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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Thor: Ragnarok


Há um ditado que diz que não se deve mexer em time que está ganhando. Deve ser pensando dessa forma que o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, estrutura os filmes dos heróis da Casa das Ideias. Afinal, a “fórmula Marvel” sempre deu certo, agrada o público de todas as idades e com certeza passará longe de um dia ser sombria.

No caso de Thor: Ragnarok, assim como ocorre em Guardiões da Galáxia, a fórmula entrega novas nuances e se declara, sem nem um pouco de vergonha, como uma comédia. O que, de certa maneira, já é muita coisa, pois nos filmes anteriores do Deus do Trovão era claro que o herói ficava transitando entre o drama e o cômico, sem saber exatamente qual dos terrenos seria mais fértil. Porém, assumir-se como uma obra humorística é suficiente para manter um filme desse gênero e escala?


Ragnarok começa com Thor (Chris Hemsworth) no meio de uma jornada e logo nos segundos iniciais o diretor Taika Waititi demonstra o tom irreverente e despreocupado do longa. Ao retornar para Asgard, Thor percebe que a rotina e o governo perderam o controle sob o comando de Loki (Tom Hiddleston), o que faz com que os irmãos procurem o verdadeiro Odin e, consequentemente, deem de cara com a vilã Hela (Cate Blanchett). 


No momento em que surge, Hela, a deusa da morte, já mostra seu poder. Seu objetivo é tomar o trono de Asgard e fazer com que todos se ajoelhem diante da sua imagem. Destaque para as cenas em que ela luta (um show de lâminas voadoras), cuja coreografia de combate é até digna de respeito. Entretanto, existem detalhes desagradáveis que prejudicam a narrativa e eles não podem passar despercebidos.


Ragnarok deveria representar o fim dos tempos dos nórdicos e isso subentende ao menos um tom que exigisse certa seriedade, mas Taika Waititi – experiente em comédias – foge completamente dessa vertente. A trama sequer consegue trazer emoção em situações de perda e o pior vai além: a despreocupação é tamanha que os filmes anteriores são ignorados. Thor não tinha saído em busca das Joias do Infinito? Uma informação importante como essa, que tem relevância dentro do Universo Cinematográfico da Marvel, precisava ser resolvida em apenas uma frase? Era necessário que determinados personagens morressem tão rápido? É quase uma falta de respeito com o fã e o espectador. 


Outra coisa que incomoda o andamento do enredo é a montagem. Em aproximadamente 15 minutos de filme Thor já está em Sakkar, local onde se reencontra com Hulk/Bruce Banner (Mark Ruffalo) e duela em uma arena com o Gigante Esmeralda (cena que remete à famosa HQ Planeta Hulk). Um tempo considerável da exibição é dedicado a mostrar Thor estagnado em Sakkar, e embora o público seja apresentado a novos personagens, como a Valquíria e o Grão Mestre – e o ambiente em si seja uma homenagem a Jack Kirby – o núcleo que acaba sendo mais interessante é o de Hela em Asgard, e este infelizmente é pouco explorado e a vilã, para variar, mal aproveitada. E se o espectador parar para analisar as piadas desnecessárias, o roteiro escorrega ladeira abaixo.


Todavia, nem tudo é desastre em Thor: Ragnarok. Chris Hemsworth encontrou-se como um ator de comédia e o personagem em si sofre transformações significativas: perde o martelo, o cabelo é cortado, sem mencionar o fato do que acontece na batalha final. Essas etapas ajudaram a dar mais camadas a um Thor que sempre pareceu meio perdido. Ragnarok poderia ter se espelhado mais em Guardiões da Galáxia, que apesar de ser cômico, sabe explorar os momentos de emoção. O time pode até continuar ganhando, mas isso não significa que ele esteja organizado e desempenhando a função com a mesma eficácia de antes. Cuidado para não cair, Marvel. Desta vez foi por pouco. 

Trailer:


sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Planeta dos Macacos: A Guerra


Macacos lutam apenas para sobreviver”.

É admirável que hoje em dia algumas franquias ainda pensem no formato de trilogia como um bom suporte para desenvolver suas histórias. Enredos com princípio, meio e fim, que encerram um ciclo sem necessariamente deixar explícito que há mais por vir. Não é o caso de muitos dos filmes que se vê na atualidade, que buscam cada vez mais lucro nas continuações, mas Planeta dos Macacos não é uma obra qualquer.

A franquia foi reiniciada em 2011 e já era possível observar, apesar de ser apenas um filme de origem, todo o potencial que a história possuía. No primeiro contato que o público teve com César (Andy Serkis) foi visto que o macaco queria somente liberdade, longe da tirania dos humanos. No segundo filme, é visto um César líder, que conseguiu construir uma sociedade de primatas e sofre com a sórdida traição de Koba. Planeta dos Macacos: A Guerra surge para encerrar um ciclo e curiosamente não faz uma ponte com o filme original de 1968.


Depois de toda a confusão que Koba causou em O Confronto, um exército, comandado pelo Coronel interpretado por Woody Harrelson, iniciou uma caçada aos símios. César montou uma resistência na floresta a fim de se esconder dos humanos, porém nada dura para sempre e a cena de abertura, que por sinal é maravilhosa, já deixa isso claro. A partir daí o espectador acompanha a surpreendente transformação de César em sua busca por vingança, e é essa construção que movimenta a trama.   


Planeta dos Macacos: A Guerra é emocionante e fenomenal em vários sentidos. Matt Reeves, também diretor do anterior, dirige com autonomia e prazer, e sua competência é bastante notável nas cenas sentimentais e também nas batalhas (a câmera se movimenta com delicadeza em meio ao caos). A trilha sonora de Michael Giacchino é lânguida e grandiosa nos momentos necessários, transparecendo o clima épico e conclusivo que o filme carrega em seu cerne.


Embora tenha o nome “guerra” no título, Matt Reeves foi ousado ao investir em outros aspectos, pois o foco central é bem diferente do que se espera ver em um filme de ação. A emoção é o alicerce do primoroso roteiro e ela se divide em subtramas que não prejudicam a narrativa, e sim ajudam o público a se envolver mais profundamente com os personagens. É o caso de Macaco Mau e Nova, sendo o primeiro usado como alívio cômico em uma medida ponderada. O enredo também tem suporte nos relacionamentos e existe uma cena tocante em que os macacos demonstram sua lealdade para com César, transformando-o em uma figura quase bíblica. 


Diante de tantos elogios, não há como esquecer a computação gráfica. A franquia se superou de tal forma que em determinadas cenas parece que a produção usou macacos de verdade. No entanto, a atuação de Andy Serkis merece um destaque singular; ele conseguiu exprimir todo o drama que César vivenciou ao longo do filme e isso tudo não mais por captura de movimento, mas agora com a captura da performance completa do ator. O que está faltando para ele ser indicado ao Oscar?


Com Planeta dos Macacos: A Guerra, a franquia dos símios é forte candidata a entrar para o tão desejado olimpo das trilogias memoráveis e monumentais, assim como foi com O Poderoso Chefão, De Volta Para o Futuro, O Senhor dos Anéis e Batman – O Cavaleiro das Trevas. A jornada de César foi linda e magnífica, e certamente é digna de merecer tal classificação. E assim como o original de 68, é uma obra para ficar marcada na história. 


Trailer: 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

2017.2 vem aí!



Mais um semestre se passou, revelando que 2017.1 trouxe coisas boas e também algumas decepções (esperadas, em certos casos). O limiar de um novo semestre traz consigo promessas renovadas, e 2017.2, em particular, virá com produções que podem mudar o futuro de algumas franquias cinematográficas. Portanto, pegue a pipoca e faça sua aposta de quem vai se sair melhor, pois a lista é grande e vem chegando grandes coisas por aí. Bom, o que já se pode adiantar é uma certeza: está na hora dos Jedi acabarem.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar 




Transformers: O Último Cavaleiro 




Dundirk:




Carros 3:



Planeta dos Macacos - A Guerra: 



A Torre Negra: 




Valerian e a Cidade dos Mil Planetas:



Atômica:



Kingsman: O Círculo Dourado



It: A Coisa 



Thor: Ragnarok



Liga da Justiça



Star Wars: Os Últimos Jedi 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Mulher-Maravilha


Sou Diana de Themyscira, filha de Hipólita. Em nome de tudo que é bom, sua ira sobre este mundo acabou”.

Os estudiosos do cinema gostam de dizer que um filme é um registro do seu tempo. A primeira aventura de Diane Prince nos quadrinhos foi em 1942, estreando uma mulher no papel de super-heroína. Apenas em 2017, 75 anos depois, a personagem ganha seu primeiro filme solo nos cinemas, realizando um feito que talvez em décadas passadas não fosse possível: conquistar o carinho, admiração e respeito do público.

Ao que parece, Mulher-Maravilha, assim como ocorreu nos quadrinhos, veio para trazer inovação ao calejado universo cinematográfico da DC. Após a Warner receber muitas reclamações dos fãs em 2016 com a recepção nada amistosa de Batman vs. Superman e Esquadrão Suicida, o estúdio estava precisando de elogios. Pode ter sido a entrada de Geoff Johns, o novo produtor executivo, ou o talento nato de Patty Jenkins, diretora do longa, mas o fato é que o quarto filme deste universo revela que os cinéfilos podem ficar tranquilos.


O enredo está situado no período da Primeira Guerra Mundial. O avião do soldado Steve Trevor (Chris Pine – ótima atuação) cai nas imediações da Ilha Paraíso, local onde Diana (Gal Gadot), sua mãe e o restante das Amazonas vivem. Ele as alerta que está em missão para dar um fim à guerra e seu discurso comove Diana; tendo sido treinada desde criança para o combate, ela enxerga no homem a oportunidade de lutar pelos mais fracos e se provar como guerreira. 


Ambos partem para Londres e Diana suspeita que a guerra seja obra de Ares, antigo inimigo das Amazonas. Ela segue em direção ao conflito, ao lado dos amigos de Trevor, na esperança de que a morte de Ares seja a solução para o fim da barbárie. E é este um dos aspectos fabulosos do roteiro; a inocência de Diana e sua vontade de praticar o bem em contraste com o ambiente desolador e caótico da batalha. Esse impacto de realidade rende à trama bons diálogos e cenas instigantes, como a primeira vez que o espectador vê a heroína devidamente caracterizada. A fotografia também acompanha a seriedade da narrativa, ficando mais densa à medida que o drama se intensifica.


O roteiro também sabe explorar o restante dos personagens, especialmente os coadjuvantes. Steve Trevor e seus amigos mostram irreverência e, de acordo com as situações, nuances distintas, tornando-os mais cativantes e úteis para a história. A boa escalação do elenco, infelizmente, traz pontos negativos: 1) o desejo de querer sabe um pouco mais sobre eles; 2) o filme peca naquilo que aflige a maioria das produções de heróis da atualidade: o péssimo aproveitamento dos vilões.  


Embora fique claro que Gal Gadot precise de mais aulas de atuação, o esforço que ela faz para dar vida à Diana é digno. Os momentos em que ela interage com Chris Pine trazem leveza e harmonia e o filme transmite a ideia de um time, em que a ajuda é mútua, sem que um necessite se sobrepor ao outro. 

O que desequilibra, ainda que não seja algo tão grave, o clima de Mulher-Maravilha é o seu final, que lembra bastante o terceiro ato de Batman vs. Superman e inclusive parece ter sido dirigido pelo próprio Zack Snyder. Patty Jenkins é uma diretora que sabe desenvolver personagens femininas, porém aqui demonstra que precisa aprender um pouco mais sobre cenas de ação. Fora isso, Mulher-Maravilha é um marco para os filmes de heróis e veio no tempo certo, aumentando a expectativa para Liga da Justiça. A era da esperança chegou para a DC.   


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terça-feira, 23 de maio de 2017

Rogue One: Uma História Star Wars


Rebeliões são construídas na esperança”.

Quando os créditos iniciais de Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança aparecem na tela, o espectador tem a informação de que um grupo de rebeldes roubou os planos da Estrela da Morte – a arma destruidora de planetas do Império – e os enviou para a Princesa Leia (Carrie Fisher), uma das principais integrantes da Aliança Rebelde.

A informação, apesar de singela, serviu de escopo para a construção do enredo do primeiro spin-off da franquia Star Wars. Rogue One: Uma História Star Wars se situa alguns anos depois de Anakin Skywalker se tornar Darth Vader e dos Jedi terem sido caçados. Portanto, a época perfeita para o Império mostrar a toda galáxia o alcance do seu poder bélico.


Jyn Erso (Felicity Jones) desde cedo conheceu a crueldade dos asseclas do Imperador. Ainda criança viu seu pai, Galen Erso, ser levado pelo Diretor Krennic para a conclusão da Estrela da Morte e foi criada por Saw Guerrera (Forest Whitaker), antigo herói das Guerras Clônicas.  Anos se passam e a Aliança Rebelde entra em contato com a jovem a fim de descobrir o paradeiro de seu pai e obter dados a respeito da misteriosa nova arma do Império. 


Ao lado de Cassian (Diego Luna) e o dróide K-2SO, Jyn adentra em uma jornada investigativa repleta de fan service e easter eggs para os fãs mais saudosistas. O diretor Gareth Edwards (responsável pelo mais recente Godzilla) teve a intenção de fazer o filme mais diferente de toda a franquia, atribuindo a Star Wars um teor dramático de guerra. E ele conseguiu atingir o objetivo, conduzindo as cenas de conflito com maestria (O terceiro ato, tanto na batalha terrena quanto na espacial, é épico e lindo).


Edwards soube equilibrar muito bem a composição visual da obra, seja nas cenas envolvendo proporções (a nave imperial sobrevoando Jedha, por exemplo), quanto no ponto de vista de quem é o alvo da Estrela da Morte. Nessa perspectiva, a trilha sonora e os efeitos visuais contribuíram para a imersão e é possível acompanhar com mais veracidade a aflição que os personagens sentem. 


A falha de Rogue One talvez seja não ter aprofundado os personagens principais, cujas interações demonstram um aspecto cativante, mas não sai da superficialidade. K-2SO, e todo seu humor sarcástico, e Chirrut Imwe, que acredita na Força como um poder espiritual, são os únicos que escapam um pouco disso. Contudo, é impossível não citar Darth Vader; com somente duas pequenas participações, o lendário Lorde Sith relembra ao público o que é capaz de fazer. É de tirar o fôlego.

Rogue One: Uma História Star Wars faz uma ponte perfeita com Uma Nova Esperança e esclarece indagações que os fãs tiveram durante quase quatro décadas. Os cinco minutos finais são sublimes, revelando o potencial que a Disney tem a oferecer para Star Wars agora que George Lucas somente assiste na arquibancada. É uma árvore ancestral mostrando que ainda pode aprofundar suas raízes, atingir mais pessoas e, sobretudo, provando que novos frutos podem ser tão bons quanto os antigos.  



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segunda-feira, 8 de maio de 2017

Guardiões da Galáxia Vol. 2


Às vezes, o que procuramos a vida toda sempre esteve ao nosso lado”.

Quando Kevin Feige, presidente da Marvel Studios e responsável pela criação do universo cinematográfico da Marvel, anunciou os filmes que iriam compor a Fase 3, os fãs ficaram ansiosos pelo retorno do grupo intergaláctico que conquistou o público em 2014. De fato, Guardiões da Galáxia foi um sucesso estrondoso e era de se esperar que a continuação viesse com força total.

Guardiões da Galáxia Vol. 2 é, de longe, o filme mais cômico e insano da Marvel. Dirigido e roteirizado novamente por James Gun, a proposta do diretor era usar os elementos que fizeram o primeiro longa ser tão divertido e elevá-los a outro patamar. E, nesse sentido, o objetivo foi alcançado com proeza.


Depois de terem salvado a galáxia uma vez, o grupo liderado pelo Senhor das Estrelas (Chris Pratt) presta serviços ao troco de recompensas para civilizações ao longo do universo. Assim que uma negociação com os Soberanos não acaba bem, Peter Quill e seus amigos recebem o auxílio de um indivíduo e sua ajudante, Mantis. O sujeito se apresenta como Ego (Kurt Russel), e revela ser o pai de Peter. 


A relação entre a equipe foi um dos pontos fortes do filme anterior. Se lá a intenção era construir a amizade entre os integrantes, aqui é consolidar o conceito de família; e isso é exemplificado inclusive nas cenas de discussão. O embate de Gamora (Zoe Saldana) e sua irmã, o nascimento de um vínculo entre Peter e seu pai, o desejo de aceitação de Rocket (voz original de Bradley Cooper), a tocante interação de Drax (Dave Bautista) com Mantis, a dramática jornada de Yondu (Michael Rooker); são apenas algumas camadas que ajudaram a aprofundar os personagens e a exibir suas novas facetas.


E é quase impossível descrever o enredo da produção sem citar Awesome Mix Vol. 2, que brilha de tal forma que mais parece um personagem invisível, mas sem perder a elegância e o prestígio. A cena de abertura com Groot (voz original de Vin Diesel), ao som de Mr. Blue Sky, é uma prova formidável disso. E a trilha sonora acompanha as nuances que se desenrolam no decorrer do filme, encerrando de modo comovente com Father & Son, de Cat Stevens. 


No entanto, Guardiões da Galáxia Vol. 2, assim como outros filmes da Marvel, apresenta falhas narrativas. A presença de duas ameaças faz com que o peso seja dividido, transformando o clímax em uma grande mistura de explosão de cores, o que pode ser confuso para alguns espectadores. E embora não seja consideravelmente prejudicial, o segundo ato explicativo faz o ritmo enfraquecer um pouco.

Apesar de ser independente e não fazer menção a outros filmes da Marvel, Guardiões da Galáxia Vol. 2 expande o universo cósmico e faz algumas promessas para o terceiro capítulo; isso sem mencionar a participação de Sylvester Stallone e uma pequena brecha (quase imperceptível) para Vingadores: Guerra Infinita. Sim, Peter Quill e Cia. irão se unir à trupe do Homem de Ferro, um encontro esperado há muito tempo. Chegou a hora de ver todo o quebra-cabeça da Marvel montado. Resta saber se as peças vão se encaixar como devem.  



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sexta-feira, 10 de março de 2017

Logan


É assim que a vida deve ser. Pessoas que se amam... Um lar... Sinta isso. Logan, você ainda tem tempo”.

No ano 2000, o diretor Bryan Singer lançou X-Men, primeiro filme da franquia dos mutantes no cinema. Naquela época, tratava-se apenas de uma obra comum, alternativa, sem grandes ambições. No entanto, à medida que o tempo passou, o gênero foi ganhando mais espaço e força em Hollywood, e hoje esta categoria é simplesmente uma das mais lucrativas da indústria da sétima arte.

Enfim, 17 anos depois que os Filhos do Átomo estrearam no mundo cinematográfico, chega Logan, colocando não somente um ponto final na jornada do mutante mais famoso e violento de todos, como também é o epílogo da encarnação de Hugh Jackman como Wolverine. E a despedida é digna de honra.


Em 2029, em um mundo em que não nascem mais mutantes e que os X-Men deixaram de existir, Logan (Hugh Jackman) é um herói aposentado e ganha a vida como motorista de uma limusine. Nas horas vagas, sua função é cuidar de um bastante idoso e debilitado professor Xavier (Patrick Stewart), cuja mente não é mais a mesma. 


A rotina de ambos muda com a chegada de Laura (Dafne Keen, incrivelmente talentosa), uma menina misteriosa que está sendo caçada por Donald Pierce (Boyd Holdbrook) e seu grupo de ciborgues, os Carniceiros. Logan é forçado a voltar à ação e a encarar dores do passado.

E é exatamente sobre drama que Logan se trata. Essa era a intenção principal do diretor James Mangold (também diretor de Wolverine – Imortal), que se inspirou levemente na HQ Old Man Logan e, além disso, trouxe elementos de faroeste para compor o último capítulo da história do Carcaju. A estética do filme, desde a fotografia aos cenários e maquiagem, representa um tom melancólico e sem vida, fortalecendo a ideia de que Logan não é uma narrativa super-heroica, e sim um drama de alguém que teve uma vida repleta de sofrimento.


O clima de tristeza é enaltecido com as belíssimas atuações de Hugh Jackman e Patrick Stewart, e será um grande equívoco se elas passarem despercebidas pelas premiações da próxima temporada. A dupla funciona com harmonia e é comovente de ver em dados momentos como a ideia de família é implantada. Porém, outra coisa que chama a atenção em Logan é a classificação indicativa. 


Assim como aconteceu com Deadpool, a obra é para maiores de idade e este recurso é usado com sabedoria nas cenas de ação. Logan não poupa no sangue e na violência, mas a carnificina não é gratuita; a brutalidade é apenas um reflexo da jornada selvagem e infeliz que Wolverine teve. E Jackman se entregou totalmente, pois sua dedicação é perceptível mesmo com todo o corpo ensanguentado.  

Logan é de fato o encerramento de um ciclo que durou 17 anos. Se em 2000 X-Men foi o marco para o retorno dos heróis no cinema, agora Logan é o divisor de águas para repensar a fórmula de como retratar este gênero. É a consagração que a Fox tanto necessitava, equiparando-se ao patamar atingido por Batman – O Cavaleiro das Trevas e Capitão América 2 – O Soldado Invernal. Um enredo definitivo, uma despedida emocionante e uma sensação de gratidão. E, como o próprio Hugh Jackman falou em entrevistas, uma verdadeira e sincera carta de amor aos fãs.



"Um homem tem que ser aquilo que ele é, Joey. Não pode quebrar o molde. Eu tentei e não funcionou comigo. Não tem como viver com um assassinato. Não tem como voltar de uma morte. Certo ou errado, é uma marca. Marcas ficam. Não há como voltar. Agora, corra até sua mãe e lhe diga... diga que está tudo bem. E que não há mais nenhuma arma de fogo no vale". 

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Animais Fantásticos e Onde Habitam


Vamos recuperar minhas criaturas antes que se machuquem. Elas estão atualmente em terreno alheio, rodeadas por milhões das mais ferozes criaturas do planeta: humanos”.

O conceito de prequel ou spin-off não é novidade no cinema. O público já se deparou com filmes nesta vertente e, provavelmente, em alguns casos, sequer notou a que se tratava. São histórias derivadas de grandes obras, que podem ou não ter ligação com o original. É essa a condição de O Hobbit, prelúdio de O Senhor dos Anéis, e Rogue One: Uma História Star Wars, spin-off que ocorre entre os Episódios III e IV da epopeia dos Cavaleiros Jedi.

Animais Fantásticos e Onde Habitam se enquadra nesse perfil por se passar no mesmo universo de Harry Potter. Mais precisamente, 70 anos antes de o Menino Que Sobreviveu descobrir que era o bruxo mais famoso do século e ingressar na Escola de Magia de Hogwarts. Dirigido por David Yates, responsável pelos últimos quatro filmes da saga Potter, e roteirizado pela própria J.K. Rowling, o longa tem como intuito expandir o mundo mágico que encantou – e ainda encanta – gerações.


No ano de 1926, o jovem Newt Scamander (Eddie Redmayne) chega à cidade de Nova York com uma mala repleta de criaturas mágicas. Para infelicidade do bruxo europeu, os animais começam a escapar de sua maleta e ele embarcará em uma jornada para resgatá-los com a ajuda dos novos amigos, a ex-auror Tina (Katherine Waterston), a legilimente Queenie (Alison Sudol) e o trouxa Jacob (Dan Fogler). 


Porém, não apenas de caçar bichos o enredo se resume. Rowling não dá ponto sem nó. O Congresso Mágico dos Estados Unidos (MACUSA, no inglês) investiga misteriosos ataques que podem ter ligação com o bruxo das trevas Grindelwald. É preciso ter muita cautela para impedir que uma guerra entre bruxos e trouxas aconteça.


Yates conduz a trama de modo sutil, uma vez que há anos se sente confortável dentro do ambiente mágico. Os animais criados por computação gráfica são esplêndidos e carismáticos, e se revelam como uma narrativa secundária. A cena dentro da maleta de Newt, por exemplo, mostra toda a exuberância das criaturas e resgata a formosura da magia da saga Potter. 


A escolha pelo quarteto de atores principais, especialmente Redmayne e Waterston, foi formidável. O ganhador do Oscar constrói em Scamander o típico caráter de nerd e desajeitado, configurando uma bela harmonia com Tina. A emoção no olhar de ambos faz o espectador mergulhar com mais veemência no drama do roteiro. Ainda que o núcleo de Credence (Ezra Miller) seja misterioso demais ao ponto de prejudicar o andamento do filme, fica a impressão de que sua participação não parou por aqui.


Animais Fantásticos e Onde Habitam, nome do livro que Newt escreveu e que se tornou material didático em Hogwarts, promete uma expansão significativa, madura e poderosa no universo de Harry Potter. Serão cinco filmes ao todo, e a ideia é que tudo culmine no grande evento ocorrido em 1945. Para o fã que se sentiu maravilhado com Harry Potter e a Pedra Filosofal, quando a jornada do menino-bruxo começou, certamente terá sua nostalgia duplicada no momento em que aquele familiar mundo mágico ressurgir. É um fascínio impossível de perder. 


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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Doutor Estranho


E se eu lhe dissesse que a realidade que você conhece é apenas uma de muitas?”.

O universo cinematográfico da Marvel já apresentou de tudo um pouco. Homens que encolhem, equipe espacial, deuses, príncipes africanos, super soldados. A lista é grande e a tendência é que aumente no decorrer dos anos. E é no décimo quarto filme da empresa que o público é finalmente apresentado ao neourocirurgião Stephen Strange (Benedict Cumberbatch).

Doutor Estranho cumpre bem com a função de contar uma história de origem. O filme tem início com a apresentação do vilão, Kaecilius, que rouba as páginas de um livro misterioso. Em seguida o enredo abre alas para Cumberbatch brilhar como o arrogante médico, que nos minutos iniciais já deixa claro seu conturbado relacionamento com Christine Palmer (Rachel McAdams) e seu primoroso talento com as mãos.  


Após um acidente em que suas mãos são gravemente feridas, Strange inicia sua busca por cura. Sua caçada o leva para Kamar-Taj, local onde conhece a Anciã (Tilda Swinton) e Mordo (Chiwetel Ejiofor). Ambos lhe ensinam o poder das artes místicas, a existência de multiversos e até a projeção astral. Porém, também existe um lugar chamado Dimensão Negra, ambiente comandado por Dormammu, a quem Kaecilius obedece. Cabe a Strange, com o auxílio do Olho de Agamotto, e seus amigos a tarefa de defender o plano espiritual da Terra.


Dirigido por Scott Derrickson (de O Exorcismo de Emily Rose e A Entidade), Doutor Estranho possui aspectos que o distanciam de outros filmes da Marvel. A começar pelas cenas de ação que distorcem a realidade, bem típico de Matrix e A Origem, e que são imprescindíveis que sejam assistidas em 3D. A obra também tem um drama peculiar – e que, como é de se esperar da Marvel, não é aprofundado – e talvez seja, depois de Capitão América: Guerra Civil, o filme mais sangrento da Casa das Ideias.


Infelizmente, Doutor Estranho falha naquilo que a Marvel tem de pior: o desenvolvimento de personagens e, por conseguinte, um vilão que não fornece medo e autoridade. Neste caso, o erro é ainda mais monumental por ser composto por um elenco de peso. Rachel McAdams é uma excelente atriz e sua função se resume somente a ficar assustada.  


O roteiro também não escapa da maldição. O segundo ato praticamente inteiro é situado em uma cena de ação, ocupando um tempo que poderia ser preenchido com detalhes que poderiam fortalecer a trama. A narrativa apressada também não esclarece quanto tempo Strange passou procurando por cura, e por se tratar de um universo compartilhado, isso pode trazer incoerências.

Apesar das imperfeições, o longa, como já dito anteriormente, traz uma ação formidável e um destaque interessante para o Manto da Levitação, objeto que foi bem encaixado como alívio cômico. Obviamente, Doutor Estranho faz referências a questões já conhecidas pelo público, como as Joias do Infinito. É a Marvel preparando o terreno para o próximo filme dos Vingadores e despertando a curiosidade dos fãs para um mar de possibilidades que ainda podem vir. 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Sete Homens e Um Destino


Eu procuro justiça. Mas aceito vingança”.

Em 1960 estreava Sete Homens e Um Destino, remake de Os Sete Samurais de Akira Kurosawa. Um típico Velho Oeste que rendeu centenas de elogios e três continuações. Porém, com a onda incessante de remakes que assola Hollywood, parecia óbvio que em algum momento chegaria a vez dos faroestes.

Dirigido por Antoine Fuqua (Dia de Treinamento e O Protetor), o filme, apesar de ser de época, não foge das características básicas de uma refilmagem: tenta criar um laço de empatia do público atual para com a obra. Isso é perceptível desde a variada etnia que compõe o grupo dos sete, à bravura de uma mulher e um clímax com destruição explosiva. 


Quando as pessoas de um vilarejo são atormentadas por um vilão que quer tomar suas terras (Peter Sarsgaard), é preciso pedir a ajuda de pessoas corajosas (ou suicidas) para lutar pelos oprimidos. O líder dessa empreitada é Sam Chisolm (Denzel Washington), que recruta os seis homens restantes.


O roteiro da trama se sustenta na relação entre os sete heróis. Cada qual tem sua origem (há espaço até para um latino e um ocidental), e a interação que eles constroem entre si é divertida de assistir. Infelizmente, se o enredo tivesse se aprofundado neste aspecto, poderia ter rendido uma identificação maior do que ter arrastado com desleixo a segunda parte do filme (no mínimo, teve algo de errado com a edição) até chegar ao seu desfecho. 


É notório que cada um possui uma história pregressa. Um dos personagens, por exemplo, possui visões, pressentimentos, um trauma causado por batalhas antigas. Por que a produção sequer mostra essas visões? E por que não explorar um pouco da gênese de Josh Farraday (Chris Pratt, o palhaço da equipe) e revelar como ele se tornou um malandro?


Antoine Fuqua, ainda que tenha concedido aqui bons enquadramentos e um clímax respeitável, poderia ter aproveitado mais seu elenco de peso – especialmente o vilão – para enriquecer a obra. Fica difícil saber qual é o propósito de Sete Homens e Um Destino, considerando um final que não deixa claro qual o rumo que a história irá tomar. Pode-se dizer que pelo menos valeu a tentativa.    

Trailer:

  

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Esquadrão Suicida


Eu não vou matar você. Só vou lhe deixar muito, muito machucada”.

A construção de uma franquia, ou de um universo cinematográfico, não é algo que se faz da noite para o dia. É preciso tempo para planejar e organizar os mínimos detalhes. Neste quesito, a Marvel tem motivo para se vangloriar; seu universo já está na terceira fase, com planos de continuar até depois de 2020. O mesmo não pode ser dito da DC, a qual tem um mundo recém-estabelecido e que, infelizmente, ainda tem muito que aprender.

Batman vs. Superman: A Origem da Justiça recebeu um amontoado de críticas negativas por ser um filme muito sério, longo, por possuir vários personagens no enredo, e fatos que não são explicados adequadamente. A versão estendida, para felicidade geral, corrige as falhas apresentadas. Era de se esperar que a DC acertasse o tom com Esquadrão Suicida, película que dá continuidade a esse novo universo, mas a sensação confusa permanece a mesma.


Seguindo a cronologia de A Origem da Justiça, Superman está morto e o governo precisa desenvolver uma força tarefa que seja capaz de defender as maiores autoridades do país no caso de surgir uma entidade tão poderosa quanto o Homem de Aço. Amanda Waller (Viola Daves) convence os governantes a porem em prática uma ação que una os piores criminosos para que possam combater as futuras ameaças. 


Os selecionados para compor o time são Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie, um dos pontos altos do filme), Bumerangue, Crocodilo e Diablo. A equipe está sob a supervisão de Rick Flag e Katana, formando então o esquadrão. Se falharem, serão mortos; se tiverem êxito, a pena de cada um será reduzida.


A DC tentou seguir a moda dos filmes leves, prometendo, pelo que era perceptível nos trailers, um enredo irreverente, recheado de piadas, um design gráfico exagerado e uma trilha sonora pop. Esse contraste deve-se à negatividade que caiu sobre Batman vs. Superman e também pelo sucesso de longas como Deadpool e Guardiões da Galáxia. Esses são os pontos positivos de Esquadrão Suicida


Agora vamos para o que o filme errou, o que não é pouca coisa. Assim como ocorreu com Zack Snyder, David Ayer teve a infelicidade de ver seu projeto picotado pela edição. Ordens da produção da Warner, é claro, e tal norma enfraqueceu o roteiro e, consequentemente, todo o potencial que Esquadrão Suicida tinha a conceder. O exemplo disso está no Coringa de Jared Leto; não se pode dar uma opinião conclusiva a respeito da construção que ele deu ao Palhaço do Crime, uma vez que a maioria das cenas em que o personagem aparecia foram excluídas. O próprio ator se revelou insatisfeito e frustrado com os cortes.


A edição prejudica também o andamento da trama, incluindo algumas faixas da trilha sonora. O filme vai bem até a metade, porém tropeça quando entrega a ação, danifica o clímax com uma morte desnecessária e falha drasticamente no desenvolvimento dos personagens – ao ponto de um deles declarar que são uma família, embora a exibição não mostre embasamento algum para tal assertiva. David Ayer, além de dirigir, foi o responsável pelo roteiro. E talvez a culpa seja dele por ter inserido uma vilã tão superficial quanto Magia, que mesmo possuindo poderes sobrenaturais precisa construir uma máquina para destruir a humanidade. Simplesmente não faz sentido. 


Esquadrão Suicida é o típico filme que deveria ter uma classificação etária alta, tendo em vista os personagens insanos que contém. Todavia, o enredo tenta humanizar os vilões de uma maneira que apenas funciona com o Pistoleiro e Diablo; e, de modo inacreditável, essa humanização sobra até para o Coringa, que em vez de ser uma ameaça se mostrou um simples gângster apaixonado por sua amante.


No entanto, da mesma forma que em Batman vs. Superman, Esquadrão Suicida se esforça em fundamentar um universo, trazendo participações de outros heróis da DC e fazendo menções para o que está por vir (cena durante os créditos). A Warner ainda tem tempo de corrigir a algazarra que causou, e os fãs esperam que esse conserto traga mais oportunidades para Jared Leto, Viola Davis e Magot Robbie. O caminho para o triunfo é marcado por erros, e um dia todos ficarão felizes por finalmente reconhecerem que a DC encontrou o rumo certo. 

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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Independence Day: O Ressurgimento


Tivemos vinte anos para nos preparar. Nunca tivemos a mínima chance”.

O cineasta Roland Emmerich é conhecido por gostar de eventos catastróficos, isso tudo porque possui em seu histórico filmes que abordam essa temática, seja por motivos naturais ou até por monstros modificados geneticamente. Mas foi na década de 1990, com Independence Day, que ele conseguiu resgatar e trazer um novo olhar para este gênero, com efeitos visuais que, para a época, eram inovadores.

Desde o início dos anos 2000 que uma sequência era cogitada. E após muita conversa e com a decisão de que Will Smith não retornaria “por ter um cachê alto demais”, Emmerich lança Independence Day: O Ressurgimento, na tentativa de reprisar o sucesso do anterior. E é uma lástima ver que, em termos de qualidade, este é bastante inferior.

O Ressurgimento não escapou do saudosismo que vem tomando conta da indústria do cinema e tem em si a mesma fórmula que Star Wars: O Despertar da Força usou; a união do elenco original com uma nova geração de atores. Vinte anos se passaram desde o primeiro ataque dos alienígenas ao planeta Terra e todo o mundo vive em paz. A ciência está mais moderna, uma vez que foi fundida com tecnologia extraterrestre. 


Um programa de defesa global foi inaugurado para o caso de novos ataques acontecerem, e David (Jeff Goldblum) é o diretor desse projeto. Ele descobre que uma das naves da primeira invasão mandou sinais para outras naves no universo, enquanto os alienígenas presos na área 51 começam a celebrar. É o anúncio do segundo ataque.


Diferente de outros filmes que Roland dirigiu, como O Dia Depois de Amanhã, 2012, e o próprio Independence Day de 1996, O Ressurgimento não sabe explorar seus núcleos, deixando-os rasos e tornando os personagens apáticos. Além de um roteiro escrito por cinco pessoas, a edição do filme também o prejudica, focando mais em cenas pirotécnicas e com demasiada computação gráfica do que no desenvolvimento dos seus protagonistas. 


Como se não fosse o suficiente, situações estapafúrdias são inseridas sem a menor preocupação em deixar o enredo coerente. De repente surge um grupo de crianças, que não se sabe de onde vieram e tampouco quem são seus pais; um cientista que passa vinte anos em coma e desperta como se tivesse dormido apenas um dia; um personagem que passa o filme inteiro servindo de alívio cômico, mas que não acrescenta nada à trama; um final que traz um gancho esdrúxulo... São somente alguns dos exemplos. Fica a impressão (e a esperança) de que em breve uma versão estendida será anunciada para pelo menos amenizar as grandiosas falhas do roteiro.   


O que se salva são poucas características de Emmerich, como as destruições em escalas épicas. O diretor também apela para a mistura de etnias, no intuito de deixar o filme mais comercializável no mercado internacional, e peca ao tentar atingir todos os públicos de uma única vez (há inclusive uma cena gay). Independence Day: O Ressurgimento deixa de lado toda a seriedade que o antecessor trazia para se transformar em um típico filme de diversão, cujo objetivo não vai além de arrancar risadas e encher os olhos com os efeitos especiais.  Tiveram vinte anos para pensarem em uma continuação, e bastou duas horas de exibição para estragarem um clássico. 

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sábado, 18 de junho de 2016

Truque de Mestre: O 2º Ato


Se tem algo em que acredito, é no olho por olho”.

Quando Truque de Mestre estreou em 2013, o filme não tinha grandes ambições e tampouco a pretensão de levar ao público uma reflexão intelectual acerca de mágicas no estilo O Grande Truque. Foi com o suspense e com cenas de ação frenéticas e envolventes que o longa fez sucesso, lucrando quase o triplo do que custou.

E na indústria do cinema lucro é sinônimo de que mais ovos de ouro podem sair desse ganso, e assim surgem franquias e continuações, ainda que indesejáveis. Truque de Mestre: O 2º Ato, desta vez sob a direção de Jon M. Chu, investe na irreverência de seus personagens e traz tantas reviravoltas quanto seu antecessor, porém fica a impressão de que algo no percurso da mágica não funciona como deveria. 


Um ano se passou desde que Os Quatro Cavaleiros descobriram que o inspetor do FBI Dylan Rhodes (Mark Ruffalo) era o mentor misterioso que os orientava em suas práticas de Robin Hood. Seguindo o direcionamento da quase invisível sociedade chamada de “O Olho”, a equipe se organiza para armar seu retorno. No entanto, um novo inimigo surge e os força a realizar um roubo quase impossível.


Em questão de narrativa, o enredo é constituído por diversas surpresas. Não é um demérito; talvez a imprevisibilidade de Truque de Mestre seja seu maior trunfo. O problema é que O 2º Ato desconstrói alguns princípios estabelecidos no primeiro e isso pode desagradar os fãs que foram conquistados em 2013. E, tendo a fórmula das reviravoltas funcionado naquele com eficácia, neste tropeça um pouco por exagerar demais e querer ir além da conta. É preciso estar com os olhos atentos para que o raciocínio não se perca no caminho. 


Apesar dessa sensação de desconforto, o filme é carismático. Tal simpatia é causada pelo excelente elenco, aqui com as adições de Daniel Radcliffe e Lizzy Caplan. Todos os atores transmitem uma sintonia formidável, com uma merecida atenção especial a Woody Harrelson, que mostra nuances peculiares muito interessantes. E sem dúvidas é maravilhoso ver os Quatro Cavaleiros usufruindo de seus pacotes de ilusionismo (destaque para a cena em que todos estão sendo revistados, embora seja surreal).   


A edição também continua rápida no intuito de acompanhar o ritmo com que os eventos se desenrolam, fazendo com que Truque de Mestre: O 2º Ato se assemelhe com o primeiro filme, mesmo que porventura a intenção não fosse essa. O feitiço pode não ter sido tão prestigioso quanto antes, mas sempre existem bons truques que podem impedir a mágica principal de descer pelo ralo. Basta que a magia, neste caso, recupere a artimanha correta.   

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quarta-feira, 8 de junho de 2016

Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos


Se não nos unirmos, nosso mundo perecerá”.

É bastante perceptível que os quadrinhos estão passando por mais uma era de ouro. O objeto que antes era visto com certo preconceito e como motivo para ridicularização hoje é a fonte de origem que leva multidões para o cinema. A sétima arte encontrou no mundo dos heróis um caminho para conquistar novos públicos e gerar renda. Era apenas uma questão de tempo até alguém questionar: será que chegou a hora para os games receberem o mesmo destaque?

Mortal Kombat, Tomb Raider, Sthreet Fighter são somente alguns dos exemplos que fracassaram na década de 1990 para o início de 2000. Infelizmente essas franquias tiveram o azar de terem sido produzidas no tempo inadequado, no qual a cultura nerd não era tão difundida e em que os efeitos especiais ainda não tinham chegado ao seu apogeu. Agora que o avanço tecnológico permite que a criação de mundos fantásticos esteja ao alcance das mãos, não há momento mais propício no qual Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos seja o ponto de partida para que os games ganhem seu espaço.


Azeroth, o mundo fictício de Warcraft, é muito semelhante à Terra-Média de O Senhor dos Anéis, no sentido de que homens, magos, e outras raças como anões e elfos convivem pacificamente, apesar das diferenças. A harmonia de Azeroth é quebrada quando um portal é aberto trazendo parte da Horda de orcs. O mundo em que as criaturas viviam está sucumbindo e eles precisam encontrar um novo lar. 


Durotan é o líder de um dos clãs dos orcs. Ele acredita que seu povo pode viver em paz e quer que sua raça se veja livre da magia ardilosa e funesta de Gul’dan. Por isso decide fazer uma arriscada aliança com os homens a fim de evitar que uma guerra aconteça entre ambas as partes.


Um dos maiores desafios que o gênero fantasia enfrenta é a possibilidade de que nem todos os espectadores sintam empatia pela obra. Essa é a razão que faz com que eles precisem ter uma característica fundamental: a habilidade de saber contar uma história. O Senhor dos Anéis e Avatar de James Cameron, por exemplo, embora sejam filmes longos, sabem aproveitar o tempo que possuem para explorar seus universos, enquanto a Marvel utiliza uma fórmula que agrada todas as faixas etárias. Isso não ocorre em Warcraft e é justamente seu calcanhar de Aquiles. 


O diretor Duncan Jones (de Lunar e Contra o Tempo), nerd de carteirinha, colocou diversas referências que os fãs e jogadores irão identificar com facilidade. Porém, quem não conhece esse universo e tem como único contato o filme, muito provavelmente se sentirá perdido com a velocidade em que os fatos discorrem e com a quantidade de informações sem esclarecimentos aprofundados. O roteiro é superficial e não há tempo para explanar a rica história de Warcraft (Se Azeroth tem sete reinos, quais são eles?), a relação entre os humanos e tampouco a dos orcs (O nome do mundo dos orsc sequer é citado. E qual a origem do fel? Como Gul’dan adquiriu tanto poder?). 


Com a edição repleta de cortes – Jones declarou que cortou 40 minutos de filme –, a trama fica deslocada e até o romance que a produção tenta inserir perde um pouco de sentido. Entretanto, o que pode fazer com que a mitologia tenha mais uma chance são os efeitos visuais. E o espectador que preferir ter a experiência em 3D ficará mais encantado. Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos, com todo o empenho da produção e com o teor épico do enredo, pode dar a introdução para que os games comecem a ser apreciados pelos cinéfilos (Assassin’s Creed vem aí), ou simplesmente fazer com que a maldição dos seus antepassados se repita.