sexta-feira, 27 de junho de 2014

2014.2 vem aí!!!



Sim, 2014 encerra seu primeiro semestre e leva consigo todas as decepções e surpresas causadas pelo mundo do cinema. Com o limiar da chegada do segundo semestre, resta torcer para que bons filmes inebriem o espectador com suas qualidades e conteúdos. Segue abaixo uma lista com alguns trailers dos filmes mais esperadas para 2014.2. Qual será o melhor? Façam suas apostas!


Grande Hotel Budapeste:



Transformers: A Era da Extinção:



Planeta dos Macacos: O Confronto



Guardiões da Galáxia:



As Tartarugas Ninja:



O Doador de Memórias:



Sin City - A Dama Fatal:



Debi & Lóide 2:


Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1:


Interestelar:


Outros filmes que também irão estrear no segundo semestre:

Exodus;
Os Mercenários 3;
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos.

domingo, 22 de junho de 2014

Conta Comigo


"É como se Deus desse algo a você, cara. Todas essas histórias que você pode inventar... Ele disse: 'Isso é o que eu tenho para você. Tente não perder'. Crianças perdem tudo a menos que exista alguém que olhe por elas".

Em 2011, Steven Spielberg, em parceria com J. J. Abrams, lançou nos cinemas o filme Super 8, no qual tentaram resgatar alguns aspectos do gênero infanto-juvenil que arrebatou grande sucesso nas décadas de 1980 e 1990. Além de o objetivo ter sido alcançado com êxito, entregando ao público uma película incrível, elementos de suspense e ficção científica ajudaram a compor a trama.

Assistindo a Conta Comigo, longa-metragem de 1986, fica fácil de ver os alicerces em que Super 8 se apoiou, o que demonstra não apenas uma sábia decisão de Spielberg e Abrams, como também ajudou a relembrar que a qualidade de um clássico pode permanecer intacta por quase 30 anos, elucidando sua importância para as gerações futuras.
   

Ambientado no verão de 1959, o enredo discorre a respeito de um evento que marcou a vida de Gordie Lachance (Wil Wheaton) e seus amigos Chris Chambers (River Phoenix), Teddy Duchamp (Corey Feldman) e Vern Tessio (Jerry O’Connell). O quarteto vive em uma pequena cidade estadunidense chamada Castle Rock, onde há mais de três dias um garoto chamado Ray Brower desapareceu. O grupo descobre que o menino morreu e todos decidem traçar uma jornada parar encontrar o corpo.

Embora a história seja aparentemente simples e fraca, é na aventura do quarteto que o espectador reconhece a profundidade dos personagens. De início, o plano é encontrar o cadáver, levá-lo de volta à cidade e ganhar todo o prestígio que esse ato de heroísmo pode acarretar, mas à medida que avançam por meio da mata e da linha do trem, cada qual se vê diante de sua dura realidade; famílias dilaceradas pelo sofrimento e a falta de boas perspectivas para o futuro revelam o lado obscuro e dramático da obra.


Dirigido por Rob Reiner, o filme é inspirado em um conto chamado “O Corpo”, de Stephen King, e concorreu ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. O título original, Stand By Me, é o mesmo de uma canção de Ben E. King, a qual toca nos créditos finais e aparece suavemente em momentos-chave, colaborando com a ideia de saudosismo e amizade que se perpetua por quase toda exibição.

Com cenas memoráveis (a tentativa de escapar do trem, as sanguessugas no rio) e diálogos comoventes, não é de se admirar que alguns diretores ainda queiram produzir filmes que se equiparem a Conta Comigo, em que a coragem de crianças é posta à prova e suas responsabilidades ficam mais acentuadas do que a de adultos inertes e relapsos. Felizmente, Super 8 conseguiu, e resta agora esperar outras obras similares darem o ar da graça. Afinal, boas referências não faltam.



Às vezes acontece. Amigos entram e saem da nossa vida”.

Trailer:


sexta-feira, 13 de junho de 2014

O Azarão


Jurei que, se um dia eu tivesse uma namorada, eu a trataria direito e nunca seria mau nem safado com ela, nem a magoaria. Nunca. Jurei e tinha toda a confiança do mundo de que manteria a promessa”.

Em A Menina que Roubava Livros, Markus Zusak demonstrou todo o seu talento por meio da criatividade e da sensibilidade. Elementos que foram reprisados de maneira satisfatória em sua segunda obra publicada no Brasil, Eu Sou o Mensageiro. Entretanto, muitos leitores e fãs dos dois livros citados ainda não sabem que, antes de escrevê-los, Zusak começou sua carreira com uma trilogia.

O Azarão é o primeiro volume da Trilogia dos Irmãos Wolf, o qual foi lançado aqui pela editora Bertrand Brasil. E mesmo este sendo voltado para o público juvenil, já fica evidente no decorrer da leitura uma das características mais marcantes das tramas de Zusak: a narração em primeira pessoa.

Cameron Wolf é um adolescente de 15 anos e o caçula de quatro filhos. Sua família é aparentemente normal, mas sob a ótica do garoto fica bastante claro a desordem e o abismo existente entre cada um deles. Rube, seu terceiro irmão, é o único com quem ele tem mais afinidade e, mesmo assim, não é das melhores; ambos estão sempre tentando arquitetar roubos.

Em meio a planos frustrados e lutas de boxe, Cameron resolve trabalhar com seu pai nos finais de semana e acaba conhecendo Rebecca Conlon. Nela está a oportunidade de se relacionar com uma garota real e também a esperança de ele se tornar um menino mais normal e, talvez, feliz.

Do mesmo modo em que ocorre nas outras obras de Markus, a narração aproxima o leitor do personagem e faz com que seja possível sentir e compartilhar de todas as dores, incertezas e batalhas pessoais dos indivíduos envolvidos no enredo. E, por ser uma história focada em um adolescente inseguro, inconsequente, que busca um dia mudar de rumo e adquirir respeito, as emoções são mais latentes e profundas.

Com apenas 175 páginas, O Azarão é uma breve representação do que é a vida de um jovem de baixa autoestima dentro do processo de amadurecimento. O final de cada capítulo é composto por um sonho, o que reflete os medos, desejos, crenças e o novo olhar que Cameron tem de cada pessoa da sua família. Sendo este o primeiro livro que escreveu, Markus Zusak deixou claro a que veio e mostra aquilo que seus personagens têm de melhor: a veracidade dos sentimentos, o compromisso com a vida, e a incansável vontade de lutar contra o mundo.

"Sabe, eu nunca fui um cara com um monte de amigos. Meio que fiquei na minha. Odiava isso, mas também me orgulhava. Cameron Wolf não precisava de ninguém. Não precisava estar no meio do bando. Nem todo mundo gosta de andar por aí. Não, precisava apenas do instinto. Precisava apenas era dele mesmo, e poderia sobreviver às lutas de boxe no quintal de casa, aos roubos e a qualquer outra vergonha que viesse pela frente. Então, por que me sentia tão estranho agora?
 
Vamos ser sinceros. Tinha que ser por causa da garota".

sexta-feira, 6 de junho de 2014

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido


Tantas batalhas travadas por tantos anos e, ainda assim, nenhuma delas foi como esta. Estaremos destinados a nos destruir? Ou podemos mudar quem somos e nos unir? O futuro já está determinado?”. 

A Marvel, ao que tudo indica, está fazendo escola. Ou, no mínimo, tentam seguir o seu exemplo. O universo coeso estabelecido em seus filmes, o qual convergiu em Os Vingadores, demonstrou que as aventuras vividas nos quadrinhos podem também ganhar autonomia nas telonas. A DC Comics parece ter entendido isso tarde demais e agora batalha para lançar a versão cinematográfica de Liga da Justiça

Desse modo, a Fox não poderia ficar atrás e, na tentativa de reproduzir o sucesso alcançado pela Marvel, utilizou a franquia dos filhos do átomo para criar um grande evento e unir as duas gerações já mostradas no cinema. Bryan Singer, diretor de X-Men e X-Men 2, retorna à direção daquele que poderia ter sido o filme mais promissor dos mutantes.


Promissor no sentido de corrigir os erros cometidos anteriormente e fornecer à franquia uma merecida coesão. O esforço de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido é, pelo menos, louvável. A trama é inspirada na HQ de mesmo título e dividida em duas realidades. No futuro apocalíptico, protagonizado pelo elenco da trilogia original, a maioria dos mutantes existentes no planeta foram exterminados pelas Sentinelas, criaturas desenvolvidas pelo Governo para extinguir toda e qualquer criatura mutante. 

Diante dessa ameaça mortal, os X-Men sobreviventes decidem enviar alguém ao passado no intuito de que a guerra sequer comece. O escolhido é Wolverine (Hugh Jackman), que após ter a consciência enviada para a década de 1970, tem como objetivo convencer os personagens apresentados em X-Men: Primeira Classe, especialmente Charles Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender), de que o futuro pode ser reescrito. Para evitar as calamidades que o destino reserva, eles precisam impedir que Mística (Jennifer Lawrence) mate Bolivar Trask, criador das Sentinelas.


A ação está ótima e as cenas do futuro são pesadas e fortes, o que acrescenta mais drama em todo o percurso do enredo. Como o longa se passa mais no passado, os méritos conquistados em Primeira Classe retornam; a relação de Xavier e Magneto está mais tensa e instável devido aos fatos ocorridos em Cuba. Eventos históricos, como a morte de JFK e a Guerra do Vietnã fortalecem a obra e a presença de Mercúrio no Pentágono é simplesmente fantástica. 

Diferente do que muitos pensavam, desta vez Wolverine não tira o brilho dos outros personagens. Sua função no roteiro é criar e fortalecer laços, mas o clímax pertence realmente ao Xavier de McAvoy, o Magneto de Fassbender e a Mística de Lawrence, cujos desempenhos estão esplêndidos em cada cena que dividem (Destaque para Magneto, que faz um estádio de futebol levitar).


No entanto, por envolver viagem no tempo, era de se esperar que os produtores tivessem cuidado em certos detalhes, se a coerência da franquia fosse de fato o verdadeiro foco. Afinal, eles não aprenderam nada com os ensinamentos dos clássicos De Volta Para o Futuro, Exterminador do Futuro, ou até mesmo o recente Looper? Como o Xavier do futuro recuperou seu corpo, considerando os acontecimentos de X-Men 3? Desde quando Kitty Pryde tem a habilidade de fazer a consciência de alguém viajar no tempo? Wolverine – Imortal faz parte da cronologia oficial da série ou não? E quais as ações que Logan realizou no passado que foram responsáveis pelo futuro apresentado no final? 

Ao fim de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, fica a dúvida do que a Fox pretende fazer a seguir. Eles vão aposentar o elenco antigo ou reaproveitá-lo? Ao menos divulgou-se que a trama do próximo filme, X-Men: Apocalipse (veja a cena pós-crédito), vai acontecer na década de 1980 e mostrará a segunda geração da escola de mutantes. A Fox chegou perto de reprisar o que a Marvel conquistou, porém, talvez o momento certo ainda esteja longe de acontecer. O futuro permanece nebuloso. 

Trailer:

sexta-feira, 30 de maio de 2014

E após quatro anos, fez-se a animação



A história nos conta que Alice, ao adentrar na toca do coelho, fica assustada e ao mesmo tempo encantada com o maravilhoso mundo novo que se apresenta diante de seus olhos. Essa mistura de sentimentos não é nada incomum, uma vez que a novidade gera múltiplas possibilidades de sensações. Por consequência, o olhar fica mais crítico em relação ao que o cerca, à medida que, lá no interior, cresce uma vontade de desbravamento, de descoberta. Uma vontade de ir além. 


Atrevo-me a dizer que, há exatamente três anos, pude conhecer o meu País das Maravilhas – Fragmento da postagem do terceiro aniversário do Menino das Letras, há um ano. 

A arte existe porque a vida não basta”, foi o que falou o poeta brasileiro Ferreira Gullar, quando questionado a respeito de suas atividades poéticas. Do outro lado do Atlântico, o filósofo alemão Nietzsche disse certa vez que a arte deve embelezar a vida e, por conseguinte, ela existe para que a cruel realidade não nos destrua. De modo curioso, embora sejam de culturas distintas, ambos conceituaram muito bem algo que salva (e continua salvando) nossas vidas. 

A habilidade de parar para apreciar um objeto artístico e cultural, seja sua essência complexa ou simplória, reacionária ou livre de qualquer barreira, é uma maneira de escapar das misérias que afligem a sociedade e, inevitavelmente, nosso cotidiano. Há quatro anos, quando criei o Menino das Letras, não imaginei que o meu produto fosse chegar tão longe, e tampouco a este nível. 

Ainda é um pouco surreal, sabia? Olhando para trás e comparando com hoje, os fatos falam por si. O que antes era aparentemente o passatempo de um estudante do curso de Letras tornou-se algo sério; algo feito por um profissional de Letras. Os leitores foram acompanhando essa mudança e pelo visto o encantamento pelo mundo da arte só fez aumentar. 

O Menino das Letras provou que as pessoas sentem carência por arte. Com os temas cinema, literatura, músicas, e no último ano o acréscimo de quadrinhos, surpreendo-me com a ideia de que pessoas acessam a página mais de uma vez por semana. Indivíduos que veem na arte um refúgio, a possibilidade de que ainda há esperança para a vida ser menos atroz e mais bonita. 

E assim como os leitores, eu me encantei com o encantamento deles, e cá estamos para comemorar o quarto ano do blog. E pela quarta vez consecutiva, o que me resta é agradecer pela paciência e boa vontade de cada um que reserva um tempo do seu dia para ler as postagens ou visitar a página no Facebook. É graças a você e à sua busca por cultura que hoje o blog possui mais de 52 mil visualizações e quase 200 curtidas no Facebook. 

No decorrer de 185 postagens, arrisquei-me pelos caminhos linguísticos textuais no intuito de passar informações relevantes sobre diversas obras. Ao que parece, isso agrada algumas pessoas. Continuarei tentando, na medida em que for possível, compartilhar e propagar conteúdos artísticos, pois, assim como Gullar e Nietzsche, creio que a arte desempenha uma função crucial em nossas vidas. 

Agradeço aos leitores espalhados pelo Brasil afora e também aos leitores de Portugal, Estados Unidos, Rússia, Alemanha, Malásia, Ucrânia, Canadá, Índia, China, e outros que por ventura eu tenha esquecido de mencionar. E não posso deixar de agradecer a você – sim, você mesmo – que está comigo neste momento. Muito obrigado. 

Aproveite a festa! Ela também é sua.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Godzilla


A natureza tem uma lei: o poder de restabelecer o equilíbrio”.

A versão de 1998 de Godzilla, primeira produzida nos Estados Unidos, trouxe algumas diferenças com relação ao pioneiro filme de 1954. No original, o ataque do monstro acontecia no ocidente, enquanto no remake ocorria na cidade de Nova York. Além disso, na versão americana, o gigante se reproduzia de maneira assexuada e seus filhotes, em vez de mutações, pareciam ter saído diretamente de alguma jaula do Jurassic Park. 

Apesar dessas divergências, ambos se assemelham por se tratarem de produções com teor catastrófico. E como a tendência é que a computação gráfica evolua cada vez mais, o remake de 2014 não poderia deixar a desejar e traz consigo balbúrdia e destruições em proporções colossais. 

Dessa forma, Godzilla chega não apenas para homenagear o clássico de 1954; é também um verdadeiro espetáculo visual, o que já fica evidente desde o prólogo. Em 1999, uma usina é destruída no Japão devido a um acidente repleto de mistério. Passado quinze anos, o cientista Joe Brody (Bryan Cranston) ainda tenta entender por qual razão a usina sucumbiu e, consequentemente, aceitar de uma vez por todas a morte de sua esposa.


Ford Brody (Aaron Taylor-Johnson), filho do cientista e protagonista da película, cresceu tendo que escutar as teorias paranoicas do pai e descobre, do pior modo possível, que elas estavam certas: criaturas que habitam as profundezas do oceano, que vivem na Terra desde o período jurássico, subiram à superfície para se alimentarem da radiação de tecnologias modernas. 

E é daí que vem o monstro que dá título ao filme. Godzilla é enorme (gordinho, por sinal) e sua presença se faz extremamente imponente quando ele libera o seu rugido, de uma ressonância tão titânica e assombrosa, que é capaz de eriçar todos os cabelos do corpo. Porém, talvez o mais interessante entre toda a estética espantosa do réptil seja o fato de vê-lo em uma posição heroica.


Esse é o primeiro longa de grande orçamento que o diretor Gareth Edwards comanda e já fica notável sua habilidade em não desperdiçar tempo com detalhes excessivos. Pois, mesmo sendo um filme-catástrofe, os efeitos especiais são usados sem a preocupação de encher os olhos do espectador exageradamente igual fizeram outros filmes do gênero, como 2012 e O Dia Depois de Amanhã

Mas, ainda assim, caiu nos mesmos clichês clássicos de tais produções. A mania de colocar o herói em diversos perigos e sempre fazê-lo escapar das situações mais inusitadas parece ser um elemento obrigatório a se incluir no pacote dessas narrativas. Embora, por incrível que pareça, há casos em que essa fórmula continua funcionando.


Considerado um dos filhos da Era Atômica, e uma das personificações das bombas lançadas na Segunda Guerra, citações a certos eventos históricos e armamentos bélicos não poderiam faltar neste Godzilla. Ele pode não ser rápido quanto os monstros de Círculo de Fogo ou tão brutal como os robôs de Transformers, mas a destruição que causa em suas batalhas é deveras semelhante. E, diferente da versão de 1998, parece que agora o gigante dos mares recebeu sua merecida homenagem e sua popularidade o fará sair das profundezas. Um viva ao Rei dos Monstros!

"A arrogância do homem o fez acreditar que tem a natureza sob controle... E não o contrário".

Trailer:


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Piteco - Ingá


A beleza é o melhor disfarce da morte”.

Para os desinformados, a Pedra do Ingá fica localizada na região agreste da Paraíba e contém, por toda sua extensão de 24 metros, inscrições e símbolos rupestres. Alguns arqueólogos acreditam que tais desenhos foram feitos entre 2 mil a 5 mil anos atrás por uma finada civilização, e a pedra em si foi tombada em 1944, sendo seu mistério igualmente comparado com a Stonehenge. 

Talvez esse dado histórico tenha servido de estopim para o artista paraibano Shiko traçar a base do enredo da graphic novel Piteco – Ingá. O quadrinho, precedido pelo belíssimo Turma da Mônica – Laços e o hilário Chico Bento – Pavor Espaciar, encerra o primeiro ciclo de publicações do projeto Graphic MSP, cuja intenção é utilizar os personagens clássicos de Mauricio de Sousa sob novas perspectivas.


Felizmente, assim como ocorreu em Laços, as aventuras vividas por Piteco em Ingá, aqui com o mérito de acontecerem na região nordeste do país, ajudaram a reacender a chama da infância. Na trama, o povo de Lem precisa encontrar outro local para morar, visto que o rio que os abastece está na iminência de secar. Entretanto, Piteco não pode acompanhar a sua tribo porque Thuga, sua quase-namorada, foi sequestrada pelos homens-tigre. 

Com a ajuda do imprevisível amigo Beleléu e da guerreira Ogra, Piteco parte em uma jornada no intuito de resgatar Thuga. Por se tratar de um cenário pré-histórico, perigos não poderiam faltar na perambulação desses heróis, e há espaço para confrontar monstros, passear em dinossauros e até encontrar as versões jurássicas do Curupira e do Boitatá. 


O trabalho de Shiko é indiscutivelmente magnífico. Além de ser responsável pelo roteiro do quadrinho, o paraibano também cuidou de todo o desenho, o que reflete os anos de prática exercidos na esfera das artes plásticas e também no grafite. E, pelas figuras terem sido pintadas em aquarela, as cores vivas e intensas ajudam o leitor a adentrar com mais veracidade na história, desde as cenas áridas até às florestas verdejantes. 

A proposta de releitura certamente é voltada para um público mais adulto, uma vez que Shiko não poupa restrições nas lutas (Sim, temos sangue aqui) e nos traços minuciosos dos personagens. Com Piteco – Ingá, Shiko acrescenta aventura, humor, realismo e romance ao universo de Mauricio de Sousa e ainda consegue, quiçá propositadamente, lançar mais mistérios sobre a Pedra do Ingá, tornando-a mais lúdica e, sobretudo, divertida. 

O destino também é um rio”.