terça-feira, 24 de agosto de 2010

A Hora da Estrela


Existem certas coisas que um bom leitor precisa saber: você não vai passar a eternidade lendo um determinado gênero que gosta ou lhe chama mais a atenção. Ninguém possui tamanha liberdade literária. Sempre existirá um sujeito que lhe indicará um livro, ou haverá aqueles que irão impor-lhe uma leitura diferente da habitual.


No meu caso, como faço parte do vasto universo das letras, é exigido de minha parte que eu possua um conhecimento maior do mundo literário e que não fique somente preso àquilo que mais me interessa. Não estou reclamando, veja bem; dentro da minha realidade isso é bom, só não sei se para você também será. Graças a esse enorme leque de caminhos literários, eu pude conhecer Machado de Assis, José Saramago, Graciliano Ramos... E há dois dias tive a oportunidade de conhecer Clarice Lispector.


No decorrer de 24 horas, eu li A Hora da Estrela, livro de apenas 87 páginas. Estava curioso com relação a esta obra, pois já havia escutado muitos elogios. Cuidado com a curiosidade, muitas vezes ela pode lhe cegar; você não é obrigado a gostar de uma coisa só porque eu gostei. No entanto, também há a possibilade de você colher bons frutos.


O enredo nos mostra a jornada de uma jovem moça nordestina, cujo nome é capaz de impregnar sua mente e não sair mais de lá. Macabéa. É até bonito, se prestarmos bastante atenção... Mas não é só o nome que crava na nossa memória, e você verá o porquê.


Macabéa é do estado de Alagoas e foi tentar a sorte no Rio de Janeiro logo após a morte de sua tia, único parente vivo que lhe restava. Não que ela soubesse o que era sorte, porém isso não vem ao caso: Macabéa não sabia de quase nada mesmo. Ela dividia um quarto com mais quatro mulheres na rua do Acre e logo conseguiu um empreço de datilógrafa. Ela era totalmente incompetente naquilo que fazia e logo não demorou muito para que fosse ameaçada de demissão. Como diria o narrador: "Faltava-lhe o jeito de se ajeitar. Só vagamente tomava conhecimento da espécie de ausência que tinha de si em si mesma".


Macabéa nunca perdia a fé, embora não soubesse quem era Deus. Ela não fazia perguntas porque achava que não tinham resposta. Ela não sabia o significado da "realidade". As coisas eram daquele jeito e ponto final. Para ela, o fato de viver já bastava, só que não sabia qual era o objetivo da vida... Ela gostava de olhar os navios no cais do porto aos domingos, uma vez por mês ia ao cinema e ainda se dava ao luxo de tomar coca-cola. Ela não era muito de falar, mas gostava de ruídos. À noite, antes de dormir, ouvia a Rádio Relógio e memorizava os anúncios e os ensinamentos que ela lhe repassava. Nunca recebia presentes, achava bom ficar triste, tinha enjoo de comida, não tinha conhecimento da existência de outras línguas e sempre recortava anúncios de jornais para colá-los em um álbum.


Até que em uma tarde do mês de maio, dia em que não foi trabalhar, Macabéa conhece seu futuro namorado: Olímpico de Jesus. "O rapaz e ela se olharam por entre a chuva e se reconheceram como dois nordestinos, bichos da mesma espécie que se farejam". Olímpico viera do sertão da Paraíba e trabalhava numa metalúrgica. Era ambicioso, queria ser famoso e guardava segredos obscuros. Era totalmente impaciente com relação ao jeito de Macabéa e acabou terminando com ela para namorar sua colega de trabalho, Glória.


Confesso que realmente não sei bem o que pensar deste livro. (E isso não significa que ele seja ruim). Macabéa mexe com a pessoa, mexe comigo... Por isso que não há como esquecê-la. O seu jeito inocente, obediente e desatualizado chega a ser gritante em certos momentos. Por que ela é assim? Por que não toma um rumo em sua vida? O problema é que nem ela sabe e nem se dá ao trabalho de se perguntar. Até mesmo o narrador fica indignado.


Acho que além de Macabéa, o narrador é o ponto forte do livro. Ele vai construindo os personagens no decorrer da narrativa e não esconde isso do leitor. Ele mostra seu sentimento de compaixão pela ingênua nordestina e chega a dizer que a ama. Afinal, que tipo de pessoa diz a um médico "muito obrigada" quando ele acaba de dizer-lhe que tem tuberculose? Só Macabéa mesmo.


Não sei o que de fato Clarice quis passar com essa obra. Talvez a inocência que poucos ainda possuem nesse mundo cruel, ou a falta de oportunidades que sofrem aquelas pessoas vítimas do êxodo rural. Eu não sei... A Hora da Estrela é um livro que nos leva a refletir sobre os fatos da vida; quantas Macabéas devem existir por aí? É um livro que desperta dentro de nós a vontade de ajudar a pobre protagonista e livrá-la das profundezas da miséria.


Macabéa, a mulher que encanta através da sua simplicidade, e nos espanta com seu puro coração.


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Morte: a consequência da vida






Acredito que a morte seja divertida. Ou, no mínimo, interessante.



Tendo em vista que a morte é o fim de uma vida cheia de sofrimentos, alegrias, ganhos e perdas, é sensato imaginar que sua chegada seja macia e reconfortante, amenizando as dores de uma existência inteira, de um modo que somente ela é capaz de fazer.


É assim que espero que aconteça comigo.


E com você também.


Porque, afinal, eu e você estamos fadados a encontrá-la. E como esse encontro é inevitável, espera-se ao menos que ela tenha um pouco de compaixão e nos leve a um lugar melhor, onde todas as sensações são boas.


Acho que é assim que acontece. E se não for, estamos todos perdidos.



Mas como aceitar o fato de alguém próximo morrer? Um parente, um amigo de infância, ou um vizinho simpático... A morte pode ser gentil e ao mesmo tempo traiçoeira; ela nos visita sem mandar avisos, e vai embora deixando tristezas. Pobre morte, tão incompreendida... Por que sempre é vista como vilã e não como libertadora? Por que sempre temos medo dela? E, principalmente, por que ela sempre nos faz chorar quando leva de nós alguém tão especial?


Por causa da incerteza. Por causa da saudade. Do medo. A vida é um dom tão precioso que o fato de deixá-la para trás é assustador. A única certeza que temos na vida é que a morte um dia nos encontrará. É um grande mistério, essa viagem sem volta... E nós nunca estaremos preparados para partir, para dizer adeus, deixar para trás toda família e amigos, tudo que construímos e que fazem parte de nós.


Talvez, no final das contas, a estratégia da morte tenha boas intenções; ela não nos dá o luxo da despedida, pois se este privilégio nos fosse dado, provavelmente a dor da perda fosse bem pior. Não adianta implorar pela morte e querer se juntar àquele ente querido que já se foi. Sua hora vai chegar, de um jeito ou de outro. É só ter paciência...


Vida e morte são opostos que se atraem. São o equilíbrio do Universo. Eu e você, seres de carne e osso, não podemos mudar as engrenagens que movem esse enorme sistema. Se pudéssemos, não teria a menor graça. Temos mesmo é que viver, essa é a nossa missão, porque nosso tempo é curto e pouco a pouco ele vai se esgotando. Vamos brincar na rua e subir em árvores, vamos comer até da dor de barriga, vamos assistir filmes até o amanhecer, vamos descobrir a deliciosa sensação de amar, vamos fazer cada vez mais novas amizades, vamos abraçar pessoas, vamos nos entregar ao aconchego do abraço dos nossos avós, vamos relaxar com os cafunés dos nossos tios, vamos sentir segurança na presença dos nossos pais, vamos rir, vamos ter dúvidas, vamos trabalhar, ter responsabilidade... Vamos sentir dor, tristeza, saudade... Vamos cair e depois aprender a levantar... Vamos chorar. E muito. Vamos erguer a cabeça e seguir em frente... Vamos deixar as boas lembranças nos encherem de alegria...


Pois, no fim de tudo, o repouso final estará nos aguardando. E quer saber de uma coisa? Ter o merecido descanso após uma boa vida é melhor do que nada. Porque o sentido da vida é a morte, e ela nos levará a uma nova jornada.

Autor: Leonardo da Vinci Figueiredo da Cunha

* À memória de Dona Francisca, querida e amada avó.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Enfim... coisas de canhoto





Como havia dito na postagem de ontem, cá estou novamente. Desta vez não para tecer comentários sobre um filme ou um livro, mas para homenagear certas pessoas que correspondem apenas a 10% da população mundial. Sim, estou me referindo aos canhotos. E se você, amigo(a) leitor(a), já vem acompanhando este blog há algum tempo, já deve ter percebido que sou canhoto. E tenho orgulho de ser. Graças a Deus!




Mas por que hoje é o Dia Internacional do Canhoto? Eu não sei, e pelo que li em minhas pesquisas na internet, esse é um mistério que quase ninguém sabe responder. Decidiram que seria assim e pronto. Uma coincidência trágica do destino. Por que trágica? Vou dizer o porquê.




Ser canhoto não é fácil. Tanto hoje como antigamente (se bem que no passado a coisa era bem pior). A minha avó, por exemplo, cresceu numa época em que ser canhoto era uma coisa feia, e assim foi obrigada a escrever com a direita. Lembra-se daquelas carteiras com um braço só? Por que você acha que a grande maioria era com o braço direito? Aí vai a resposta: porque o canhoto é minoria e, como tal, "deve" se adequar aos padrões impostos pelo mundo destro. E essa é a realidade nua e crua: ao longo da história, o mundo vem sendo controlado por destros. A tesoura foi feita para os destros. O abridor de latas foi feito para destros. Quando você vai cumprimentar alguém, tem que apertar sua mão direita. Acordar com o pé esquerdo é sinal de azar. Na política, se você faz parte do partido esquerdista, é visto contra o sistema.


Viu? Não é nada fácil. Imagine na antiguidade, onde pessoas eram mortas e queimadas, simplesmente por serem "estranhos". Era dessa forma que o povo julgava; se você era diferente de todo mundo (destros), você era um feiticeiro, um usuário de magia negra, ou um parente do Diabo. E lá ia você para fogueira... Inocente. Injustiçado.


E para piorar, como já relatei, o dia do canhoto é celebrado num dia 13, que para muitos é o sinal do mal. "O número 13 é considerado de má sorte. Na numerologia o número 12 é considerado de algo completo, como por exemplo: 12 meses no ano, 12 tribos de Israel, 12 apóstolos de Jesus ou 12 signos do zodíaco. Já o 13 é considerado um número irregular, sinal de infortúnio. A sexta-feira foi o dia em que Jesus foi crucificado e também é considerado um dia de azar. Somando o dia da semana de azar (sexta) com o número de azar (13) tem-se o mais azarado dos dias." Fonte: Wikipédia.

Como dizia o meu nobre conterrâneo potiguar, Luís Câmara Cascudo, em seu livro Dicionário do Folclore Brasileiro, "o dia 13 é um número fatídico, pressagiador de infelicidades. A superstição de evitar 13 convidados à mesa é tradicional como uma reminiscência da Santa Ceia, quando Jesus Cristo ceou com os seus 12 apóstolos, anunciando-lhe a traição de um deles e seu próprio martírio".


E para deixar a situação ainda mais desagradável, além de hoje ser dia 13, é sexta-feira. Sexta-feira 13 é considerado o dia em que as bruxas estão soltas, dia carregado de maldade. Canhoto já era associado com coisa ruim, e ainda tem essa...


Só que ser canhoto também tem lá suas vantagens. Estudos mostram que nós utilizamos o cérebro com uma potência maior do que os destros, e por isso temos uma tendência maior para a loucura. Canhoto tem a cabeça voltada para as artes. Canhoto escuta melhor que os destros. Existem até aqueles que se dão bem nos esportes, como Ayrton Senna. Isso sem contar que grandes gênios da humanidade foram canhotos, como Albert Einstein, Charles Chaplin, o próprio Da Vinci, Beethoven, Issac Newton, Benjamim Franklin, Pablo Picasso, o vocalista do Linkin Park, Mozart, Gandhi, Machado de Assis...



Mas também tivemos canhotos malvados, como: Hitler, Bush e Napoleão.


Espero ter mostrado com êxito uma pequena parte de mundo canhoto. E, como eu sei que com certeza tem algum canhoto lendo isto, eu lhe desejo sinceramente um feliz Dia do Canhoto!

Esqueci de dizer que muitos canhotos têm hábitos interessantes. Eu, por exemplo, às vezes leio de trás para frente. Tenho um amigo canhoto que escreve de trás para frente. Eu esqueço de dar recados, eu tropeço em lugares e derrubo coisas que estão próximas de mim. E também falo e faço coisas sem nexo... Desastrado, distraído, no mundo da lua... São minhas canhotices.

Enfim... típico de um canhoto.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A Origem









"Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma simples ideia da mente humana pode construir cidades. Uma ideia pode transformar o mundo e alterar as leis. E é por isso que tenho que roubá-la."




Confesso que estava um pouco relutante para postar este comentário hoje, pois amanhã será o Dia Internacional do Canhoto, e cá estarei eu novamente despejando minhas tresloucadas palavras. Mas, como sou o dono deste blog, posso fazer um comentário na hora que bem entender, e, como acabei de sair da sessão do filme A Origem, vou aproveitar enquanto minha mente ainda está fresca.




A Origem é o mais novo filme de Christopher Nolan, mesmo diretor de Batman - O Cavaleiro das Trevas (filme já comentado aqui no blog). E devo dizer, caro(a) leitor(a), que senti a mesma sensação que tive quando assisti Matrix pela primeira vez. Para quem não conhece essa sensação, vou descrevê-la: é quando você assisti a algo que não está ali apenas para lhe entreter, mas para mexer exclusivamente com a sua mente, trabalhar seu raciocínio lógico, explorar os limites da sua imaginação. Já sentiu isso? Espero que sim.




O enredo de A Origem gira em volta de Dom Cobb (Leonardo DiCaprio), um extrator de segredos. Em outras palavras, pode-se chamá-lo de ladrão. Mas não um ladrão qualquer; um criminoso cuja área de trabalho são os sonhos. Nós não podemos tocar num sonho e certamente também não podemos senti-los. Simplesmente fechamos os olhos e caímos de cabeça no cenário criado ou relembrado pelo nosso cérebro. E se nós pudéssemos compartilhar um sonho com outra pessoa, ou melhor, com várias pessoas? É ao redor desse conceito que o filme funciona.




E é justamente nesse ponto que o filme trabalha a mente do espectador. Dom trabalha no ramo dos sonhos com o intuito de invadir a mente de um sujeito e através dela extrair seus segredos, como por exemplo, a senha de uma conta bancária, ou a senha que destranque um cofre, etc. O problema é que a imagem da sua mulher sempre aparece para atrapalhar seus planos; atormentado pela culpa de sua morte, ela permanece viva dentro do seu subconsciente.




Para piorar a situação, um magnata empresário encosta Dom contra a parede e lhe oferece uma proposta de trabalho. A grande dificuldade: ao invés de roubar uma ideia, Cobb terá que implantá-la na mente de um indivíduo. Sabendo dos riscos que isso implica no consciente de uma pessoa, ele aceita a oferta e em troca terá passagem livre para voltar para casa e reencontrar seus filhos. Ele monta sua equipe e juntos arquitetam um plano: um sonho por cima de outro sonho e mais outro, dividindo assim a cena do crime entre três níveis.




Mas como é de se esperar, nem todo crime é cheio de facilidades. Quando entram no sonho da vítima, descobrem que ela possui uma segurança do subconsciente: homens armados até os dentes prontos para matar os invasores. Igualmente quando nossos anticorpos reagem na presença de uma bactéria. Eu falei que era um filme que mexia com a imaginação...




Cenas repletas de ação, ótimas atuações, trilha sonora na medida certa, edição bem feita e, como é de se esperar de um filme de Chris Nolan, um roteiro formidável. Nolan superou-se outra vez. E espero que agora ele leve um oscar.




A Origem é mais um filme para guardar na lembrança... ou, será que devo dizer, nos meus sonhos?


Trailer:




video

sábado, 7 de agosto de 2010

Percy Jackson e o Ladrão de Raios






A curiosidade sempre bate mais forte quando lançam um filme baseado em uma obra literária. Principalmente se este for um livro que você já tenha lido. Grandes adaptações já foram feitas e continuam surgindo ano após ano, e eu vou tentando acompanhar cada uma das quais me chamam a atenção.


Esta semana assisti ao filme "Percy Jackson e o Ladrão de Raios", adaptação da obra de Rick Riordan. E agora iremos, leitor(a), para uma questão que assola a maioria dos leitores e espectadores: por que grande parte dos filmes não correspondem à altura com relação às obras que os inspiraram? Sim, porque por mais que o filme seja bom, quase nunca chega aos pés da história original. Éragon, até onde sei, foi um fracasso. O Caçador de Pipas chegou bem perto de ser totalmente fiel ao livro. O Senhor dos Anéis filme, na minha opinião, é bem superior ao livro, cuja leitura é bastante cansativa. O Código Da Vinci foi fiel em vários aspectos, diferente de Anjos e Demônios, cuja versão cinematográfica foi um pouco deturpada em certos detalhes. Harry Potter, embora nos últimos anos tenha tido adaptações muito boas, é uma saga que deixa escapar muitos acontecimentos.


Não sei o que se passa na cabeça do diretor e do roteirista na pré-produção do filme, mas eles devem saber que determinadas alterações irritam aquele espectador que espera ver a cena que tanto imaginou na hora da leitura. E muitas empresas da indústria hollywoodiana enfatizam a mesma resposta: não dá para exibir 300 páginas em apenas duas horas. Eu posso estar sendo injusto, até por ser leigo no que se diz respeito à produção cinematográfica, só que essa é a verdade que se abate nas pessoas que se decepcionam.


Com Percy Jackson isso não é diferente. Aliás, o roteirista pisou feio na jaca... Fiquei na dúvida se falaria sobre o livro ou filme, mas como basicamente os dois possuem o mesmo enredo, vou misturar ambos. O Ladrão de Raios conta a história de Percy Jackson, narrador-personagem, garoto de 12 anos que sofre de dislexia e síndrome de déficit de atenção. Primeiro Erro do Filme: além do protagonista não narrar a história, o ator que o encarna, Logan Lerman, não é nada parecido com alguém que esteja iniciando a fase da pré-adolescência, pelo contrário; parece que já saiu da puberdade. Qual o problema? Simples. Se houver continuações, os atores já estarão velhos demais.


Percy mora com a mãe no subúrbio de Nova York. Vivem na companhia de seu padrasto, Gabe, que só pensa em comer e beber. Na escola é sempre acompanhado por seu amigo Grover, e no início do ano passa a ser atazanado pela professora que mais o odeia, senhora Dodds. Em uma visita ao museu da cidade, senhora Dodds ataca o garoto, transformando-se num monstro com asas. E é aí que a vida de Percy se complica de vez. Sem saber o tamanho do perigo que está correndo, ele sai da cidade com a ajuda de Grover e sua mãe rumo ao Acampamento Meio-Sangue. Até que no meio do caminho são atacados por outro monstro: o Minotauro. Segundo Erro do Filme: No livro, a entrada do Acampamento fica no alto de um morro, ao lado de uma árvore que é essencial para a história. Como no filme isso não é mostrado, a história de Thalia, filha de Zeus, fica totalmente ausente. Também esqueceram de dizer o que é a Névoa, algo tão essencial quanto. Pisaram na bola...


No Acampamento Meio Sangue, Percy descobre que Grover é na verdade um sátiro, meio-homem e meio-bode, e que estava ao seu lado o tempo todo para protegê-lo. E descobre, principalmente, a verdadeira identidade de seu pai: Poseidon. Percy Jackson é um semideus, e o acampamento é o local perfeito para pessoas como ele treinarem suas habilidades e ficarem protegidas dos monstros espalhados pelo mundo. Terceiro Erro do Filme: Esse é cruel. No livro, existem 12 chalés, um correspondente a cada deus olimpiano, e o filme só mostra o chalé de Percy. Mas isso é o de menos. O que doeu mais foi a ausência das personagens Clarissa e Oráculo. A primeira porque é uma personagem primordial para o segundo filme (caso venha a ter), portanto já deveria ter aparecido aqui. A segunda porque é ela quem faz as profecias, que no livro é uma passagem importante.


No acampamento Percy faz amigos, como Annabeth, filha de Athena; Luke, filho de Hermes; e Quíron, o centauro. O problema é que o clima está pesado. Os deuses estão prestes a entrar em guerra, pois o raio-mestre de Zeus, a arma mais poderosa do universo, foi roubada bem debaixo do seu nariz. Apenas um semideus poderia ter roubado o raio... E a culpa cai em Percy. Com o objetivo de provar sua inocência, o jovem herói, acompanhado por Grover e Annabeth, sai em uma jornada em busca do raio. Se o raio não for recuperado até o sostício de verão, será o fim dos tempos. Quarto Erro do Filme: A ausência do boné da invisibilidade, objeto não só importante nesse livro como nos demais também; A ausência do deus da guerra, Ares, que no livro tenta arquitetar a grande guerra, usando Percy como instigador.


O trio segue jornada encontrando vários inimigos pelo caminho, entre eles a Medusa. Eles acabam tendo que ir até o Mundo Inferior, na esperança de que Hades saiba onde o raio se encontra. Assim que o raio é encontrado de maneira surpreendente (pelo menos no livro), eles voltam ao mundo normal e entregam o raio na mão do próprio Zeus. Quinto Erro do Filme: Essa foi a pior falha de todas. Eu até entendo que seja normal acrescentar personagens que não estão no livro, MAS DEIXAR DE MENCIONAR O VERDADEIRO VILÃO DA HISTÓRIA É IMPERDOÁVEL! Atenção: não é spoiler, é um esclarecimento. Cronos, Senhor dos Titãs, pai do Tempo, estava tentando se reerguer do Tártaro e tomar o Olimpo de volta para si, destruindo assim todos os deuses. Por isso que ele mandou que o raio fosse roubado. Para tomar seu poder de volta. Ele sim é o VERDADEIRO culpado. Espero que o segundo filme, o Mar de Monstros, seja bem mais fiel à sua obra.


Apesar de todos esses erros, a história de Percy Jackson é muito boa. Para quem se interessar pelo filme, sugiro que leia o livro para ter uma compreensão maior do universo mitológico. Você aprende bastante mesmo. E é isso que vale a pena.