sexta-feira, 7 de março de 2014

Resposta


Há tempo para quem gosta de recordar bons momentos, e relembrá-los pode ser sempre um caminho para voltar a sorrir. Mas é pouco recomendável e muito menos saudável querer ter tempo para voltar no tempo. Tentar recuperar o tempo perdido é apenas uma prova de que o seu tempo foi mal aproveitado. 

Bom mesmo é prosseguir no tempo, retendo somente a parte gostosa do passado. Continuar, ir adiante, são ações que indicam a vitória sobre tempos ruins e um sinal de sabedoria e força para enfrentar os tempos que estão por vir. 

Talvez uma das respostas para o tempo seja a seguinte: paciência para suportar o que ainda vem pela frente.


Letra:

Bem mais que o tempo
Que nós perdemos
Ficou pra trás
Também o que nos juntou
Ainda lembro
Que eu estava lendo
Só pra saber
O que você achou
Dos versos que eu fiz
E ainda espero Resposta

Desfaz o vento
O que há por dentro
Desse lugar Que ninguém mais pisou
Você está vendo O que está acontecendo
Nesse caderno Sei que ainda estão
Os versos seus
Tão meus que peço
Nos versos meus
Tão seus que esperem
Que os aceite

Em paz, eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais, eu fico onde estou
Prefiro continuar distante

Bem mais que o tempo
Que nós perdemos
Ficou pra trás Também o que nos juntou
Ainda lembro que eu estava lendo
Só pra saber O que você achou
Dos versos seus
Tão meus que peço
Dos versos meus
Tão seus que esperem
Que os aceite

Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante

Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante

Desfaz o vento
O que há por dentro
Desse lugar Que ninguém mais pisou
Você está vendo O que está acontecendo
Nesse caderno Sei que ainda estão
Os versos seus
Tão meus que peço
Nos versos meus
Tão seus que esperem
Que os aceite

Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Pulp Fiction - Tempo de Violência


O caminho do homem justo está bloqueado por todos os lados pelas iniquidades dos egoístas e a tirania dos homens maus. Bendito aquele que, em nome da caridade e da boa vontade, é pastor dos humildes pelo vale das sombras. Pois ele é o verdadeiro guardião de seus irmãos e o descobridor das crianças perdidas. E eu exercerei uma vingança terrível e furiosos castigos aos que tentarem destruir meus irmãos. E ficarão sabendo que eu sou o Senhor quando Eu executar sobre eles a minha vingança”. 

No começo da década de 1900, o termo pulp era diretamente relacionado às revistas produzidas com um papel de baixa qualidade. As publicações continham, em geral, histórias ficcionais, e inclusive várias editoras, como a Marvel Comics, iniciaram suas produções nesse formato. 

Não é de se admirar que, no decorrer do tempo, a expressão “pulp fiction” tenha surgido para classificar folhetins similares, sendo estes com um enredo mais curto e com situações, muitas vezes, irracionais. E foi por meio deste pensamento que o diretor Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios, Kill Bill Vol. 1 e Vol. 2) teve a ideia de batizar o terceiro filme de sua carreira: Pulp Fiction – Tempo de Violência

A narrativa é composta pela ausência de linearidade, uma das mais famosas marcas registradas de Tarantino. De uma maneira que vai contra as leis cronológicas, o espectador é convidado a conhecer os personagens em três capítulos distintos, os quais conseguem se entrelaçar satisfatoriamente. 


É no primeiro ato que a dupla de assassinos Vincent Vega (John Travolta) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) é apresentada. Eles trabalham para o mafioso Marsellus Wallace, o qual pede a Vincent para fazer companhia a sua esposa, Mia (Uma Thurman), enquanto viaja a negócios. O segundo ato é protagonizado por Butch (Bruce Willis), um lutador de boxe que é subornado por Marsellus para perder sua próxima luta. 

No capítulo derradeiro, o foco retorna para a dupla Vincent e Jules. E, após escaparem de um atentado, Jules passa a se considerar testemunha de uma intervenção divina e tenta traçar uma trajetória de redenção através da fé recém-adquirida. O interessante do roteiro, escrito pelo próprio Tarantino, é que cada ato é desenvolvido pela perspectiva de seus respectivos protagonistas, e em todos sempre há uma situação de desespero envolvendo outras pessoas.


Indicado a 7 Oscar, incluindo o de Melhor Filme e tendo vencido o de Melhor Roteiro Original, Pulp Fiction foi lançado em 1994. Foi aclamado pela crítica e marcou sua época, consolidando a direção de Quentin como uma das mais criativas dos últimos anos ao passo em que também ajudou a melhorar a carreira de John Travolta e Uma Thurman. E mesmo se tratando de uma de suas primeiras produções, aqui já é perceptível outra característica peculiar de Tarantino: o banho de sangue. 

Ainda que a estética do filme não apresente semelhança alguma com revistas de aventura e ficção, de fato Pulp Ficcion – Tempo de Violência deixa a impressão, de modo sangrento e subversivo, que pessoas comuns também podem ser heróis e escapar de situações de risco, por mais bizarras que essas sejam. Detalhe este que continuou guiando Tarantino em outros trabalhos e que ironicamente consegue retratar vários aspectos do insano mundo real. 


Trailer:

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A Culpa é das Estrelas


Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre o 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros... Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Eu queria mais números do que provavelmente vou ter”. 

Existe uma teoria de que o Universo gosta de chamar a atenção. E diante de uma matéria que está em um processo de expansão contínua, é de fato difícil não percebê-la ou até mesmo deixar uma marca que seja capaz de sobrepujar a sua existência. Afinal, somos uma pequena partícula dentro de um infinito sistema estelar. 

No entanto, pessoas são capazes de fazer cicatrizes em outras. E ainda que esta seja uma dádiva e maldição da nossa condição humana, é preciso lembrar que os livros também possuem essa façanha. E a história de Hazel Grace tem potencial suficiente para atingir o âmago de um leitor maduro. 

Em A Culpa é das Estrelas, o escritor norte-americano John Green tece uma narrativa doce, triste e bonita, revelando que mesmo em meio à dor e com a expectativa da chegada de uma morte iminente, é possível filosofar a respeito das coisas mais simples da vida – como a leitura de um livro, por exemplo – e também se ver aturdido com o encantamento de um verdadeiro amor. 

Hazel Grace é uma adolescente comum, se não fosse o câncer em seus pulmões o motivo que pode ceifar sua existência a qualquer momento. Sua mãe, considerando a hipótese da garota estar ficando deprimida, a coloca no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer, em que, dentro de uma roda, os pacientes e os sobreviventes compartilham suas melancólicas realidades. 

É neste Grupo que Hazel conhece Augustus Waters, rapaz que teve uma das pernas vencidas por um tumor. Eles se tornam amigos e se reconhecem por meio de hábitos distintos, ao ponto da garota convencer o garoto viciado em videogame a viajar para outro país apenas para conhecer Peter Van Houten, o autor do seu livro preferido. Apesar de um enredo aparentemente simplório, é admirável e encantador acompanhar a jornada de dois personagens que dividem as alegrias e as lágrimas dos malefícios da doença e dos benefícios de viver. 

Com profundas reflexões e diálogos apaixonantes, John Green entrega uma história irreverente ao passo que também é dolorosa e fatal. A Culpa é das Estrelas narra com paixão e sofrimento a luta pela vida de jovens que estão à mercê de perder esperanças e sonhos. Contudo, no final resta ao leitor a responsabilidade de aceitar a cicatriz deste livro tão tocante; uma bela marca que até o Universo sentiria vontade de deixar. 

A tristeza não nos muda, Hazel. Ela nos revela”.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A Vida Secreta de Walter Mitty



Para ver o mundo, coisas perigosas acontecerão”.

O lema da revista Life diz que é preciso ver além do muro, encontrar o outro e sentir experiências para entender o propósito de viver. Entretanto, não é tão simples seguir este conselho, tendo em vista que a acomodação e as responsabilidades profissionais muitas vezes falam mais alto do que qualquer desejo pessoal. 

Walter Mitty (Ben Stiller) é um cara que entende bem disso. Trabalhando desde os 17 anos, nunca teve espaço para saciar suas curiosidades. Talvez seja por isso que ele tem a esquisita mania de sonhar acordado, o que não enfraquece ou desfavorece seu caráter em momento algum; em A Vida Secreta de Walter Mitty, as crises de devaneios são o que ajuda o filme a se tornar mais agradável ao passo que o perfil do personagem o deixa mais lúdico e encantador. 

Walter é funcionário da revista Life no setor de revelação de negativos. A empresa passará a publicar edições apenas on-line, o que significa que precisam se apressar para a última versão impressa. Na capa da derradeira edição estará o negativo de número 25 do consagrado fotojornalista Sean O’Connell (Sean Penn), que o mesmo intitulou de “a quintessência”.


O problema é que justamente este negativo está faltando e agora Walter precisa seguir as pistas do paradeiro do fotógrafo antes que o prazo termine. Com a ajuda da colega Cheryl (Kristen Wiig), musa inspiradora para os seus sonhos fabulosos, ele descobre que tem de ir até a Groelândia. E essa é a porta de entrada para a quebra das ilusões e o reconhecimento de um propósito. 

Adaptado de um conto de James Thurber, lançado em 1939, A Vida Secreta de Walter Mitty foi dirigido, produzido e protagonizado por Ben Stiller. A película contém atributos formidáveis, como os belos cenários da Islândia e a excelente trilha sonora (Destaque para a cena catártica em que é tocada Wake Up, da banda The Arcade Fire), os quais, juntos, nutrem a sensação de se estar diante de um longo e divertido videoclipe. 


É preciso vangloriar outros aspectos também. Stiller, além de entregar seu melhor trabalho na direção, consegue captar as nuances de Walter de uma maneira que se distancia dos seus personagens cômicos de outrora. A comédia e o drama são mais intensificados nos delírios, os quais são adornados por ótimos efeitos visuais e impulsionam Walter a encarar as jornadas da vida. 

A Vida Secreta de Walter Mitty tem um final simplório, mas o fato é que o filme não tem a intenção de ser grandioso. As simbologias e as metáforas possuem autonomia suficiente para mostrar que o despertar de um sonho é um dos caminhos para a autodescoberta e que também reserva aventuras mais profundas e fantásticas que um homem devaneador sequer poderia imaginar. 

Lindas coisas não precisam de atenção”.


Trailer:

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

2014 vem aí!


No mundo da cultura/cinema, 2013 já ofereceu o que tinha de dar. De modo que, para os cinéfilos e amantes da cultura pop, o que resta agora é aguardar pelas promessas que o ano novo nos reserva. Abaixo segue a lista dos filmes (e seus respectivos trailers) mais aguardados para 2014.



A Menina Que Roubava Livros:



Robocop:



Noé:





Capitão América 2 - O Soldado Invernal:
 



X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido:
 


O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro: 



Planeta dos Macacos - O Confronto:



Interestelar:

 



Outros filmes que também vão estrear em 2014:

Os Mercenários 3
Os Guardiões da Galáxia
The Seventh Son
Jogos Vorazes: A Esperança Parte 1
O Hobbit 3

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O Hobbit: A Desolação de Smaug


Quando foi que permitimos que o mal se tornasse mais forte do que nós?”.

Em O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, o diretor Peter Jackson conseguiu consolidar com mais potencialidade algo que foi bastante notável na trilogia O Senhor dos Anéis: seu encantamento e paixão pela Terra-Média, assim como sua estreita afeição pelos personagens criados por J.R.R. Tolkien.

Apesar de alguns comentários negativos ao primeiro filme em relação à comédia e a algumas passagens arrastadas e enfadonhas, mesmo o livro sendo de cunho infantil, o segundo Hobbit veio para aprofundar a jornada de Bilbo Bolseiro sob experiências mais sombrias, arriscadas e inconsequentes, o que resulta em um capítulo mais maduro que o seu antecessor. 

Após os eventos da aventura passada, Gandalf (Ian McKellen), Bilbo (Martin Freeman) e os anões seguem com o propósito inicial de sua empreitada: adentrar em Erebor, retomar a cidade e destituir o dragão Smaug de sua posição desmerecida. No entanto, a caminhada permanece árdua com a perseguição acirrada dos orcs, o preconceito dos elfos e agora com a desconfiança dos homens.


É interessante ver que as raças, embora possuam culturas e nuances distintas, unem-se ao redor de um sentimento similar; a ambição é tão intensa e inebriante, que alguns personagem se deixam ficar cegos por ela ao ponto de esquecer o altruísmo e o bom-senso. O exemplo disso pode ser encontrado em Bilbo, que aqui já denuncia a influência corrupta que o Um Anel vagarosamente exerce sobre seu caráter, contrastando com as virtudes e o carisma que parecem diminuir à medida que o Condado vai ficando mais distante. 

A trama também continua apostando nas referências à Trilogia do Anel, elemento que Jackson inseriu com proeza, fazendo com que os fãs mais atentos percebam que de fato, em um quadro geral, trata-se da mesma história. É provável que alguns espectadores entrem em delírio com a procura de Gandalf pelo Necromante, especialmente em uma determinada cena.


Contudo, é importante lembrar que o foco em O Hobbit é outro. E, neste segundo filme, é sensato atribuir um pouco mais de atenção ao dragão. Na voz de Benedict Cumberbatch, Smaug é visivelmente magnífico; sua aparição no clímax é realmente oponente e cria uma atmosfera tenebrosa, em que o teor de sua personalidade pérfida é exposta de tal maneira que talvez o conteúdo deixado para o desfecho da trilogia seja um dos mais épicos dos últimos anos. 

A Desolação de Smaug veio repleto de ação (Destaque para a cena dos barris), e Jackson soube organizar esse artifício com maestria. Os efeitos visuais, mais uma vez, são de bestificar. Mas, sabendo que ainda resta um filme, o final deste é aberto, e isso possivelmente desanime aqueles que ainda terão de esperar um ano para o fim da jornada de Bilbo. E, se depender da paixão e afeição de Peter Jackson pela Terra-Média, ela terminará, igual ao ocorrido em O Senhor dos Anéis, de uma forma marcante e difícil de ser esquecida.


Trailer:


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Epitáfio


Final de ano chegando e vem aquela sensação de dever cumprido, mas também de vazio por ter deixado de realizar alguns planos. De fato, este é o período correto para se fazer o balanço do que foi feito (e o contrário também) no ano inteiro. 

Entretanto, não se pode lamentar por algo que não aconteceu. É preciso lembrar que a virada de ano significa renovação, reposição de energias. O momento de erguer a cabeça e prosseguir. Afinal, um novo ano chega com mais oportunidades, mais tentativas. E desanimar não deve ser uma opção. 

 Desse modo, que seu epitáfio de 2013 seja repleto das realizações concretizadas.

Letra:

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são 
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...