sábado, 31 de março de 2012

Primeiros Erros




Certa vez, conversando com meus irmãos de Igreja, refletimos a respeito de como o Homem perde tempo arrependendo-se dos erros que cometeu no passado no lugar de aproveitar e planejar as coisas boas que poderá realizar no futuro.

O próprio nome “passado” já deixa bastante claro: passou, não volta mais. Se nos fosse dada a capacidade de regredir no tempo e corrigir nossos equívocos, talvez não existisse outra forma tão eficaz de aprendizado e amadurecimento. Porque, infelizmente ou não, aprender com o erro é mais marcante do que crescer com os acertos.

A glória de errar reside na possibilidade de vislumbrar o que é certo. O infortúnio do erro é o arrependimento. Esse sentimento de intensidade tão negativa é capaz de nos afundar em um mar de lamentações e nos afogar nas profundezas da melancolia. Na música de hoje, Primeiros Erros do Capital Inicial, vemos um sujeito à procura de uma luz (sol) que possa corrigir seu passado inteiro, mas os erros (chuva) permanecem atrapalhando seu caminho.

Somente a luz é capaz de extinguir uma tempestade. E se nosso passado é nebuloso, se nossos antigos erros insistem em nos atormentar, é preciso sempre lembrar de que há uma luz pronta para nos guiar a um novo caminho. Um futuro inteiro nos aguarda. Acreditando nisso, não haverá erro algum que possa nos afligir. Fé, amigos. É tudo uma questão de fé.


Eu sou a luz do mundo; quem me segue nunca andará na escuridão, mas terá a luz da vida” (João 8:12).


Letra:

Meu caminho é cada manhã
Não procure saber onde estou
Meu destino não é de ninguém
E eu não deixo os meus passos no chão
Se você não entende não vê
Se não me vê não entende

Não procure saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende
Se o meu corpo virasse sol
Se a minha mente virasse sol
Mas só chove, chove
Chove, chove

Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove, chove
Chove, chove

Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria
Mas só chove, chove
Chove, chove
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove, chove
Chove, chove

sexta-feira, 23 de março de 2012

John Carter: Entre Dois Mundos


"Quando eu vi você, acreditei que algo novo poderia acontecer neste mundo".


A Disney sempre foi uma indústria responsável por criar grandes filmes e clássicos que prendem o espectador com um encanto sutil e, certas vezes, despretensioso. “O mundo mágico”, como alguns afirmam, nos faz adentrar em situações fictícias, atingindo o nosso imaginário, estimulando o aumento da percepção e tocando nossos sonhos mais remotos. Em John Carter: Entre Dois Mundos, essa magia não acontece com 100% de eficiência.

Sob o comando de Andrew Stanton, que também assina os excepcionais Wall-E e Procurando Nemo, John Carter foi um projeto que demorou décadas para sair do papel. Não é de se admirar, uma vez que a obra original é datada de 1912 por Edgar Rice, mesmo criador de Tarzan. Stanton teve a chance de transportar para o cinema uma história que poderia se equiparar ao sucesso de Star Wars, mas alguma coisa não deu certo.

Primeiramente, o filme sofreu comparações com Avatar, de James Cameron. Embora tenha de fato algumas semelhanças, é preciso focar nas idiossincrasias. John Carter é um veterano de guerra que vaga à procura de uma caverna de ouro. Em uma de suas peregrinações, ele foge de um bando de índios e se esconde em uma caverna. Lá, de forma misteriosa, é teletransportado para Marte (conhecida também como Barsoom) e sequestrado por uma tribo de alienígenas verdes que se intitulam Tharks.


Sendo a gravidade de Marte menor que a da Terra, o terráqueo logo se destaca entre os Tharks por possuir uma força descomunal e por conseguir saltar distâncias quilométricas. O transtorno da trama está na circunstância de que Barsoom vem morrendo, graças a forças opressoras que sugam a vitalidade do planeta pouco a pouco. A princesa de Marte, Deja Thoris, tenta retardar esse trágico acontecimento e vê em Carter uma espécie de nova esperança.

Diferentemente do blockbuster de James Cameron, em que o protagonista-forasteiro tem a necessidade de conhecer a cultura dos habitantes de Pandora no intuito de encontrar seus pontos fracos, aqui John Carter precisa aprender como funciona os costumes e a ciência de Barsoom porque depende disto para retornar à Terra. E no decorrer do processo, ele entende qual é a sua função naquele lugar.


O percalço do enredo encontra-se no desenvolvimento de informações e na tentativa de ser engraçado. Já fica implícito na premissa do filme que o público será apresentado a um novo mundo e, como tal, à medida que o herói vai assimilando as coisas, a plateia deve seguir no mesmo ritmo. O compasso perde a sincronia na velocidade em que os conteúdos são jogados; não resta tempo para refletir a respeito do que foi apresentado, pois muitas vezes em seguida vem uma cena de ação ou algum momento tenso.

Por mais que seja visualmente lindo, o longa também escorrega no drama. Exceto em uma cena em particular, onde a emoção e a trilha sonora entram em uma sintonia perfeita. Em seu primeiro filme live-action, faltou à Stanton a mágica que o consagrou no âmbito das animações. É possível ver que há um atrativo na mitologia de John Carter, que sua história é rica, que a produção se esforçou. No entanto, fica o exemplo de que, quando a magia não é forte o suficiente, o feitiço se volta contra o feiticeiro.


"Eu já cheguei tarde uma vez. Não acontecerá novamente".


Trailer:


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sexta-feira, 16 de março de 2012

O Herói Nerd


"Começa com um cara que trabalhava na Buy More. E, um dia, um velho amigo de faculdade manda um email cheio de segredos. E no dia seguinte, a vida dele muda de verdade quando ele conhece uma espiã chamada Sarah. E se apaixona".

Ao vislumbrar a História, é possível perceber que os heróis, pelo menos na antiguidade, eram pessoas dotadas de características nobres e marcantes. Coragem, nobreza, destreza e força eram alguns dos ingredientes que formavam a identidade paladina. Contudo, é perceptível que grande parte dos heróis da atualidade precisa passar por uma jornada antes de se transformarem em defensores da lei.

Peter Parker, por exemplo, era apenas um garoto estudioso e inteligente. Para se tornar o mascarado aracnídeo que se balança entre os edifícios de Nova York, ele teve de enfrentar diversos desafios. Em Chuck, seriado nerd exibido no Brasil pelos canais Warner Channel e SBT, a fórmula é praticamente a mesma.

Charles Bartowski, conhecido como Chuck, é um técnico de computadores que trabalha na Buy More, loja especializada em vender produtos eletrônicos. Ele mora sob o mesmo teto que a irmã mais velha, Ellie (uma médica bem-sucedida) e seu namorado, Devon (O Incrível). E para sobreviver às loucuras dos funcionários da Buy More, Chuck tem um fiel escudeiro e também melhor amigo, Morgan Grimes.


A rotina mais do que normal de Chuck muda totalmente quando ele recebe um email no dia de seu aniversário. O remetente: Bryce Larkin, velho conhecido de Chuck e o responsável por expulsá-lo da faculdade por razões nunca explicadas. Ao abrir o email, ele é exposto a vários tipos de informações, as quais ficaram armazenadas em seu cérebro. Acidentalmente, Chuck inseriu em sua cabeça um supercomputador secreto do Governo americano, o Intersect, o qual reúne conteúdos extremamente confidenciais.

Tendo o conhecimento de vários fatos ocorridos não somente dentro do próprio governo como também em outras nações, agentes da CIA e da NSA são enviados para proteger Chuck, pois agora o nerd é propriedade nacional. Enquanto o governo não conseguir construir um novo Intersect, Chuck terá de cumprir missões ao lado de John Casey e Sarah Walker, combatendo terroristas e se escondendo de criminosos que querem o supercomputador para si.


O seriado, com cinco temporadas no total, conquistou legiões de fãs em todo o mundo. Apesar de nos últimos anos ter obtido baixos índices de audiência na TV, Chuck sempre foi uma série famosa na Internet. Ao contrário de alguns programas que terminam inesperadamente, sem muitas vezes ter um fim digno, os fãs de Chuck se uniam ao final de cada temporada para pedir que o seriado fosse renovado por mais um ano. E após cinco anos, no decorrer de 91 episódios, Chuck pôde ter seu merecido último capítulo.

Um dos motivos que fizeram de Chuck um grande sucesso foi a mistura de gêneros contidos em sua trama. De forma inteligente e criativa, os criadores Josh Schwartz e Chris Fedak, juntamente com os roteiristas, souberam introduzir ação, drama, aventura e muita comédia sem tornar a história cansativa. Outro ponto bastante forte é a paixão entre Chuck e Sarah, romance que ultrapassou várias barreiras.


Chuck inicia sua jornada de forma atrapalhada e ingênua, deixando transparecer que seus valores humanos – a família e os amigos – são suas maiores armas. A simplicidade do personagem, seu carisma e a bondade encantaram milhares de nerds e uma nova geração de espectadores. Por mais que não possua os atributos que qualificam um protetor clássico, à medida que as temporadas passam, Chuck amadurece e começa a entender que pode realmente fazer a diferença no mundo. Nerd, sim, mas um verdadeiro herói moderno.


"O computador não fez de você um herói, só deu a oportunidade de se tornar um".


Breve sinopse (DUBLADO):


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*Há muito mais a ser dito a respeito de Chuck, mas vou deixar que você veja com seus próprios olhos.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Poder Sem Limites



É bastante comum nos filmes de gênero “super-herói” que o protagonista, ao receber poderes que vão além da capacidade humana, seja acometido pelo senso heroico de ajudar os necessitados e salvar o dia. Para complementar a receita, ele precisa seguir a ética de que suas habilidades contêm consequências e que por isso devem ser utilizadas em prol de um bem maior.

Em Poder Sem Limites, essa teoria é jogada pela janela. Aquele velho lema de “grandes poderes trazem grandes responsabilidades” perde o sentido quando a trama nos mostra adolescentes inseguros e imaturos realizando proezas que fariam Clark Kent ter dores de cabeça. E isso não é exagero.

O início do enredo transcorre sob o olhar de Andrew (Dane DeHaan), garoto que adquire uma mania peculiar de filmar tudo o que acontece em sua vida (o longa é no estilo documental, da mesma forma que A Bruxa de Blair e Cloverfield). Dessa maneira, torna-se evidente que suas maiores características são a solidão e a rejeição, tanto por parte do pai alcoólatra quanto pela ausência de amigos no ambiente escolar.



Graças a um convite de seu primo Matt (Alex Russel), Andrew vai a uma festa e lá conhece Steve (Michael B. Jordan). Os três encontram um buraco próximo ao local do evento e, ao entrarem, são expostos a algum tipo de substância inexplicável, a qual lhes atribui habilidades telecinéticas. Juntos, desenvolvem seus poderes, algumas vezes de modo inconsequente, descobrindo que, igualmente a um músculo, podem se fortalecer à medida que usam seus talentos com frequência.

O tema principal é indicar que uma ínfima brincadeira pode sair do controle e atingir índices calamitosos. Com 83 minutos de duração, o drama permeia quase toda a história e serve como o combustível da tragédia inteira. A ação demora a começar e, embora isso não seja um demérito, há uma tensão sempre presente. Quando o estopim acontece, os problemas vão crescendo e alcançam proporções desastrosas, guiando o clímax a um final imprevisível.


Talvez a palavra mais apropriada para descrever Poder Sem Limites seja “inesperado”. Josh Trank, em seu primeiro longa, conseguiu enganar os incrédulos; a opção por filmar como documentário sugeria que fosse uma produção de baixo orçamento, sem muito a oferecer, mas os efeitos especiais são memoráveis, revelando que a equipe soube onde investir cada centavo. E mesmo que o filme ainda não tenha estreado em todo circuito mundial, já há previsão para uma sequência.

Não espere encontrar em Poder Sem Limites rapazes bonzinhos com fome de heroísmo. A premissa aqui é outra, beirando o psicológico e o filosófico. As atuações e o estilo de filmagem aproximam o espectador da realidade, lançando a seguinte reflexão: há algum limite para uma pessoa emocionalmente instável? Espero que sim, pois ficou claro que grandes poderes, em mãos erradas, podem trazer enormes irresponsabilidades.


Trailer:


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sábado, 3 de março de 2012

As Crônicas dos Kane - O Trono de Fogo



"Esta é a transcrição de um arquivo de áudio. Carter e Sadie Kane tornaram-se conhecidos por uma gravação que recebi no ano passado e transcrevi no livro A Pirâmide Vermelha. Este segundo registro chegou a minha casa logo após a publicação do primeiro, então suponho que os Kane confiam em mim o suficiente para que eu continue a contar sua história. Se este relato for verídico, os novos acontecimentos só podem ser descritos como alarmantes. Pelo bem dos Kane, e do mundo, espero que tudo não passe de ficção. Caso contrário, estamos todos muitíssimo encrencados".


ATENÇÃO! Se ainda não leu a resenha do primeiro livro, segue o link: http://migre.me/86iSe.


A essa altura você já deve estar ciente de que prosseguir com esta leitura te levará a uma jornada repleta de perigos, monstros, fantasia, lugares inóspitos e a descobrir como as coisas estão se encaminhando para o fim dos tempos. E embora você queira participar, tentar ajudar de alguma forma, a consciência faz questão de lembrar que sua função é apenas observar. Portanto, um conselho: torça para que os irmãos Kane consigam resolver tudo. O destino do mundo depende deles.

A situação não melhorou muito para Carter e Sadie Kane. Após a batalha quase mortal em A Pirâmide Vermelha, os problemas se intensificaram e ambos se viram incumbidos de recrutar novos aliados à sua causa. Neste segundo episódio, os Kane deixaram a inocência de lado, e de aprendizes transformaram-se em mestres.

A Casa do Brooklyn, local em que residem, virou uma espécie de quartel-general para iniciantes em magia. Uma resistência liderada pelos irmãos Kane no intuito de medir forças contra o despertar de Apófis, a Serpente do Caos. Essa tarefa não será fácil e exigirá dos nossos heróis coragem para suportar alguns sacrifícios.

De acordo com a mitologia egípcia, Apófis era o arqui-inimigo de Rá, o deus Sol. Logo, Sadie e Carter veem nisso uma oportunidade de salvação. Se eles conseguirem unir as três partes do Livro de Rá e encontrar o rei dos deuses antes do equinócio, poderão impedir que Apófis se reerga e acabe com seu plano de entregar o planeta à escuridão absoluta. Entretanto, quando se trata dos Kane, o teor de dificuldade sempre é um pouco maior.

Além de aceitarem a missão suicida de encontrar todas as partes do Livro de Rá, as quais estão fortemente protegidas, os dois precisam encarar o fato da Casa da Vida persistir em persegui-los e permanecer ignorando a verdade: para evitar uma guerra e enfraquecer o poder de Apófis, é necessário que homens e deuses estabeleçam uma aliança. O que, se depender de Vladimir Menshikov, não irá acontecer tão cedo; o terceiro mago mais poderoso do mundo parece demonstrar um estranho afeto pelo Caos e não se envergonha de expor o prazer que possui em querer esmagar a família Kane.

Em O Trono de Fogo, segundo volume de As Crônicas dos Kane, Rick Riordan nos apresenta mais uma vez à fórmula que o tornou tão popular: a habilidade de ministrar uma aula de mitologia com humor e perspicácia, fazendo com que o conhecimento seja transmitido de maneira simples e sem clichês. Aqui, a trama ganha um tom mais sombrio, o suspense é quebrado nos momentos certos e as cenas de luta, especialmente as derradeiras, mesmo que sejam rápidas, sugerem que Riordan está guardando o melhor para o final (tudo indica que o próximo livro será o último da saga).

Novamente, Carter e Sadie narram essa aventura recheada de novos personagens. Ambos amadurecem em meio a alegrias e perdas, aprendem a controlar seus poderes, ficam mais íntimos na dor da saudade e do amor, e receiam que um futuro nebuloso chegue mais depressa que o esperado. À luz dos acontecimentos descritos em O Trono de Fogo, desejo que você esteja pronto(a) para os abalos que se aproximam. Sadie e Carter estão se preparando, e reservaram um lugar especial para todos nós.