sexta-feira, 16 de junho de 2017

Mulher-Maravilha


Sou Diana de Themyscira, filha de Hipólita. Em nome de tudo que é bom, sua ira sobre este mundo acabou”.

Os estudiosos do cinema gostam de dizer que um filme é um registro do seu tempo. A primeira aventura de Diane Prince nos quadrinhos foi em 1942, estreando uma mulher no papel de super-heroína. Apenas em 2017, 75 anos depois, a personagem ganha seu primeiro filme solo nos cinemas, realizando um feito que talvez em décadas passadas não fosse possível: conquistar o carinho, admiração e respeito do público.

Ao que parece, Mulher-Maravilha, assim como ocorreu nos quadrinhos, veio para trazer inovação ao calejado universo cinematográfico da DC. Após a Warner receber muitas reclamações dos fãs em 2016 com a recepção nada amistosa de Batman vs. Superman e Esquadrão Suicida, o estúdio estava precisando de elogios. Pode ter sido a entrada de Geoff Johns, o novo produtor executivo, ou o talento nato de Patty Jenkins, diretora do longa, mas o fato é que o quarto filme deste universo revela que os cinéfilos podem ficar tranquilos.


O enredo está situado no período da Primeira Guerra Mundial. O avião do soldado Steve Trevor (Chris Pine – ótima atuação) cai nas imediações da Ilha Paraíso, local onde Diana (Gal Gadot), sua mãe e o restante das Amazonas vivem. Ele as alerta que está em missão para dar um fim à guerra e seu discurso comove Diana; tendo sido treinada desde criança para o combate, ela enxerga no homem a oportunidade de lutar pelos mais fracos e se provar como guerreira. 


Ambos partem para Londres e Diana suspeita que a guerra seja obra de Ares, antigo inimigo das Amazonas. Ela segue em direção ao conflito, ao lado dos amigos de Trevor, na esperança de que a morte de Ares seja a solução para o fim da barbárie. E é este um dos aspectos fabulosos do roteiro; a inocência de Diana e sua vontade de praticar o bem em contraste com o ambiente desolador e caótico da batalha. Esse impacto de realidade rende à trama bons diálogos e cenas instigantes, como a primeira vez que o espectador vê a heroína devidamente caracterizada. A fotografia também acompanha a seriedade da narrativa, ficando mais densa à medida que o drama se intensifica.


O roteiro também sabe explorar o restante dos personagens, especialmente os coadjuvantes. Steve Trevor e seus amigos mostram irreverência e, de acordo com as situações, nuances distintas, tornando-os mais cativantes e úteis para a história. A boa escalação do elenco, infelizmente, traz pontos negativos: 1) o desejo de querer sabe um pouco mais sobre eles; 2) o filme peca naquilo que aflige a maioria das produções de heróis da atualidade: o péssimo aproveitamento dos vilões.  


Embora fique claro que Gal Gadot precise de mais aulas de atuação, o esforço que ela faz para dar vida à Diana é digno. Os momentos em que ela interage com Chris Pine trazem leveza e harmonia e o filme transmite a ideia de um time, em que a ajuda é mútua, sem que um necessite se sobrepor ao outro. 

O que desequilibra, ainda que não seja algo tão grave, o clima de Mulher-Maravilha é o seu final, que lembra bastante o terceiro ato de Batman vs. Superman e inclusive parece ter sido dirigido pelo próprio Zack Snyder. Patty Jenkins é uma diretora que sabe desenvolver personagens femininas, porém aqui demonstra que precisa aprender um pouco mais sobre cenas de ação. Fora isso, Mulher-Maravilha é um marco para os filmes de heróis e veio no tempo certo, aumentando a expectativa para Liga da Justiça. A era da esperança chegou para a DC.   


Trailer:

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