DE MENCIONAR O VERDADEIRO VILÃO DA HISTÓRIA É IMPERDOÁVEL! Atenção: não é spoiler, é um esclarecimento. Cronos, Senhor dos Titãs, pai do Tempo, estava tentando se reerguer do Tártaro e tomar o Olimpo de volta para si, destruindo assim todos os deuses. Por isso que ele mandou que o raio fosse roubado. Para tomar seu poder de volta. Ele sim é o VERDADEIRO culpado. Espero que o segundo filme, o Mar de Monstros, seja bem mais fiel à sua obra.


Apesar de todos esses erros, a história de Percy Jackson é muito boa. Para quem se interessar pelo filme, sugiro que leia o livro para ter uma compreensão maior do universo mitológico. Você aprende bastante mesmo. E é isso que vale a pena.