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sábado, 30 de maio de 2015

E após cinco anos, fez-se a indagação



“A arte existe porque a vida não basta”, foi o que falou o poeta brasileiro Ferreira Gullar, quando questionado a respeito de suas atividades poéticas. Do outro lado do Atlântico, o filósofo alemão Nietzsche disse certa vez que a arte deve embelezar a vida e, por conseguinte, ela existe para que a cruel realidade não nos destrua. De modo curioso, embora sejam de culturas distintas, ambos conceituaram muito bem algo que salva (e continua salvando) nossas vidas.

A habilidade de parar para apreciar um objeto artístico e cultural, seja sua essência complexa ou simplória, reacionária ou livre de qualquer barreira, é uma maneira de escapar das misérias que afligem a sociedade e, inevitavelmente, nosso cotidiano. Há quatro anos, quando criei o Menino das Letras, não imaginei que o meu produto fosse chegar tão longe, e tampouco a este nível. – Fragmento da postagem do quarto aniversário do Menino das Letras, há um ano.

Não vou mentir: normalidade nunca foi bem o meu forte. Inclusive, é uma audácia que essa palavra exista em meu vocabulário. Não se pode esperar previsibilidade e estabilidade de um indivíduo que mergulha nas palavras, viaja por outras dimensões e permite que narrativas permeiem seu corpo como a manteiga que reveste o pão. Sim, palavras são a minha armadura.

Não é uma falha ser incomum. Ver além do limite, sentir aquilo que muitas vezes parece insípido, ouvir sons no silêncio inconsolável são características que não deveriam ser taxadas como anomalias. Pelo contrário: é um privilégio estar fora do círculo da normalidade. Talvez uma das evidências mais claras que eu tenho para corroborar minhas atividades incomuns seja o Menino das Letras.

Este mês o Menino das Letras completa 5 anos e ainda me parece um recém-nascido que não consegue andar sozinho. Meia década, como o tempo passa! O que era um passatempo tornou-se um compromisso, e o blogue sobreviveu apesar de alguns trancos e barrancos. Viver a arte e escrever a respeito da mesma me fez enxergar outras pessoas iguais a mim, pois o blogue, mesmo que sempre tenha sido pequeno e possuído um alcance limitado, ganhou alguns leitores fiéis. E se você está lendo isso, não tenha vergonha de admitir: você gosta disso também. Gosta da sensação de conhecer a sétima arte, de descobrir livros desconhecidos, de relembrar clássicos que marcaram tempos de outrora.

214 postagens e mais de 63 mil acessos. Se o Menino das Letras ainda respira, é graças a cada pessoa que dedica um minuto que seja para ler a atualização da semana, para conhecer um pouco mais da obra analisada, ou simplesmente por que não tinha nada melhor para fazer e encontrou esse blogue aparentemente interessante. Você dá fôlego a esta página. Eu sou apenas o mensageiro.

Não posso fazer promessas, é algo que aprendi. Não posso prometer que o Menino das Letras vai resistir ao tempo e, quem sabe, chegar ao seu décimo aniversário. Não posso simplesmente ir contra o rumo natural das coisas; novas prioridades sempre vão surgir. Quanto tempo vai durar? Não sei... A única coisa da qual tenho certeza é de que a viagem continuará sendo prazerosa até chegar ao seu ponto de encerramento. E espero que você, tão incomum quanto eu, continue ao meu lado nessa imprevisível jornada.


Vamos comemorar?

sexta-feira, 30 de maio de 2014

E após quatro anos, fez-se a animação



A história nos conta que Alice, ao adentrar na toca do coelho, fica assustada e ao mesmo tempo encantada com o maravilhoso mundo novo que se apresenta diante de seus olhos. Essa mistura de sentimentos não é nada incomum, uma vez que a novidade gera múltiplas possibilidades de sensações. Por consequência, o olhar fica mais crítico em relação ao que o cerca, à medida que, lá no interior, cresce uma vontade de desbravamento, de descoberta. Uma vontade de ir além. 


Atrevo-me a dizer que, há exatamente três anos, pude conhecer o meu País das Maravilhas – Fragmento da postagem do terceiro aniversário do Menino das Letras, há um ano. 

A arte existe porque a vida não basta”, foi o que falou o poeta brasileiro Ferreira Gullar, quando questionado a respeito de suas atividades poéticas. Do outro lado do Atlântico, o filósofo alemão Nietzsche disse certa vez que a arte deve embelezar a vida e, por conseguinte, ela existe para que a cruel realidade não nos destrua. De modo curioso, embora sejam de culturas distintas, ambos conceituaram muito bem algo que salva (e continua salvando) nossas vidas. 

A habilidade de parar para apreciar um objeto artístico e cultural, seja sua essência complexa ou simplória, reacionária ou livre de qualquer barreira, é uma maneira de escapar das misérias que afligem a sociedade e, inevitavelmente, nosso cotidiano. Há quatro anos, quando criei o Menino das Letras, não imaginei que o meu produto fosse chegar tão longe, e tampouco a este nível. 

Ainda é um pouco surreal, sabia? Olhando para trás e comparando com hoje, os fatos falam por si. O que antes era aparentemente o passatempo de um estudante do curso de Letras tornou-se algo sério; algo feito por um profissional de Letras. Os leitores foram acompanhando essa mudança e pelo visto o encantamento pelo mundo da arte só fez aumentar. 

O Menino das Letras provou que as pessoas sentem carência por arte. Com os temas cinema, literatura, músicas, e no último ano o acréscimo de quadrinhos, surpreendo-me com a ideia de que pessoas acessam a página mais de uma vez por semana. Indivíduos que veem na arte um refúgio, a possibilidade de que ainda há esperança para a vida ser menos atroz e mais bonita. 

E assim como os leitores, eu me encantei com o encantamento deles, e cá estamos para comemorar o quarto ano do blog. E pela quarta vez consecutiva, o que me resta é agradecer pela paciência e boa vontade de cada um que reserva um tempo do seu dia para ler as postagens ou visitar a página no Facebook. É graças a você e à sua busca por cultura que hoje o blog possui mais de 52 mil visualizações e quase 200 curtidas no Facebook. 

No decorrer de 185 postagens, arrisquei-me pelos caminhos linguísticos textuais no intuito de passar informações relevantes sobre diversas obras. Ao que parece, isso agrada algumas pessoas. Continuarei tentando, na medida em que for possível, compartilhar e propagar conteúdos artísticos, pois, assim como Gullar e Nietzsche, creio que a arte desempenha uma função crucial em nossas vidas. 

Agradeço aos leitores espalhados pelo Brasil afora e também aos leitores de Portugal, Estados Unidos, Rússia, Alemanha, Malásia, Ucrânia, Canadá, Índia, China, e outros que por ventura eu tenha esquecido de mencionar. E não posso deixar de agradecer a você – sim, você mesmo – que está comigo neste momento. Muito obrigado. 

Aproveite a festa! Ela também é sua.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A Culpa é do Desconto



É curiosa a reação que um ávido leitor pode ter ao descobrir que uma livraria de sua cidade está oferecendo desconto de até 80% nas obras de seu estoque. Especialmente se este leitor, assim como eu, for... digamos... Um pouco econômico. 

Primeiro veio a surpresa. Em seguida, a incredulidade. A última etapa foi a da convicção, a qual se deu quando me deparei diante da livraria, que exibia na entrada o enorme cartaz com o anúncio do desconto. 

Embora eu ainda não conseguisse acreditar, já havia feito durante o percurso uma lista de pelo menos dez títulos que há tempos eu esperava para ler. E, se eu estivesse com sorte, poderia trazer comigo quiçá metade ou mais que isso; sendo período de final de ano, vai que de repente os benditos estivessem sob uma promoção natalina. Nunca se sabe... 

Sendo este que vos fala dotado de uma imaginação bastante fértil, minha mente ocupou-se com diversas possibilidades. Já conseguia me vislumbrar lendo um após o outro, com a satisfação de ter gastado pouco com eles, semelhante à sensação da criança que constrói um castelo de areia à beira da praia. Sim, pois se existir uma lista de excitação literária, certamente livros baratos é um dos itens mais chamativos. 

Enfim, a espera terminou. Entrei, acompanhado de minha humilde e incrível inocência, e procurei não perder tempo: fui logo para a prateleira dos Best-sellers. E assim veio o primeiro impacto; mais da metade dos livros que eu planejei comprar não constavam ali. Tudo bem. Isso é normal, pensei eu. 

Então sofri o segundo impacto. A livraria aceitava apenas pagamento em espécie. Lascou-se, disse comigo mesmo. Quem tinha o sonho de sair dali com uma pilha de obras parceladas em várias vezes no cartão de crédito, teve suas asinhas cortadas. 

Nada de tão grave, eu supus, uma vez que os descontos já iriam favorecer muito o ato da compra. Peguei dois dos livros que almejava adquirir e me direcionei até o balcão. Perguntei à funcionária quanto ambos teriam de abatimento. Ela me respondeu: 10%. 

Nunca fui bom com números, mas ainda assim imaginei que o valor seria bem reduzido. Foi quando veio o terceiro impacto. Engoli a seco, enquanto meu castelo de areia era destruído por um tsunami. Devolvi os títulos aos seus respectivos lugares e vaguei por entre as prateleiras de História e Serviço Social. Àquela altura, me restavam duas opções: eu poderia ir embora sem levar nada, ou ao menos poderia escolher uma obra para disfarçar a decepção. 

E então eu vi. Na parte mais alta de uma prateleira, um livro de capa azul olhava para mim. “A Culpa é das Estrelas”, do autor John Green, foi o que li. Nada mal, eu pensei. Uma obra aclamada pela crítica literária, e que inclusive era um dos títulos da minha lista, por que não ser a sorteada do dia? Voltei ao balcão e perguntei quanto ficaria com o desconto, na esperança de que o valor fosse razoável considerando a finura do livro. Como se isso fosse critério básico para estabelecer o preço de uma obra... 

E percebi que, se ainda restava alguma coisa do meu castelinho de areia, a terra tratou de tragar os resquícios dos escombros. 

Três reais de abatimento.

Cansado, desanimado, e com vontade de sair dali, não resisti e decidi comprá-lo. Na saída, me questionei se havia algum culpado nessa história. Eu, que permito que meu senso econômico deturpe a realidade? A livraria, que poderia ter sido mais gentil em seus descontos? Ou o próprio desconto, motivo que me levou até lá? 

Culpados à parte, um novo livro me aguardava, e depois voltei a pé para casa.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A Lição do Herói



O clamor, embora muitas vezes seja quase inaudível, soa necessário desde sua plenitude à raiz de sua essência. Alguns já perderam a esperança e caíram na falsa e ilusória teoria de que a melhor opção é se adequar ao realismo torpe e nefasto ao qual somos submetidos e que, mesmo que involuntariamente, contribuímos para que fique pior. 

Em um mundo atroz, perverso e tétrico, a escolha mais propícia é não perder a fé. Depositar a confiança em uma figura cujas características sejam nobres, que seja um defensor e responsável por natureza, é acreditar que alguém ainda pode fazer a diferença nessa infeliz realidade. Pessoas precisam perseverar na esperança, sem deixá-la perecer. Pessoas necessitam continuar acreditando, por mais que seja árduo demais. As pessoas precisam de um herói. 



"Todo mundo adora um herói. As pessoas fazem filas para vê-los, para gritar seus nomes. E daqui a uns anos eles contarão como ficaram na chuva durante horas só para ver de relance aquele que os ensinou a continuar acreditando no bem. 

Eu acredito que exista um herói em todos nós. Que nos mantém honestos, que nos dá forças, nos enobrece. E que no fim nos permite morrer com orgulho. Ainda que, às vezes, tenhamos que ser firmes e desistir daquilo que mais queremos. Até de nossos sonhos".

sexta-feira, 31 de maio de 2013

E após três anos, fez-se a celebração


Sonhar é uma coisa perigosa. Nada é sólido e firme, e até que a ideia seja concretizada, o caminho é preenchido pelo desequilíbrio da incerteza. Hoje venho aqui para confirmar aos incrédulos que o poder de um sonho realizado é capaz de cruzar as fronteiras do racional, do imaginável, e do real. Que o poder de um sonho traduzido em palavras pode quebrar preconceitos e inspirar os desacreditados a repercutirem proezas similares. 

Hoje venho aqui para dizer que um dia eu tive um sonho. E que há exatos dois anos, pude colocá-lo em prática. As bodas de papel se desfazem e se transformam em algodão, pois nesta data o Menino das Letras completa seu segundo aniversário – Fragmento da postagem do segundo aniversário do Menino das Letras, há um ano. 

A história nos conta que Alice, ao adentrar na toca do coelho, fica assustada e ao mesmo tempo encantada com o maravilhoso mundo novo que se apresenta diante de seus olhos. Essa mistura de sentimentos não é nada incomum, uma vez que a novidade gera múltiplas possibilidades de sensações. Por consequência, o olhar fica mais crítico em relação ao que o cerca, à medida que, lá no interior, cresce uma vontade de desbravamento, de descoberta. Uma vontade de ir além. 

Atrevo-me a dizer que, há exatamente três anos, pude conhecer o meu País das Maravilhas. Assim como Alice, mergulhei na aventura e busquei mistério, desejos, fé, respostas, e consegui, por meio de um exercício de solidão, estabelecer um contato com o mundo, com pessoas carentes e ensandecidas por palavras. Hoje fico alegre em perceber, apesar dos fortuitos e alguns hiatos, que o Menino das Letras completa 3 anos e permanece vivo. 

Já disse Rubem Alves: “A felicidade nasce de dentro do olhar que foi tocado pela poesia”. E a cada postagem, cada resenha escrita, fui assimilando que o Menino das Letras iniciou seu processo de latência; o blog já foi visualizado em todos os continentes do mundo, ao passo que também foi visto na maioria dos estados brasileiros. 

São pessoas que, de alguma forma, não se identificam somente com o meu gosto cultural, mas que também encontram fascínio e inspiração por entre minhas palavras. Pessoas que, cotidianamente, buscam suas tocas de coelho. Hoje, graças a você, o blog possui mais de 40 mil visualizações ao longo de 144 postagens e 119 comentários. O Menino das Letras também possui uma página no Facebook, a qual está quase alcançando o número de 100 seguidores. 

Não obstante, vez ou outra ainda sou acometido pela credulidade, pois as palavras nunca deixam de me surpreender e estimular minha imaginação. Que combustível é esse que move engrenagens tão mirabolantes? Acho que o Menino das Letras já foi capaz de me responder... Misteriosos são os caminhos linguísticos. 

Agradeço, imensuravelmente, a todos os leitores que passaram por aqui e a os que continuam fazendo questão de visitar o blog. Aos amigos, familiares, irmãos de Igreja, minha sincera gratidão. Aos visitantes dos Estados Unidos, Portugal, Rússia, Alemanha, Ucrânia, Reino Unido, França (entre outros) e, principalmente, de todas as regiões do Brasil, obrigado pela leitura. Continuarei na batalha no intuito de que o blog permaneça atraindo vocês. 

Embora desafios externos estejam sempre no limiar de acontecer, os quais podem me expulsar do País das Maravilhas a qualquer instante, reconheço que sempre estarei à mercê da escrita, mesmo que um dia o Menino das Letras caia em um sono eterno. E ainda que eu deseje que isso não esteja perto de ocorrer, fico torcendo para que o espírito de descoberta que habitou em Alice também se perpetue em mim, reconfigurando a vontade de desbravamento. Reavivando a minha vontade de ir além. 

Obrigado!

sábado, 27 de abril de 2013

É como nas grandes histórias



Monteiro Lobato certa vez disse que uma nação é feita por homens e livros. Embora seja verdade que nos tempos antigos a literatura era parcialmente inacessível – tendo como público alvo a burguesia intelectual – hoje se pode ver uma realidade diferente, mesmo que permaneça nem um pouco adequada. 

Nesta semana tivemos o Dia Internacional do Livro, e eu não iria me surpreender ao saber que poucas foram as pessoas a lembrar disto. Infelizmente, ainda que o número de jovens leitores esteja crescendo e isso movimente as engrenagens da evolução do letramento, muitos continuam não enxergando o valor de um livro. 

23 de abril foi marcado para ser o Dia Internacional do Livro por esta ser a data de falecimento de Miguel de Cervantes, autor do cânone Dom Quixote. E uma vez que os clássicos sejam obras que permeiam gerações e se perpetuam por décadas, o Menino das Letras deixa sua homenagem por meio do fragmento de uma obra contrariada e, ao mesmo tempo, aclamada por muitos: O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien. 

"É como nas grandes histórias, sr. Frodo. As que tinham mesmo importância. Eram repletas de escuridão e perigo. E, às vezes, a gente nem queria saber o fim. Por que como poderiam ter um final feliz? Como o mundo poderia voltar a ser o que era, depois de tanto mal? 

Mas, no fim, é só uma coisa passageira... Essa sombra. Até a escuridão tem que passar. Um novo dia virá. E, quando o sol brilhar, brilhará ainda mais forte. Eram essas as histórias que ficavam na lembrança, que significavam algo. Mesmo que você fosse pequeno demais para entender por quê. Mas acho, sr. Frodo, que entendo, sim. Agora eu sei. 

As pessoas dessas histórias tinham várias oportunidades de voltar atrás. Mas não voltavam. Elas seguiam em frente... porque tinham no que se agarrar. 

- E em que nós nos agarramos, Sam? - pergunta Frodo. 

 - No bem que existe neste mundo. Pelo qual vale a pena lutar".

sexta-feira, 22 de março de 2013

Monólogo Mundo Moderno



Mais uma do Chico. Vamos refletir?


"E vamos falar do mundo, mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio, maior maldade mundial. Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna, monta matumbo malhado, munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha move moinho, moendo macaxeira, mandioca, meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho, meia-noite mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua,  mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos  maltrapilhos, morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis, menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre, mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes marafonas, mocinhas, meras meninas,, mariposas, mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas, melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, mercedez, motorista, mãos, magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando! Moradia meiágua, menos, marquise, mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore! Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo! Merecemos, maldito mundo moderno! Mundinho merda!".

sexta-feira, 8 de março de 2013

Ode à Costela




É simples entender porque as mulheres sempre buscam reconhecimento: elas são vítimas desde o início dos tempos. A estrada de infortúnios tem seu prefácio lá no Gênesis, quando Eva é covardemente ludibriada pela cobra e experimenta do fruto proibido. A partir daí, além de ter sido expulsa do local mais seguro e puro da face da Terra e transmitir ao restante da humanidade as marcas da queda, por desobediência às ordens de Deus, Ele também a consagrou com uma dor descomunal na hora do parto. 

De fato, o sangue é o elemento que mais está presente no histórico feminino. Desde morticínios a estupros, não é de se admirar que elas mereçam um pouco mais de respeito. Abram os olhos, homens! Pois, se o berço da mulher é proveniente de uma costela masculina, não há dúvidas sequer de que elas estão aqui para fazer da metade um todo. 

Mulheres possuem a habilidade de estabelecer o equilíbrio. Podem ser a luz em tempos de trevas. Elas têm a capacidade de misturar a razão e a emoção sem sofrer danos mentais e ainda insistem em demonstrar o contrário. É claro que há exceções: as confusas permanecem perdidas porque continuam ignorando seu verdadeiro potencial. O que não deixa de ser comum, uma vez que a jornada é repleta de obstáculos e, segundo diria Guimarães Rosa, o que importa é a travessia. E isso elas conseguem realizar com destreza e maestria. 

Mulheres sabem separar o joio do trigo e encontram a ovelha perdida do rebanho, mesmo que isso demore horas e – em muitos casos – vários dias. Elas nos situam no espaço, nos impulsionam a sair da letargia, ressignificam e renovam nossos propósitos e nos fazem refletir a respeito daquilo que está entre o princípio e o fim. Ah, o fim! Se a mulher é o recipiente da vida, nada mais justo imaginar a morte ao lado de outra mulher que te faça feliz. Na saúde e na doença, assim dizem por aí. 

Acordai-vos, homens! Embora existam aquelas traiçoeiras como raposas e destiladoras de veneno como as serpentes, é sensato nunca se esquecer de que dentro de uma colheita sempre surgirá uma fruta podre. O tempo e a vida tratarão de moldá-la, por isso jamais desista de todo o resto. Porque, apesar das falhas, todo homem precisa reconhecer, acima de qualquer imperfeição, que as mulheres são uma obra divina.


                                                                                                                    Parabéns, mulheres!

sábado, 13 de outubro de 2012

Mais Respeito, Eu Sou Criança!


A postagem de hoje é bastante diferente. Desta vez, eu me comunico diretamente com você, leitor(a). É o primeiro vídeo neste formato que faço para o blog, por isso que está profundamente simplório.

A ocasião não poderia ser melhor: o Dia das Crianças! E para celebrar esta data que muitos adultos recordam diariamente, eu fiz a leitura de um texto de Pedro Bandeira, intitulado de 'Mais Respeito, eu sou criança!".

Boas recordações para vocês! 

Mais Respeito, eu Sou Criança - Pedro Bandeira 

Prestem atenção no que eu digo,
pois eu não falo por mal:
os adultos que me perdoem,
mas ser criança é legal!

Vocês já esqueceram, eu sei.

Por isso eu vou lhes lembrar:
pra que ver por cima do muro,
se é mais gostoso escalar?
Pra que perder tempo engordando,
se é mais gostoso brincar?
Pra que fazer cara tão séria,
se é mais gostoso sonhar?
Se vocês olham pra gente,
é chão que vêem por trás.
Pra nós, atrás de vocês,
há o céu, há muito, muito mais!

Quando julgarem o que eu faço,
olhem seus próprios narizes:
lá no seu tempo de infância,
será que não foram felizes?

Mas se tudo o que fizeram
já fugiu de sua lembrança,
fiquem sabendo o que eu quero:
mais respeito, eu sou criança!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Xadrez Cênico


Essa  crônica foi escrita após um encontro teatral, no qual eu e os envolvidos contemplamos a beleza do nosso trabalho cênico.


Eu tenho algumas teorias a respeito da vida. Muitas prefiro não compartilhar porque o teor que as constitui são tão inconcebíveis aos olhos dos ditos ‘normais’, que no final das contas acabam sendo palavras soltas ao vento. Encontro-me, porém, no incrível dilema de expor uma singela opinião que se apossou de mim há poucos instantes. Acho que, neste caso, não custa tentar. 

Eu acredito que o ator, ao subir no palco, além de externar uma faceta de suas vicissitudes multiplurais, também está exalando uma história. Não me refiro ao odor, ao cheiro propriamente dito, mas às características atribuídas ao personagem. Quando o sujeito inserido no contexto cênico faz um gesto, um movimento por mais ínfimo e simplório que seja, está nos contando uma história. 

Essa expressão, é claro, pode ser construída pelo ator em si ou por aquele que direciona os caminhos da edificação cênica. No frigir dos ovos, nós, os atores, somos peças de um xadrez ambulante, no qual a entidade que nos movimenta é o diretor de acordo com sua visão estratégica. Estratégia, sim, pois a missão do ator é deslumbrar seu oponente. E não importa qual seja a proporção dessa guerra, não importa quantas represálias soframos e quantos conflitos protagonizemos, às vezes perder é inevitável. E a derrota é bem feia. 

Posso dizer que já transitei bastante por esse tabuleiro e vi coisas que ficarão para sempre na memória. E se tem algo que aprendi é que cada peça do xadrez cênico tem sua finalidade; se uma função deixa de ser cumprida, todo o sistema é desequilibrado e põe um risco mortal ao jogo. A meta não é apenas chegar ao outro lado e se tornar Rei. A meta é agirmos em conjunto para descobrirmos a solução de como nos tornarmos reis. União, pura e simplesmente. 

Reconheço que, da mesma forma que acontece com várias teorias, essa deve ter suas falhas. Há quem pense de maneira diferente. Tudo bem, cada qual tem sua peculiaridade no modo de raciocinar. Bom, eu continuarei acreditando que a nobreza da batalha é a força conjunta. É assim que se alcança o tão cobiçado xeque-mate.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Astro Amador



Esta crônica é inspirada em uma situação real, na qual 'profissionais' ignoram o valor dos 'amadores'. 



Uma coisa é certa: se você é habitante do planeta Terra, nasceu pra ser taxado por mim. Não importa se você é vítima ou vilão, muitas vezes é apontado mesmo quando é o figurante mais despercebido da história.

E nem adianta querer escapar, se auto proclamando um santo ou dizendo que é um poço de inocência, pois até os desafortunados são acometidos pela assídua vontade de reconhecer meu valor. Felizmente, essa é a regra básica das leis: alguém ter que ser taxado de alguma coisa. E se não quiser, cai fora porque a fila é gigantesca.

Eu, por exemplo, já fui chamado de muita coisa nessa vida. “Louco” tornou-se uma palavra gostosa dentro do meu cotidiano. Eu a saboreio como um diabético ensandecido nadando em uma piscina de chocolate. Também já fui apontado de outras coisas: dissimulado, sociopata, cabeçudo, cínico, manipulável (e manipulador), ignorante, falso, jumento, irresponsável... Enfim, tudo que um ser humano normal tem direito. Incluindo a característica de “mafioso”.

O que não possa aceitar, em hipótese alguma, é que me classifiquem como amador. Eu sou egocêntrico e egoísta demais para aceitar algo assim. Posso suportar qualquer apelido, qualquer característica torpe, mas ser taxado de amador é atingir o grau mais miserável e baixo da humanidade. Se Deus me trouxe ao mundo, foi somente para brilhar no céu como a mais chamativa das estrelas e, por consequência, ser o centro de todos os holofotes.

Danem-se os caretas e suas teorias de simplicidade e harmonia! Qual o sentido de um conjunto ou sociedade, se eu posso me destacar entre os ínfimos planetas e me tornar o astro rei da galáxia? Quando sou taxado de amador, fica pressuposto que sou uma criatura incompleta, suscetível a falhas e – Deus me livre – autor de atitudes precipitadas. É como se eu ainda estivesse em processo de evolução, tentando atingir um objetivo, ou pior... Como se eu ainda não fosse dotado da razão absoluta!

Eca! Há petulância maior que essa? Dá nojo só de imaginar! Eu estou aqui para ser apontado, virar assunto na boca dos outros, ser o evento principal da balada, bajular os poderosos e transitar entre a elite, e não me contentar em ser um medíocre amador, que se satisfaz com uma existência simplória e insignificante. Fico na dúvida se uma pessoa assim é digna de pena.

Acredito que o certo é prender todos os amadores em uma grande penitenciaria. Desse modo, os inocentes civis, como eu, ficariam livres de enxergar o lado negro da vida. Afinal de contas, a humildade é acessível para os cidadãos maduros e especiais. Apenas os predestinados são capazes de manuseá-la. E eu, é claro, me incluo nessa lista.

Convenhamos, a modéstia é o meu ponto forte.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A Fabulosa Arte de Não Dizer Nada



Eis mais um resultado da Oficina de Crônicas que participei no mês passado. Novamente, peço desculpas para quem não conseguir captar o humor e a ironia. Boa leitura. 

 
Muitas pessoas já vieram até mim dizendo que sou bastante criativo quando exerço o meu dever de escritor. Todos, inclusive os leigos, sabem que o exercício da escrita é uma prática difícil de manter. Alimentar a ideia e redigi-la, respeitando os aspectos sintáticos, semânticos e pragmáticos, é uma coisa que somente os loucos se atrevem a desafiar. E, por ser um louco assumido, acrescento mais uma característica ao ato da escrita: escrever é como ficar ajoelhado em caroços de feijão. Experimente passar no mínimo meia hora, e verá como dói...

O interessante, porém, é que as pessoas não sabem da missa a metade. Tudo bem redigir textos de gêneros e temas diversos, pois o bom da escrita é justamente essa liberdade de falar sobre o que quiser. Tendo, portanto, transitado por variados assuntos, surgi-me a vontade voraz de não falar sobre coisa alguma. Isso mesmo. Vamos conversar a respeito de absolutamente nada.

Alguns colegas já disseram que o chocolate ajuda na inspiração. No meu caso, tive que recorrer ao velho miojo, o qual, por sinal, não está simpatizando muito com o meu estômago... Talvez seja melhor assim; quanto maior for a dor de barriga, mais criatividade eu terei para não ter assunto. É uma abordagem bastante rica, se pararmos para pensar. Acredito, inclusive, que o Governo deveria disponibilizar horas grátis para abusarmos do nosso direito de não ter o que falar.

Sendo assim, a sociedade avançaria nas mais distintas áreas. A educação, por exemplo, finalmente atingiria um patamar respeitável com um método inovador criado pelos professores. Batizariam de “A Fabulosa Arte de Não Dizer Nada”. As aulas seriam ministradas por meio de mímicas, estimulando a cognição dos alunos no momento em que tentam descobrir qual matéria está sendo transmitida. E, com a humanidade aderindo a esse novo estilo de vida, em um futuro muito distante, todos teriam o dom da telepatia. Se bem que ler mentes tem lá suas desvantagens.

Os relacionamentos, pelo menos, ficariam cada vez mais complicados de se concretizarem.

 - Nossa! Essa garota é uma gata! Eu até poderia xavecá-la, se não fosse sua tara sexual por manequins de shopping...

Os jornais seriam constituídos exclusivamente por imagens. Imagens da desgraça alheia, de preferência. O cinema voltaria a ser mudo, como na época de Chaplin. As músicas seriam apenas instrumentalizadas. E os espetáculos teatrais seriam compostos somente por gestos e expressões faciais. Quem precisa das palavras, quando sorrisos e lágrimas já dizem tudo? É provável que o silêncio seja a resposta para muitas perguntas. Quiçá pudesse curar as guerras, o desequilíbrio econômico, a desigualdade social...

É realmente incrível observar o poder da escrita. Mesmo dissertando a respeito de nada, falando sobre um conteúdo de uma incoerência colossal, encontrei um assunto na tentativa de não ter assunto. De um pensamento doentio como o meu, não era de se esperar menos.

E, sendo a loucura o fio condutor da minha escrita, findo com algo sem pé nem cabeça:

Abençoados sejam os miojos do mundo.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A Pergunta Inescrupulosa


Esta semana participei de uma Oficina de Crônicas ministrada pela cronista mineira Ana Elisa Ribeiro. A crônica abaixo, "A Pergunta Inescrupulosa", é um dos resultados alcançados por mim na citada oficina.


Certa vez, meu sobrinho veio até mim e perguntou:

- Tio, o que é uma crônica?

Fui pego de surpresa com aquela indagação, pois o pirralho nunca antes demonstrara interesse em algo tão erudito para sua mente perturbada.

Curioso, fiz questão de retrucar:

 - Por que quer saber disso, menino?

Insistente, o garoto devolveu:

- O senhor é formado em Letras. Tem a obrigação de me explicar.

Novamente fui pego desprevenido. Não pela pergunta, mas pelo fato de não saber respondê-la. Inicialmente, tive raiva. Afinal, não é nada divertido cair na ironia da maldição dos letrados. Quatro anos de graduação, estudando até ficar descabelado, passando noites sem dormir, e agora teria que me preocupar com uma questão elaborada pela imaginação maligna de um pivete.

 Maldita hora que cursei Letras. Português nunca foi minha praia. Passei anos acreditando que a palavra “mesa” era um verbo. Fiquei abismado quando descobri a existência de orações subordinadas. E meu sobrinho, do nada, me vem com um questionamento desses. O que deu nessa criatura para me desafiar de tal maneira? Provavelmente estaria sofrendo do mesmo mal que aflige milhões de cidadãos: acreditar que todo letrado é um dicionário ambulante. 

Mas o problema em questão não era esse. Eu tinha que criar uma resposta convincente o suficiente para conseguir ludibriar o intelecto vil daquele aprendiz de marginal. Minha honra e reputação dependiam disso. Se eu não pudesse responder uma pergunta tão ínfima, seria a prova concreta de que eu havia escolhido o curso apenas por ser o mais barato de uma universidade particular. 

Comecei a suar frio, mas tentei não manifestar desespero. Não descartei a hipótese de fugir, talvez me esconder nas montanhas, viver exilado da sociedade, tentar me encontrar na imensidão do meu universo reservado. Tudo era válido, menos responder aquela pergunta. Se eu queimasse meu diploma, ou dissesse que sou graduado em Agronomia, será que parariam de me fazer tantas indagações complexas? 

Aliás, qual o sentido de saber o que é uma crônica? Por acaso eu preciso saber por que a galinha bota ovo no lugar de omelete? Preciso saber por que a Terra é redonda? Tenho que saber por que as árvores são pregadas no chão? Por acaso Cabral, antes de descobrir o Brasil, precisou saber o que é uma crônica? Lógico que não! E veja só o papel que ele assumiu na História! Tentar decifrar os mistérios das coisas é o mesmo que desequilibrar a ordem natural da vida. É praticamente um apocalipse! 

 Então, em nome de tudo que é mais sagrado, de onde esse pirralho tirou a ideia de perguntar o que é uma crônica? Ele vai morrer se não souber? Essa informação é fundamental para fazer dele um ser humano melhor? Duvido muito. Eu, pelo menos, nunca necessitei disso. Maldito seja o criador da crônica! 

De repente tive meu momento de revelação. Descobri um jeito de respondê-lo! E, modéstia parte, ouso dizer que possivelmente foi a frase mais inteligente de minha vida. Alcancei a glória máxima de todo meu ser. Inclusive, acho que mereço o Prêmio Nobel da Educação. 

Olhei para meu sobrinho, que ainda esperava a resposta, e falei: 

 - Escuta aqui, seu moleque. Vê se para de me aporrinhar e vai ler uma gramática!


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Nascer Velho, Morrer Criança






Esta semana o mestre Chico Anysio completaria mais um ano de vida. Para o infortúnio dos familiares e de toda classe cultural, isso não aconteceu. O artista faleceu mês passado, deixando um vasto legado aos fãs. Especialmente na área cênica, com mais de 200 personagens criados de sua mente. 

Como uma forma de homenageá-lo, hoje o vídeo é dedicado a ele. Nos anos 70, Chico apresentava-se em um quadro semanal no Fantástico. No Natal de 1977, ele exibiu uma crônica escrita por Marcos César, intitulada de 'Nascer Velho, Morrer Criança', na qual lança uma reflexão acerca da vida e da morte. 

O Menino das Letras deixa aqui suas saudações artísticas a este nobre gênio que tanto contribuiu para o avanço cultural no nosso país. Como dizem alguns, o Charles Chaplin brasileiro.


Segue o texto completo: 


Nós temos o direito de sonhar! E o meu sonho é o de ter o poder de ser o videocassete de mim mesmo!... Ter um controle remoto que me permitisse adiantar ou atrasar a vida, eu poderia adiantar e entrar na percepção do futuro ou poderia recuar e parar no momento que me tivesse sido maravilhoso, talvez até eternizar um orgasmo!… Eu faria, assim, uma edição e teria uma fita só com os melhores momentos da minha vida!… Mas uma fita só não bastaria. Teria de haver várias, por que eu sou um cara de poucas queixas. O importante seria mesmo esse controle remoto, pois eu poderia recuar a fita e me emocionar outra vez com o nascimento de meus filhos; depois eu a adiantaria e veria todos eles crescidos e eu, preocupado…O que serão na vida? O que terão? O que farão?…Não ! Então eu volto, volto, volto, volto, volto, e me vejo outra vez em Maranguape, empinando pipa, jogando pião, escanchado num cavalo de pau naquela rua de terra batida, onde eu era Tom Mix, eu era Buck Jones, eu era Palonge Cassidi…Eu nu, tomando banho no açude, paquerando calcinhas e sutiãs pendurados nos varais, imaginado seus recheios….Não ! Com este controle remoto eu seria um super-herói: “Eu sou Ulisses, eu tenho poderes!”. Mas eu só queria mesmo um poder. O poder de fazer a vida como acho que a vida deveria ser…. 

Acho que o homem deveria nascer com oitenta anos. Nasceria com oitenta anos, iria ficando mais novo, mais novo,mais novo, mais novo, mais novo até…. morrer de infância ! 

Chego inclusive a imaginar uma mãe comunicando o nascimento do filho: 

 - Menina, meu filho nasceu ! Pensei que não fosse nascer mais, tava encruado ! 

 - Nasceu com oitenta e quatro anos ! Mas perfeitinho: um metro e setenta e seis, setenta e dois quilos. Eu ia botar o nome de Luis Cláudio, mas ele próprio foi ao cartório e se registrou como Haroldo! 

E nos berçários aquela fila de cadeiras de balanço, com os velhinhos todos sentados…. tossindo, pigarreando. Todos assistidos por geriátras, já que padecendo eles todos os males comuns aos recém-nascidos : gota, artritismo, lumbago, reumatismo…. O homem nasceria com oitenta anos, aos sessenta casaria com uma mulher de cinquenta e nove, mas com uma vantagem : a cada dia, a cada semana, a cada mês, ela ficaria mais e mais jovem, até se transformar numa gata de vinte ! Com oitenta anos nasceria rico, sábio e…. aposentado ! A partir de então, passaria a ganhar menos, menos; entraria para a faculdade, desaprenderia tudo !…. Voltaria áquele estágio de ingenuidade, de burrice, de pureza ! Depois a bicicleta, o velocípede, desaprenderia a andar, esqueceria como engatinhar. Então, o voador; do voador para o chiqueirinho, do chiqueirinho para o berço, as trocas de fraudas, aquelas três gotas de remedinho no ouvido, o chá de erva-doce para dorzinha de barriga, a chuca, o peito da mãe…. e pararia de chorar ! 

Mas a vida, então teria que ser recriada, o mundo teria que regredir séculos…. Cabral e Colombo desdescobririam o novo mundo, o homem desinventaria a roda, atingiria o desconhecimento da pólvora e do fogo, até chegar a Adão, o último homem. O último-primeiro a quem Deus, colocando-o sobre a Sua mão, em vez de lhe soprar a vida, o inspiraria novamente para dentro de si mesmo…

sexta-feira, 16 de março de 2012

O Herói Nerd


"Começa com um cara que trabalhava na Buy More. E, um dia, um velho amigo de faculdade manda um email cheio de segredos. E no dia seguinte, a vida dele muda de verdade quando ele conhece uma espiã chamada Sarah. E se apaixona".

Ao vislumbrar a História, é possível perceber que os heróis, pelo menos na antiguidade, eram pessoas dotadas de características nobres e marcantes. Coragem, nobreza, destreza e força eram alguns dos ingredientes que formavam a identidade paladina. Contudo, é perceptível que grande parte dos heróis da atualidade precisa passar por uma jornada antes de se transformarem em defensores da lei.

Peter Parker, por exemplo, era apenas um garoto estudioso e inteligente. Para se tornar o mascarado aracnídeo que se balança entre os edifícios de Nova York, ele teve de enfrentar diversos desafios. Em Chuck, seriado nerd exibido no Brasil pelos canais Warner Channel e SBT, a fórmula é praticamente a mesma.

Charles Bartowski, conhecido como Chuck, é um técnico de computadores que trabalha na Buy More, loja especializada em vender produtos eletrônicos. Ele mora sob o mesmo teto que a irmã mais velha, Ellie (uma médica bem-sucedida) e seu namorado, Devon (O Incrível). E para sobreviver às loucuras dos funcionários da Buy More, Chuck tem um fiel escudeiro e também melhor amigo, Morgan Grimes.


A rotina mais do que normal de Chuck muda totalmente quando ele recebe um email no dia de seu aniversário. O remetente: Bryce Larkin, velho conhecido de Chuck e o responsável por expulsá-lo da faculdade por razões nunca explicadas. Ao abrir o email, ele é exposto a vários tipos de informações, as quais ficaram armazenadas em seu cérebro. Acidentalmente, Chuck inseriu em sua cabeça um supercomputador secreto do Governo americano, o Intersect, o qual reúne conteúdos extremamente confidenciais.

Tendo o conhecimento de vários fatos ocorridos não somente dentro do próprio governo como também em outras nações, agentes da CIA e da NSA são enviados para proteger Chuck, pois agora o nerd é propriedade nacional. Enquanto o governo não conseguir construir um novo Intersect, Chuck terá de cumprir missões ao lado de John Casey e Sarah Walker, combatendo terroristas e se escondendo de criminosos que querem o supercomputador para si.


O seriado, com cinco temporadas no total, conquistou legiões de fãs em todo o mundo. Apesar de nos últimos anos ter obtido baixos índices de audiência na TV, Chuck sempre foi uma série famosa na Internet. Ao contrário de alguns programas que terminam inesperadamente, sem muitas vezes ter um fim digno, os fãs de Chuck se uniam ao final de cada temporada para pedir que o seriado fosse renovado por mais um ano. E após cinco anos, no decorrer de 91 episódios, Chuck pôde ter seu merecido último capítulo.

Um dos motivos que fizeram de Chuck um grande sucesso foi a mistura de gêneros contidos em sua trama. De forma inteligente e criativa, os criadores Josh Schwartz e Chris Fedak, juntamente com os roteiristas, souberam introduzir ação, drama, aventura e muita comédia sem tornar a história cansativa. Outro ponto bastante forte é a paixão entre Chuck e Sarah, romance que ultrapassou várias barreiras.


Chuck inicia sua jornada de forma atrapalhada e ingênua, deixando transparecer que seus valores humanos – a família e os amigos – são suas maiores armas. A simplicidade do personagem, seu carisma e a bondade encantaram milhares de nerds e uma nova geração de espectadores. Por mais que não possua os atributos que qualificam um protetor clássico, à medida que as temporadas passam, Chuck amadurece e começa a entender que pode realmente fazer a diferença no mundo. Nerd, sim, mas um verdadeiro herói moderno.


"O computador não fez de você um herói, só deu a oportunidade de se tornar um".


Breve sinopse (DUBLADO):




*Há muito mais a ser dito a respeito de Chuck, mas vou deixar que você veja com seus próprios olhos.

sábado, 10 de dezembro de 2011

O Admirável Mundo das Letras





Tudo começou com uma corriqueira leitura. Depois, como se meus pés tivessem adquirido o dom da levitação, me vi mergulhado naquele mar de letras, buscando compreender a estrutura dos vocábulos e o sentido das palavras. Muitos já vieram me perguntar qual é a sensação de se fazer parte do Admirável Mundo das Letras. E mesmo que eu tenha um vasto leque de adjetivos para utilizar, o único que me vem à mente para elaborar uma resposta satisfatória é: surreal.

Viver no Mundo das Letras não é muito difícil, considerando que o requisito básico é gostar de ler. Tentar defini-lo é a parte complexa. Isso é o de menos, uma vez que o prazer reside em desbravar o desconhecido; jogar-se na imensidão das frases, submergir nas profundezas dos enunciados e, no final da tarde, sentir a brisa dos versos líricos.

Esse fantástico mundo possui dois continentes: o da Literatura e o da Linguística. Os terrenos literários são administrados por um poder tripartido, o qual sempre preza pelo bem do leitor. As Duquesas Ana, Conceição e Elisete trabalham de forma honesta e, por isso, com elas os fracos não têm vez. Nestas terras eu vivenciei experiências inesquecíveis e vaguei por locais inacreditáveis; vi sertões tão extensos e bonitos que nem Graciliano Ramos, Euclides da Cunha e Guimarães Rosa teriam a audácia de descrever; presenciei batalhas épicas que nem Ulisses teria a coragem de travar. Também conversei com um defunto-narrador que me contou a história da sua vida, enquanto observava, ao longe, vários heterônimos encontrarem-se com seu criador.

Viajei ao lado de um caboclo valente o suficiente para desafiar o diabo. Alimentei uma cachorrinha com pensamentos tão racionais quanto os meus. Brinquei com objetos culturais, cumprimentei o Senhor do Folclore e ainda tive a honra de conhecer uma nordestina encantadora - e incrivelmente ingênua - e vê-la transformar-se em uma estrela de mil pontas. Passei pelo Inferno, Purgatório e Céu, acompanhando um homem em busca de sua amada e, por fim, visualizei livros voarem e deixarem rastros de folhas caídas pelo caminho, para que aqueles que ali passassem não ignorassem o que precisava ser lido.

É também fundamental transitar pelo continente linguístico, e para que tal meta seja alcançada precisa-se conhecer a barqueira Klébia, mulher de voz encantadora que facilita a travessia dos letrados de uma área à outra e está eternamente disposta a direcionar os indecisos. Linguística é um terreno dominado pelo Lorde Silvio e a Baronesa Carmen, cada qual mais exigente que o outro quando o assunto é discurso. Nesta terra, assisti palestras de Ducrot, tomei leite achocolatado com Fairclough, joguei ping-pong com Foucault e aprendi macetes de baralho com Van Dijk. Ainda tive o prazer de vislumbrar as metamorfoses da Semântica e plantar uma semente de agradecimento nos campos bakhtinianos.

Neste ambiente fabuloso também há lendas urbanas. A mais famosa de todas é a do Profeta Romerito; um andarilho que veio da Terra de Saussure, e que - ouvi dizer - faz brotar bibliotecas do chão onde pisa; o Pirata Marzinho, com seu navio gigante e sua procura eterna pelo baú de sintagmas; e o Vigilante Bruno, em seu Balão Mágico, na luta constante para apaziguar os céus. É bastante sensato evitar os caminhos da preguiça: o furacão Nevinha pode estar à espreita. E caso se queira conselhos de Psicologia, Ética e Produção de Texto, basta procurar os Anciões Laurence, Juliana e Zélia; eles sempre sabem o que dizer.

Infelizmente, existe um prazo de validade para permanecer no Admirável Mundo das Letras. A dor da partida é profunda, semelhante ao sentimento de ir embora de um parque de diversões sem ter experimentado todos os brinquedos. Agora que fiz as malas e estou diante da porta de saída, contemplo a inabalável grandeza desse maravilhoso lugar e desejo aos futuros ingressantes que aproveitem tudo aquilo que não pude, pois, se me perguntarem qual é a sensação de deixar o Admirável Mundo das Letras, eu direi: ter a saudade cravada no peito, e a sincera esperança de um dia voltar lá.

sábado, 5 de novembro de 2011

Só de Sacanagem





Dizem que a esperança é a última que morre. Ainda que milhões de cidadãos concordem com esta assertiva, diante de alguns casos, isso não é garantia de imortalidade. Infelizmente ou não, a esperança é suscetível à morte, sim. E para muitos, quando o assunto é a corrupção que se alastra cada vez mais no Brasil, ela já bateu as botas há muito tempo.

É certo que muitas pessoas lavaram suas mãos e desistiram de lutar contra o monstro da corrupção. Algumas por perceberem que tal criatura é poderosa demais e que, por isso, confrontá-la seria em vão; outras por terem permitido que o bicho exalasse seu veneno e infectasse suas mentes, deturpando suas escolhas e fazendo-as optar por aquilo que é mais "fácil" e tentador.

O esquema de batalha é exatamente este: ou você se prepara para guerra, ou se corrompe, ou se omite até que chegue um dia que o sistema te force a decidir em qual lado irá agir. O que se pode ver na atualidade é que os guerreiros, os poucos que ainda restam, conseguem travar batalhas e conquistar territórios por um breve momento; em seguida, o sistema utiliza-se de suas artimanhas para estagnar os rebeldes e distanciá-los mais e mais da inalcançável criatura. E em quase 100% dos casos, o sistema vence.

Dessa forma, em tempos em que lutar à exaustão não causa ferimento algum ao grande inimigo, a única arma que resta ao guerreiro é a confiança e a esperança de que um dia, ainda que demore milênios, a coisa mude para melhor. Mas parece que até isso está difícil de se fazer, de modo que a população necessita de um estimulo, uma fonte inspiradora.

A arte, como sempre, mostra a solução. A poeta Elisa Lucinda, nas sublimes linhas do texto Só de Sacanagem, revela que há de se ter fé porque o guerreiro é munido de uma arma que o monstro despreza totalmente: a honestidade. O ato de criar laços de confiança entre você e o próximo, relembrando aos esquecidos o que significa ética, educação, e curando os cegos do vírus da corrupção.

E no dia em que a liberdade for alcançada, no instante em que todos (pelo menos grande parte) estiverem curados, no exato segundo que a honestidade expulsar a nefasta criatura para as profundezas, as vozes dos guerreiros irão ecoar pelo país inteiro, concordando entre si e tendo o orgulho de dizer que a esperança, de fato, é imortal.








Só de Sacanagem


Meu coração está aos pulos!

Quantas vezes minha esperança será posta à prova?

Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?

Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.

Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.

Só de sacanagem! Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambau."

Dirão: "É inútil, todo mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? IMORTAL! Sei que não dá para mudar o começo, mas se a gente quiser, vai dar para mudar o final!

sábado, 24 de setembro de 2011

A Três



Eu sei que não é novidade, mas não custa nada lembrar: poesia não é a minha praia. Foi-se o tempo em que eu me arriscava na onda dos versos poéticos e deixava a maresia da rima me levar. Na verdade, as coisas que eu escrevia eram tão bizarras e patéticas que acho uma ousadia à literatura classificá-las como poesias. Agradeço a Deus por ter me guiado por um novo caminho: definitivamente, a prosa é o meu lugar.

Mas isso também não significa que eu abomine a arte de poetizar. Muito pelo contrário, admiro os artistas que possuem o talento de construir textos poéticos e, por sorte, tenho o privilégio de conhecer alguns. Mês passado, meus amigos poetas Pablo Roberto e Charles Marques (O Café) lançaram-me o desafio de escrever em parceria com eles. Na ocasião, senti-me compelido a participar do ato e acabei aceitando a oferta.

Venho aqui humildemente agradecê-los pela oportunidade, pois pude relembrar qual é a sensação de redigir um poema, ainda que tenha perdido a prática. Como forma de agradecimento, os tirarei do anonimato e publicarei a tal poesia. E caso esteja muito ruim, com certeza a culpa foi minha.

Eu posso ter desistido de escrever poesias, mas pelo jeito ela ainda existe dentro de mim.


A Três

Eu, você, nós, sozinhos
Três patetas perdidos em um ninho
Rabisco e as letras
Me levam a caminhos que nunca passeei

O mar, o lar, o ar
Essas essencialidades imperceptíveis, imprescindíveis.
Versos, lasanhas, chocolate de amargar.
Trivialidades difíceis de se juntar
Junto e faço delas o meu arsenal
Meu punhado de existência,
Meu samba, meu verso,
Meu eu, meu seu.
Meus nós...

Esse meu, que é tão seu quanto nosso.
Nos fala, nos diz a que veio e tão logo se vai.
E nesse curto momento que revisito fotos antigas.
Percebo que tempos bons não voltam mais,
Roubando nossa fé e a velha paz.

Enfim me debruço emudecido
E ouço o som,
Ele me basta...
Nos basta. Basta de clamares, o tempo não volta.
Voltemos ao princípio para ver como tudo terminou.

sábado, 9 de julho de 2011

O Adeus do Homem de Aço


"Kal-El, no terceiro planeta do Sistema Solar você será um rei entre os homens. É uma raça imperfeita. Governe-os com força, filho, pois é daí que reside sua grandeza".

A jornada de um herói é baseada em obstáculos. Para que se possa amadurecer e evoluir é preciso, antes de mais nada, observar e aprender a retirar as pedras do seu caminho e, feito isso, colher os bons frutos daquela experiência. Sabedoria e aprendizado, diante dos desafios, são as chaves para um herói não cometer o mesmo erro duas vezes e finalmente conseguir trilhar o seu destino. Ironicamente, essa teoria também pode ser aplicada a nós.

No processo de crescimento pessoal e profissional, nos agarramos a todo conhecimento adquirido ao longo dos equívocos e acertos no intuito de encarar um obstáculo da maneira mais correta possível. E embora boas experiências fiquem guardadas na memória, sempre exercendo a função do relembrar, é preciso desligar-se de outras para poder seguir em frente. Não estou falando de esquecê-las completamente, apenas de guardá-las em um local especial. Primeiramente, claro, é necessário dizer adeus.


Há aproximadamente oito anos, minhas tardes de domingo começaram a ser destinadas a um único propósito: assistir um seriado na emissora SBT, intitulado de Smallville - As Aventuras do Superboy. Lembro-me que, naquela época, poucos eram os programas que atraíam minha atenção. Na verdade, acredito que foi após gostar de Smallville que passei a me interessar por outros seriados. Eu mal poderia imaginar que parte da minha jornada (assim como a de Clark) se iniciava ali, e tampouco seria capaz de prever até que ponto aquilo me levaria.

O seriado começa com uma chuva de meteoros massacrando a cidade de Pequenópolis (Smallville, no original). Acompanhando a chuva, veio uma nave alienígena que caiu nos milharais da região. Uma criança estava dentro da nave e foi criada pelo casal de fazendeiros Jonathan e Martha Kent. Com eles aprendeu todos os valores humanos, apesar das habilidades extraterrestres que se desenvolviam ao longo do tempo. Na adolescência, Clark Kent participava do jornal estudantil A Tocha, ao lado dos amigos Chloe Sullivan e Pete Ross, enquanto sofria de paixão platônica pela encantadora Lana Lang, seu primeiro amor, mas não a mulher do seu destino.


Nas primeiras temporadas, Smallville era voltada para o público jovem. Alguns até comparavam com Malhação, em uma versão americanizada e muito melhor. Talvez, no início, esse fosse um fator atrativo para mim e meus colegas de escola, visto que éramos adolescentes. Contudo, outro fato de interesse maior era descobrir como Clark Kent se transformaria no Homem de Aço e por qual razão sua amizade com Lex Luthor se dissolveria, tornando-os os inimigos que estavam destinados a ser. A maldade de Lex é explorada desde suas origens até o momento de total domínio sobre o lado bom, demonstrando que todo Luthor tem, por natureza, um extinto perigoso e doentio.

À medida que as temporadas iam passando, o seriado foi amadurecendo e entrando cada vez mais na mitologia do Superman. Clark descobre que veio de um planeta chamado Krypton, Lois Lane entra em cena, além de Brainiac, General Zod e outros inimigos lendários das HQs, como Doomsday e Darkseid. Também houve a entrada de novos cenários: a Fortaleza da Solidão, local em que Clark conversa com seu pai biológico, Jor-El, e o Planeta Diário, em Metrópolis. Isso sem mencionar as milhares de referências a outros heróis da DC Comics: Aquaman, Cyborgue, Flash, Arqueiro Verde e, nesta última temporada, há uma citação óbvia a Bruce Wayne.


Depois de 10 anos, Smallville chegou ao seu tão esperado fim. Mesmo que o seriado tenha perdido a qualidade das temporadas iniciais, ainda que tenha abordado enredos e personagens inexistentes na mitologia do Superman, todo o caminho foi preparado para que Clark Kent se tornasse o herói da humanidade, fortalecendo a ideia de que a história do Homem de Aço faz uma forte analogia ao cristianismo (E sim, há muitas semelhanças). Essa semana tive a chance de ver o episódio final, em que a Terra está prestes a colidir com outro planeta e Clark tem de esquecer todas suas inseguranças humanas para conseguir abraçar sua sina kriptoniana.

Desde seu início, os produtores de Smallville diziam que a série terminaria no instante em que Clark estivesse pronto para assumir sua identidade heroica e usar a vestimenta azul e vermelha. E assim foi. No capítulo derradeiro, além de ter o encontro decisivo com seu eterno oponente careca, o último filho de Krypton surge em seu momento de maior glória. Smallville cumpriu com seu objetivo ao desvelar todo o potencial de um fazendeiro, através de todos os testes e desafios, e fazê-lo acreditar em seu próprio destino e traçar sua jornada. Diante de um mundo que preza valores torpes e deploráveis, são histórias como as do Superman que nos fazem ter a esperança de tempos melhores e nos provam que, com uma dose de fé e paciência, um herói pode realmente salvar o dia.


ALGUMAS FRASES MARCANTES DO SERIADO:

"Todo predador é a presa de alguém".

“Aqueles que não gostam de poesia não percebem que ela é uma arma de sedução”

"Quanto maior a confiança, maior é a traição".

"Eu sou o vilão dessa história" - Lex Luthor.

"Não se deve ferir aquilo que não se pode matar".

"Grandes fortalezas não são destruídas por forças externas e sim por fraquezas internas".

"Um homem do futuro é moldado por suas batalhas atuais".

"A grandeza é um ar rarefeito que temos que aprender a respirar".

"As lições que aprendemos na dor são as que nos tornam mais fortes".

"Nunca subestime o valor dos excêntricos e malucos. Todo Arthur tem seu Merlim."

"Eu sou um homem... E sou de aço" - Clark Kent.

"Durante um tempo eu acreditei que éramos definidos por nossa família, depois pensei que fosse pelos amigos, mas aí olhando a história percebi que os grandes homens são definidos pelos seus inimigos. Nós somos grandes homens, Clark... Mas em lados opostos!" - Lex Luthor.

Uma breve retrospectiva (Narração em português):

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Meme Literário


À medida que o tempo vai passando, percebo que ainda tenho muito o que aprender no mundo dos blogs. Por exemplo, não tinha conhecimento algum a respeito da existência de um Meme Literário. Sim, o Menino das letras recebeu uma indicação através do convite de Fábio C. Martins, do blog Folhetim Online. Obrigado mais uma vez, cara! Pois bem, vamos lá. Espero não decepcionar...


I - EXISTE UM LIVRO QUE VOCÊ LERIA E RELERIA VÁRIAS VEZES?


Muito provavelmente, de todos os livros que já li na vida (e não foram poucos), este é o que fica mais próximo da primeira colocação no patamar das releituras. Markus Zusak construiu uma história que me cativou de diversas maneiras e que de certa forma mudou minha percepção com relação a determinadas coisas. Com Ed Kennedy aprendi que também posso ser um mensageiro. Todos nós podemos. Mesmo já tendo lido duas vezes, não me arrependeria de ler outra vez e mais outra. De jeito nenhum.


II - QUE LIVRO VOCÊ GOSTARIA DE TER LIDO MAS QUE, POR ALGUM MOTIVO, NUNCA LEU?


O Mundo de Sofia já vem me perseguindo há um bom tempo. Primeiramente o título sempre me chamou a atenção. Depois o interesse ficou mais acentuado nas aulas de Filosofia no 1º período da faculdade, e após ler a sinopse a curiosidade só fez aumentar. Para completar, o livro entrou para o acervo do curso de Letras na biblioteca da faculdade. Mesmo assim, prefiro ter o meu.


III - QUAL O LIVRO QUE LEU CUJA ‘CENA’ FINAL VOCÊ JAMAIS CONSEGUIU ESQUECER?


Esta categoria me deixou na dúvida entre "A Cabana" e "O Caçador de Pipas". Entretanto, embora ambos tenham seus momentos dramáticos e emocionantes, nenhum deles chega aos pés do final de A Menina que Roubava Livros. É possível não sentir a tristeza da pobre Liesel Meminger em meio à paisagem devastada e apocalíptica da Segunda Guerra Mundial? A própria Morte, que narra a história, fica com pena da menina. Liesel encontrou-se com a Morte 3 vezes e sofreu com as consequências de cada um desses encontros... Rudy Steiner que o diga. Ainda estou para ver outro final tão cruel. "Os seres humanos me assombram".


IV - VOCÊ TINHA O HÁBITO DE LER QUANDO CRIANÇA? SE LIA, QUAL TIPO DE LEITURA?


Se eu tinha o hábito de ler quando criança? É quase a mesma coisa de perguntar a um padre se ele sabe rezar uma missa. É claro, foi na infância onde tudo começou. Graças aos gibis de Maurício de Souza que eu adentrei no universo da leitura, e as aventuras da Turma da Mônica preencheram o meu imaginário por um longo e inesquecível tempo. Tive que começar com eles, e talvez não seria tão marcante se tivesse sido de outro jeito. Disso jamais vou esquecer.


V - QUAL O LIVRO QUE ACHOU “CHATO”, MAS QUE AINDA ASSIM, LEU-O ATÉ O FINAL? POR QUÊ?

Um aviso para quem ainda não sofreu com isso: só porque um livro despertou a sua atenção, não quer dizer que ele irá te proporcionar uma leitura excepcional. Ok, o autor pode até escrever bem, mas não rola aquela química, entende? Li porque um dos protagonistas é Leonardo da Vinci e caí na ilusão de que esse fator renderia um enredo extraordinário. O suspense é posto na dose certa e isso faz com que você queira saber como terminará, contudo, francamente, tem uns diálogos cansativos... O livro é salpicado de mistérios e quando chega o momento da grande revelação, o clímax não agrada tanto. Para quem gosta de política, história, ciência e religião misturados em um só ingrediente, pode ser um prato cheio.


VI -INDIQUE ALGUNS DE SEUS LIVROS PREFERIDOS (Essa vai para os amantes da Literatura Infanto-Juvenil).

A) Percy Jackson e os Olimpianos, de Rick Riordan;
B) As Chaves do Reino, de Garth Nix;
C) Diário de um Banana, de Jeff Kinney;
D) Harry Potter, de J.K. Rowling;
E) As Crônicas dos Kane, de Rick Riordan;
F) A Sétima Torre, de Garth Nix.


VII -QUAL LIVRO VOCÊ ESTÁ LENDO NO MOMENTO?


Na verdade eu não estou lendo nenhum livro no momento. Estou à procura de um que a faculdade pediu, e após este terei mais dois para ler. Desta forma, preferi optar por aquele que li por último, o primeiro volume de As Crônicas dos Kane. Rick Riordan, mais uma vez, deu um show de criatividade, misturando a mitologia egípcia com o contemporâneo. Demonstrou que pesquisou intensamente para dar vida à história dos irmãos Kane e nos mostrar um pouco da cultura do povo egípcio. Ação e aventura são alguns de seus sinônimos. Esse cara vai longe...



É isso. Espero ter feito alguém se interessar por pelo menos um destes livros.

OBS: Lembrando que alguns dos livros citados acima possuem resenhas críticas aqui no blog.