sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Interestelar



Nós não estamos destinados a salvar o mundo. Estamos destinados a deixá-lo”.

Existem fatos que a indústria do cinema não pode negar. Inúmeras são as referências de filmes marcantes que trouxeram contribuições tanto de enredo e teorias, quanto de efeitos técnicos. E se o cinéfilo devoto fizer uma retrospectiva dos filmes que mais se destacaram nos últimos dez anos, provavelmente pelo menos uma obra do diretor Christopher Nolan estará na lista. 

É indiscutível o trabalho revolucionário que Nolan fez com a trilogia Batman – O Cavaleiro das Trevas. Há poucos exemplos de longas que trouxeram um herói para tão perto da realidade. E durante os intervalos dos filmes do Homem-Morcego, o diretor ainda teve tempo de entregar ao público produções mirabolantes e inquietantes, como O Grande Truque e A Origem.


A Warner Bros. tem muito a agradecer pelos rios de dinheiro que as obras de Nolan garantiram à empresa. E com a confiança estabelecida, ele tem autonomia suficiente para propor qualquer projeto, seja de natureza complexa ou absurdamente inconcebível. E assim chega sua recente produção, Interestelar, que, assim como foi feito em seus outros filmes, promete levar muitos questionamentos à imaginação do espectador. 

A estreia de Nolan na ficção científica tem uma premissa interessante. Em um futuro não determinado, os recursos naturais da Terra estão praticamente exauridos. Uma praga se alastrou e, pouco a pouco, dizima milhares de plantações. O fazendeiro e engenheiro Copper (Mattew McConaughey) é convocado pela NASA para pilotar uma nave que pode ser a última esperança do planeta.


A tripulação desta nave é composta por cientistas, entre eles a doutora Brand (Anne Hathaway), e o objetivo da missão é viajar até a órbita de Saturno, na qual se encontra um buraco negro. Atravessando o “buraco de minhoca” e, portanto, entrando em outra galáxia, a equipe terá de encontrar um planeta que seja o mais parecido possível com a Terra, antes que toda a raça humana seja extinta. 

É perceptível algumas marcas registradas que não podem faltar na cinematografia de Nolan; a parceria com o compositor Hans Zimmer, por exemplo, que aqui mais uma vez revela que sua criatividade continua se expandindo. Sua trilha sonora funciona muito bem em momentos de tensão e expectativa, enaltecendo a importância de determinadas cenas. A técnica da direção de arte também se destaca, sobretudo no espaço; Saturno mal parece que foi gerada por computação gráfica; o planeta da água e do gelo são visualmente fabulosos; a cena em que a nave se aproxima da gargântua é simplesmente belíssima.


A atuação de McConaughey, cujo mote de querer voltar para os seus filhos lembra um pouco o personagem de Leonardo DiCaprio em A Origem, sustenta quase toda a parte emotiva e o restante do elenco é responsável por carregar o teor científico que o filme expõe. Era preciso que fosse no mínimo convincente, pois até mesmo as teorias esmiuçadas têm princípios verídicos estabelecidos pela física quântica. 

Interestelar também potencializa alguns temas que antes foram abordados superficialmente nos longas de Nolan. O amor talvez seja o fio condutor de toda a trama e, como um dos personagens desabafa, é capaz de quebrar a barreira do tempo e espaço, gerar fé e a autoconfiança de que o Homem pode realizar grandes coisas quando se devota ao bem.


Infelizmente, existem deslizes que poderiam ter sido facilmente evitados. Como se a situação dos personagens já não fosse crítica e alarmante o bastante, surge um “vilão” dotado com discursos desnecessários e crises de consciência. E tem mais: há um trecho do roteiro que poderia ser alterado ou reescrito com uma solução mais coerente, e isso acaba por comprometer parte do final. No entanto, é possível que seja apenas mais uma artimanha do diretor para semear indagações conflitantes na mente do espectador. 

Com duração de quase três horas, Interestelar tentou homenagear outra grande obra do gênero: 2001 – Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick. Entretanto, é sensato não comparar ambos, uma vez que é evidente que cada qual tem suas respectivas características e legados distintos. Sem dúvida, é mais um filme marcante para o histórico de Christopher Nolan e para todo cinéfilo que sente prazer pelo desconhecido e que consegue ver as respostas nas entrelinhas. Ou, metaforicamente falando, prefere procurá-las na vastidão do espaço.

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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Boyhood - Da Infância à Juventude



Sabe quando dizem para aproveitar o momento? Não sei, mas acho que é ao contrário. Como se o momento nos aproveitasse”.

Nos minutos finais de Boyhood – Da Infância à Juventude, dois personagens chegam à conclusão catártica de que os momentos se aproveitam de nós. Essa sensação perpassa todo o filme de Richard Linklater (Escola do Rock), uma vez que a narrativa é estruturada por tais eventos que marcam o caráter de uma pessoa e que mudam a trajetória de sua vida. 

A ideia é simples e pura: se considerarmos o fato de que somos criaturas históricas, situadas historicamente na sociedade, por que não transmitir essa emoção da maneira mais real possível por meio da arte? Quebrando as barreiras da dúvida e da paixão pela profissão, Linklater elaborou seu último – e mais ousado – projeto cinematográfico; rodar um longa que acompanhe a transição de alguém da infância até o instante de ingressar na faculdade. Neste caso, uma produção que demorou doze anos literais para ficar pronta.


A premissa do roteiro é básica, sem intenções de grandezas. O enredo tem início com Mason (Ellar Coltrane) no ensino fundamental. Logo fica claro qual é o retrato de sua condição: segundo filho de um casal divorciado, subordinado a acompanhar as mudanças pelas quais sua mãe passa. No processo dessa jornada, o garoto vai descobrindo as sutilezas e mazelas que a vida pode proporcionar, desde os interesses por videogame e outros elementos da cultura pop, ao uso do álcool e a incerteza de qual carreira profissional pretenderá seguir. 

Sim, sob um olhar resumido, é um filme que não tem muito a oferecer a quem assiste. Todavia, à medida que a exibição progride, as identificações começam a surgir, pois trata-se de uma obra de documentação histórica, algo que remete um pouco a Forrest Gump. As vicissitudes dos personagens são perceptíveis, pois a fisionomia dos atores também se modifica.


Afinal, o elenco participou das gravações entre 2002 e 2013, brincadeira similar a que Linklater utilizou na sua famosa trilogia Antes do Amanhecer, Antes do Pôr do Sol e Antes da Meia-noite, de modo que fortalece o argumento do projeto e traz o vago sentimento de que, à medida que o tempo passa, a vida que se desenrola ali é de alguém conhecido. 

Durante os doze anos de filmagem, o roteiro passou por diversas alterações para condizer com determinados eventos. Portanto, músicas marcantes e temas como 11 de setembro, eleições presidenciais, Star Wars, Harry Potter, Batman e outros não poderiam passar despercebidos.


Com referências que enaltecem a obra e também pela adoção da veracidade, Boyhood ganha pontos por uma simplicidade capaz de gerar profundas reflexões, igual àquela feita nos minutos finais. Certamente é um filme que não serviu apenas para marcar a carreira de Richard Linklater e tampouco para entreter o espectador por quase 3 horas, mas, sobretudo, para dizer que, se a vida é história, cada vida contém um filme em si. E o resultado não pode ser menos que espetacular.

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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Jumanji



O homem da floresta escura, caça em você a criança pura”.

Uma das vantagens de jogar RPG, como a própria tradução anuncia, é a oportunidade que os jogadores têm de interpretar seus personagens, aguçando suas capacidades de imaginação. Embora vários dos participantes desse estilo de jogo levem as regras muito a sério, eles estão guarnecidos com o pretexto de que tudo gira em torno de uma ficção. 

O problema de Jumanji é que o jogador não tem tal opção e cada lance de dados pode gerar resultados decisivos, inusitados e fatais; toda jogada significa que algo sairá do jogo, colocando os participantes em perigo real. No ano de 1969, Alan Parrish e sua amiga Sarah Whittle descobrem isso da pior maneira e o pobre garoto é lançado para dentro de um misterioso tabuleiro que encontrou nos entulhos de uma construção, fadado a ali ficar até que surja outro participante que o salve.


Vinte e seis anos depois, os irmãos Judy (Kirsten Dunst) e Peter vão morar na velha mansão da família Parrish. Ambos acabam encontrando o jogo de nome “Jumanji” e o iniciam, libertando o já adulto Alan (Robin Williams). O infortúnio é que os irmãos começaram a mesma partida que Alan não conseguiu terminar em outrora, e para que todas as coisas que saíram do jogo voltem ao seu local de origem e o equilíbrio seja restaurado, o jogo tem que ser encerrado. 

O filme, baseado na obra de Chris Van Allsburg, foi lançado em 1995 e é considerado um clássico pelo teor aventureiro e os sofisticados efeitos visuais que, para a época, foram somente possíveis graças aos avanços alcançados em Jurassic Park. O clima juvenil e cômico foi bem aproveitado pelo diretor Joe Johnston (Capitão América: O Primeiro Vingador), o qual possui uma aclamada experiência na área pelo também nostálgico Querida, Encolhi as Crianças.


Mas não apenas de aventura vive Jumanji. A temática família, coragem e amizade permeiam o filme, alicerces das variadas emoções que os personagens demonstram nas situações de perigo. Mais um ingrediente a ser acrescentado no sucesso que, ainda na década de 1990, rendeu um desenho animado retratando o mundo que existe dentro do jogo.


Curiosamente, outro longa-metragem chamado Zathura é considerado uma extensão de Jumanji; a diferença é que seu cenário é o espaço sideral. As comparações são inevitáveis, pois a aventura espacial é inspirada em outro livro do mesmo autor. Ainda assim, é preciso de algo maior para dissipar da memória a fantástica história com a qual Jumanji presenteia o espectador e, além disso, é ótimo rever Robin Williams em seus anos dourados. Para os insaciáveis jogadores de imaginação fértil, Jumanji sempre será uma boa inspiração; para o saudoso espectador, serve como o manual de uma boa diversão e a nostálgica sensação de que por mais que a partida termine, sempre haverá alguém disposto a jogar outra vez.

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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Maze Runner - Correr ou Morrer



Você é diferente. Você é curioso”. 

A distopia, atualmente, parece ser a bola da vez no âmbito das ficções-científicas. E como se a coincidência não bastasse, a maioria dos filmes com essa temática são inspirados em obras literárias, sendo Jogos Vorazes o líder da lista. Um futuro pós-apocalíptico, no qual só é possível ver o rastro de luz sob o olhar juvenil, não é apenas um prato cheio para a garotada como também é capaz de despertar a atenção do público mais adulto. 

Maze Runner – Correr ou Morrer é mais um produto de tal filosofia. Baseado na obra de James Dashner, o longa mal tem início e já mostra a que veio: mexer com o emocional do espectador. A primeira cena é a responsável pela apresentação do protagonista Thomas (Dylan O’Brien), que está preso em um elevador e sem memória de quem é ou o que fez antes de entrar ali. 

O fim da subida o leva até à Clareira, local onde, uma vez por mês, por razões desconhecidas, um novo menino é enviado para conviver com o grupo de rapazes que já moram ali há anos. O lugar é cercado pelas enormes paredes de um labirinto que se abre e fecha, respectivamente, no início e final de cada dia. Se alguém ficar preso no labirinto tem poucas chances de sobreviver, pois no interior da construção habitam criaturas medonhas e mortíferas.


Cada pessoa na Clareira tem sua função, e entre eles há os chamados corredores. O objetivo deles é percorrer o labirinto durante todo o dia no intuito de mapeá-lo e encontrar uma saída. Contudo, Thomas é curioso, e não demora que ele questione quem os colocou ali e quem controla o labirinto. Com isso, regras começam a ser quebradas e as consequências acabam se revelando destrutivas. 

O longa é exibido de maneira surpreendente, uma vez que foi dirigido pelo iniciante Wes Ball. O novato não fez feio, entregando uma trama com suspense contido e ação desenfreada; todas as cenas do labirinto são fabulosas e a preparação de elenco trabalhou bem nos momentos em que os corredores precisam escapar das paredes imprevisíveis e claustrofóbicas da monumental construção.


Infelizmente, a produção se preocupou mais com a ação do que com o desenvolvimento de personagens. Teresa (Kaya Scodelario), por exemplo, mal surge e já mergulha na adrenalina do enredo. A relação mais interessante talvez seja entre Thomas e Gally (Will Poulter), a qual remete às figuras de Moisés e Ramsés; este, o eterno relutante; o outro, defensor e guia da liberdade. 

Maze Runner, porém, é o típico filme pensado para se firmar uma franquia, assim como outras produções de temas similares. É provável que, devido a isso, os questionamentos e os mistérios levantados decepcionem um pouco, pois não serão resolvidos aqui e o gancho no final é mais do que explícito. O lado bom, pelo menos, é que a corrida começou bem e, se mantiver o fôlego, não haverá percalços no caminho e tampouco vergonha ao alcançar a linha de chegada. Ainda tem muito chão pela frente.


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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

As Tartarugas Ninja



Santa tartaruga!”.

Em meados da década de 1980, os jovens Kevin Eastman e Peter Laird quebravam a cabeça para criar uma história que fizesse sucesso. Após alguns debates e doses de álcool, a dupla, inspirada por ícones como Frank Miller e HQ’s de X-Men, conseguiram desenvolver um enredo a respeito de tartarugas mutantes adolescentes, as quais eram versadas em artes marciais e viviam na clandestinidade dos esgotos de Nova York. 

As revistas em quadrinhos dos quelônios renderam sucesso, e como a fórmula resultou em lucros além do imaginável, não demorou para o fenômeno ser transportado à TV e ao cinema, confirmando o que muitos já sabiam: o estilo das tartarugas conquistou o público em geral. Com um legado que perpassa três décadas, respeitando a origem e utilizando as referências certas, fica até fácil chamar a atenção do espectador contemporâneo. 

É bastante provável que tenha sido pensando dessa maneira que o produtor Michael Bay (diretor de Transformers), juntamente com o diretor Jonathan Liebesman (Fúria de Titãs 2), decidiu mexer os pauzinhos. E sabendo que muitos jovens se satisfazem com efeitos visuais elaborados e cenas de ação mirabolantes, ambos não pouparam esforços e trouxeram As Tartarugas Ninja ao século XXI.


O roteiro não fugiu do cânone naquilo que se refere à gênese dos quelônios. As tartarugas têm seus sistemas afetados por uma substância mutagênica, esta sendo a responsável pelos traços humanoides que elas adquirem. Exiladas no esgoto, são criadas por mestre Splinter e batizadas com os nomes de quatro grandes artistas do Renascimento: Leonardo, Raphael, Donatello e Michelangelo. 

A cidade está sofrendo com os incansáveis ataques do Clã do Pé, liderados pelo Destruidor, e a repórter April O’Neil (Megan Fox) segue os rastros desse grupo em busca da matéria que vai mudar sua vida, até cruzar com o quarteto mutante. E logo o filme começa a revelar falhas; April conduz o enredo de tal forma que as tartarugas ficam quase em segundo plano. Todo espectador deve concordar que a beleza de Megan Fox é deslumbrante, mas suas aparições algumas vezes são desnecessárias, especialmente no clímax.


O roteiro se perde em sua própria função. Com boas piadas e momentos de drama, os produtores precisam decidir se o público alvo são as crianças ou os adultos, e isso reflete nos personagens; vilões com motivações tão frágeis e opacas quanto os “finais” que lhes foram concebidos. Felizmente, acertaram com sabedoria nos efeitos especiais. Criadas por captura de movimento, a estética das tartarugas está esplendorosa. 

As cenas de ação também merecem elogios, muitas das quais foram feitas exclusivamente para o 3D e cumprem com eficiência a sua finalidade. Em suma, As Tartarugas Ninja é um bom filme para se divertir e passar o tempo. Michael Bay mais uma vez conseguiu engatilhar uma franquia que vai render cachoeiras de dinheiro. No entanto, fica a incógnita, e apenas o futuro dirá se os produtores vão utilizar a mesma esperteza dos criadores e fazer com que o quarteto ninja saia do esgoto e vença as mazelas da sétima arte.

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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Inferno


Os lugares mais sombrios do Inferno são reservados àqueles que se mantiverem neutros em tempos de crise moral”. 

O termo “dantesco” é comumente relacionado ao escritor florentino Dante Alighieri porque o mesmo é o autor de uma obra grandiosa e atemporal, na qual um homem (o próprio Dante) precisa atravessar o Inferno, Purgatório e Céu para reencontrar-se com sua amada. O livro, que possui uma narrativa épica com elementos teológicos, tornou-se referência na literatura universal. 

A Divina Comédia de fato é uma obra rica em informações e reflexões, tendo inspirado centenas de artistas. Talvez um dos mais famosos e recentes desses admiradores seja Dan Brown, que em seu livro Inferno utilizou-se da obra de Dante como a bússola para guiar o professor e simbologista Robert Langdon em uma nova jornada. 

Certa noite, Langdon acorda em um hospital em Florença, com um ferimento na cabeça e perda de memória. Sem saber como foi parar ali, ele pede a ajuda da Dra. Sienna Brooks. No entanto, antes que a médica possa fazer qualquer coisa, ambos são atacados por uma assassina cuja missão é matar Langdon. 

Após uma eletrizante fuga, Robert descobre um objeto peculiar dentro do seu paletó. Nele está a pista do que o professor esteve fazendo nas últimas 36 horas; curiosamente, ele foi à Florença para seguir os vestígios que alguém deixou para ele. Evidências que apenas um bom conhecedor de simbologia e leitor fanático da Divina Comédia conseguiria identificar. 

Com o passar do dia, na companhia de Sienna, a trama se desenrola e os dois acabam descobrindo que o responsável por tais pistas não é apenas um homem rico e inteligente, mas também um cientista com a deturpada visão de que, para que a humanidade não fique diante de um iminente evento cataclísmico, bilhões de pessoas precisam morrer. Dessa maneira, é necessário que Robert e Sienna corram contra o tempo antes que um mal desconhecido se alastre pelo mundo. 

Assim como fez em O Código Da Vinci e Anjos e Demônios, Dan Brown constrói a narrativa de Inferno ao redor de um intenso suspense que prende o leitor desde as primeiras páginas. O enredo contém explicações didáticas a respeito de temas relativos à ciência biológica e social, convergindo áreas distintas para um clímax interessante. Além disso, faz um passeio por algumas cidades europeias de um modo tão detalhado e específico, que fica notável a abundante pesquisa que Brown fez para desenvolver a trama. Todavia, vez ou outra a descrição exacerbada torna a leitura cansativa. 

Inferno também é repleto de reviravoltas, diferente do morno Símbolo Perdido, revelando que aquilo que antes parecia não ser tão simples para o professor Langdon agora pode se expandir ao resto do planeta. E como de costume, o livro é considerado um fenômeno e sua versão cinematográfica já está confirmada. Em seu isolamento, Dante criou uma obra que para alguns da época foi considerada transgressiva. Hoje a sua importância e valor são imensuráveis. Destino irônico à parte, o incrível permanece dantesco. 

Busca e encontrarás”.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Guardiões da Galáxia


Eu olho para nós e sabem o que vejo? Perdedores. Mas a vida está nos dando uma chance”.

Durante os créditos finais de Thor – O Mundo Sombrio, é exibida uma cena em que o Colecionador (Benicio Del Toro) recebe um determinado item de procedência duvidosa e valor inestimável. A cena em questão era mais uma evidência do quebra-cabeça que a Marvel está tentando montar e, para os cinéfilos desinformados, faz conexão direta com a trama de Guardiões da Galáxia

Essa talvez seja a aposta mais arriscada que a Marvel já fez para um filme. Além de apresentar ao público uma equipe pouco conhecida, o gasto que a produção teve foi bastante considerável. Era primordial que a aventura arrecadasse bons lucros e que o enredo trouxesse mais graça e conteúdo ao universo que a indústria está construindo. Felizmente, o resultado não revelou apenas um roteiro cativante que exalta a amizade, como também personagens com um potencial de atingir as estrelas. 

No ano de 1988, o jovem Peter Quill (Chris Pratt) é abduzido após a morte de sua mãe. Vinte e seis anos depois, vagando por um planeta inóspito, Quill, que agora se autointitula de “Senhor das Estrelas”, encontra um misterioso orbe e o rouba para que seja vendido posteriormente. O que ele sequer imagina é que tal objeto contém uma Joia do Infinito, um artefato deveras poderoso e cobiçado por uma criatura sedenta por matança e destruição: Ronan, o Acusador.


Ronan, tendo feito um acordo com seu pai, Thanos, precisa do orbe para que seu plano de dizimar civilizações seja concluído. A cabeça de Quill é posta a prêmio e logo ele passa a ser procurado por Gamora (Zoe Saldana), irmã de Ronan, e pelos caçadores de recompensa Rocket, um guaxinim falante (na voz original de Bradley Cooper), e Groot, uma árvore humanoide (na voz de Vin Diesel). 

Após alguns imprevistos, todos acabam indo presos. Na carceragem, conhecem o musculoso Drax e, mesmo com as personalidades distintas, eles percebem que podem unir forças para escapar e também que seus objetivos se cruzam; se quiserem continuar vivos e limpar sua honra, terão de impedir Ronan de alguma maneira.

 
Com direção de James Gunn, Guardiões da Galáxia é um surto de piadas e referências à cultura pop. Parte dessa comicidade deve-se ao talentoso elenco e à maquiagem extremamente colorida, mas a trilha sonora, composta por clássicas canções da década de 1970 e 1980, tem um papel fundamental na história (digna de concorrer ao Oscar); ela concede ao longa momentos de leveza e reflexão, os quais ajudam a delinear o caráter do grupo e o espaço onde interagem. 

Por se tratar de um filme de origem, o roteiro se preocupa mais em estabelecer a relação entre os personagens que compõem a equipe do que em apresentar vilões fortes e tenebrosos, algo que deve mudar na futura continuação. É preciso lembrar, porém, que Guardiões da Galáxia é apenas uma pequena peça do jogo e que seu enredo faz ligação com Os Vingadores 3, portanto, abre as portas para o caminho de Thanos. A Marvel não tem com o que se preocupar; tirou do seu baú um time de pouco prestígio, acertou na escolha, e o elevou a um patamar cósmico. Por enquanto, a galáxia pode dormir mais tranquila.


Trailer: