Mostrando postagens com marcador Livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livros. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 24 de março de 2017

Magnus Chase e a Espada do Verão


Escolhido por engano, não era a sua hora,
Um herói que, em Valhala, não pode permanecer agora.
Em nove dias o sol irá para o leste,
Antes que a Espada do Verão a fera liberte”.

O autor Rick Riordan já provou ao mundo inteiro que é especialista em mitologias das mais variadas. Depois de ter passado pela mitologia grega em Percy Jackson e Os Olimpianos, a egípcia em As Crônicas dos Kane, e a Greco-romana em Os Heróis do Olimpo, o escritor decidiu expandir seu talento para o universo nórdico em Magnus Chase e os deuses de Asgard.

Magnus Chase é um adolescente sem sorte. Após a misteriosa morte de sua mãe, ele passou a viver nas ruas. No entanto, logo depois de um encontro nada comum com seu tio Randolph, Magnus descobre que as lendas nórdicas são verdadeiras e a primeira prova que tem disso é uma batalha com Surt, o gigante de fogo que quer a Espada do Verão para apressar o Ragnarök, o fim dos tempos dos vikings.

Durante sua jornada, Magnus torna-se um guerreiro de Valhala e conhece a valquíria Sam. Mas em seguida o garoto se vê no meio de uma profecia e com a ajuda de Sam, e dos amigos moradores de rua Blitz e Hearth, ele precisa impedir que Surt liberte o lobo Fenrir e com isso atrasar o início do apocalipse nórdico. 

Com sua linguagem cômica e juvenil (a interação de Magnus com a espada é hilária), Riordan transporta o leitor para a cultura dos vikings de maneira formidável, assim como fez em seus livros anteriores. As mais de 400 páginas acompanham a longa jornada de Magnus em busca de sua identidade e também presenteiam o leitor com versões divertidas de alguns deuses, como Thor, Loki e Odin.

Curiosamente, A Espada do Verão é apenas mais um elemento de todo o universo que Riordan criou. Quem é fã das histórias do autor sabe que todos os seus livros mitológicos possuem conexões, e com Magnus Chase e os deuses de Asgard não é diferente. Fica a pergunta de quão longe o escritor ainda pretende ir. E diante dos eventos do primeiro livro desta nova série, resta muito tempo para as aventuras desses grandes personagens chegarem ao fim.

sábado, 27 de agosto de 2016

As Crônicas de Aedyn: Os Escolhidos


O casamento do cristianismo com a literatura fantástica não é novidade. Tendo em vista que muitos enxergam o livro de Apocalipse como uma narrativa fabulosa, não há como negar que a união das duas temáticas, além de ser aceitavelmente possível, combina. E algum dos frutos desse matrimônio podem se transformar em formidáveis referências.

As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis, é apenas um dos exemplos; embora tenha profundas alegorias ao universo cristão, a obra conquistou um público variado. Consequentemente, outros escritores se enveredaram por esse caminho de possibilidades infinitas (Há também o brasileiro Leandro Lima, com As Crônicas de Olam), e foi pensando dessa forma que o irlandês Alister McGrath criou a série As Crônicas de Aedyn.

Os Escolhidos, primeiro volume da trilogia, narra a história de dois irmãos, Pedro e Júlia. O menino, devoto a maquinas e química; a menina, uma ávida leitora. Ambos vão passar as férias na casa dos avós, cuja parte do terreno é ocupada por um jardim. E uma noite sem lua, Júlia percebe que o jardim está brilhando. A menina é guiada a entrar no jardim, acompanhada por seu irmão, e os dois caem em um lago.

A dupla desperta na terra de Aedyn, local mágico e extraordinário. No entanto, é um ambiente dominado por três lordes: o Chacal, o Lobo e o Leopardo, os quais regem o território com leis severas e mantêm uma legião de pessoas como escravas. Os irmãos descobrem que fazem parte de uma profecia que promete paz e liberdade ao povo de Aedyn, e logo se veem no processo para arquitetar uma rebelião.

Alister McGrath criou um universo com muitas aventuras, mas sem intenções de grandeza – pelo menos no primeiro volume. É perceptível durante a leitura que o teor do enredo é bastante juvenil e, em determinados momentos, inocente e simplório. O livro possui menos de 200 páginas, permeadas por uma série de acontecimentos suaves e conflitos rápidos. Contudo, essa pureza não é um demérito; ela resgata o saudosismo da infância e o encanto transmitido por meio do olhar de dois jovens.  


As Crônicas de Aedyn: Os Escolhidos é um guia para crianças e adolescentes que almejam alcançar a iniciação no mundo da literatura fantástica. E uma vez que um mundo é descoberto, a curiosidade para conhecer outros é despertada. E essa prazerosa e inesquecível experiência é algo difícil de largar. 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Os Heróis do Olimpo - O Sangue do Olimpo


“A princesa Peribeia segurava Annabeth pelo percoço como se a menina fosse um gato feroz. O gigante Encélado tinha Percy preso em sua enorme mão fechada.
- Bem na hora! – exclamou o rei dos gigantes. – O sangue do Olimpo, para despertar a Mãe Terra!”.

O que esperar do final de uma saga? As respostas podem ser múltiplas; romance, drama, comédia, ação... Ou todas as alternativas juntas, mas cada qual bem constituída e exercida. E é isso e mais um pouco o que Rick Riordan entrega no último volume de Os Heróis do Olimpo.

Após fecharem as Portas da Morte em A Casa de Hades e Percy e Annabeth conseguirem sair vivos do Tártaro, os semideuses da Profecia dos Sete se veem diante da maior batalha de todas: evitar que Gaia desperte e destrua o mundo. Porém, o tempo é curto e a cada obstáculo que aparece, a situação fica cada vez mais calamitosa.

Na medida em que os tripulantes do Argo II viajam até a Grécia para impedir a cerimônia de renascimento da Mãe Terra, o medo de falhar cresce em todos eles, especialmente em Leo, que elabora um plano secreto que pode salvar ou aniquilar toda a humanidade. Contudo, se Gaia precisa do sangue deles para recuperar plenamente suas forças, não estariam os heróis caminhando em direção a uma armadilha fatal?

Ao passo que a Acrópole se torna o cenário do clímax, Reyna, Nico e o treinador Hedge ficam encarregados de levar a Atena Partenos até o Acampamento Meio-Sangue. O problema é que o acampamento está sendo cercado por tropas romanas, as quais, com a ajuda de monstros e outras criaturas do submundo, estão dispostas a não deixar vestígios de sobreviventes. Além disso, o trio está sendo caçado pelo gigante Orion. Cabe a Reyna escapar do inimigo que está em seu encalço e também chegar a tempo com a estátua para estabelecer a paz definitiva entre gregos e romanos.  

O Sangue do Olimpo é apenas mais uma prova de que Riordan é um autor cheio de cartas na manga. A narrativa é pressionada por uma tensão que aumenta a cada aventura, e a opção de não seguir o roteiro da série antecessora (Lembrando que Cronos, o vilão de Percy Jackson e os Olimpianos, já havia despertado desde o penúltimo livro da saga), por mais que alguns leitores considerem uma falha devido ao curto tempo da batalha final, revela que aqui o texano resolveu enaltecer outros temas – não que a salvação do mundo não seja importante – , estreitando ainda mais a ponte entre personagens e leitores. 

Os Heróis do Olimpo encerra com todas as ferramentas adequadas que um fim poderia exigir, e com a impressão de que o leitor irá reencontrar os semideuses em algum momento no futuro. Riordan ainda dá uma pequena ponta de sua próxima série, voltada para mitologia nórdica, o que significa que mais tramas estão vindo e também, para a alegria dos jovens leitores, que o prazer da leitura não deve terminar com um simples ponto final.    

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Os Heróis do Olimpo - A Casa de Hades



Sintam-se honrados, pequenos semideuses. Nem mesmo os olimpianos mereceram minha atenção. Mas vocês... Vocês serão destruídos pelo próprio Tártaro!”.

Quem vem acompanhando a série Os Heróis do Olimpo deve concordar que o final de A Marca de Atena foi impactante e deixou um dos maiores ganchos já escritos pelo autor Rick Riordan. Esse atributo revela não somente o inestimável talento do escritor, mas também expõem uma característica que não deve faltar em uma série literária: o teor de continuidade e a sensação de que as coisas estão culminando para algo ainda pior. 

Após resgatarem a Atena Partenos e verem Percy Jackson e Annabeth Chase despencarem na escuridão do Tártaro, a tripulação do Argo II se depara com a missão mais difícil até agora. Eles precisam viajar até a casa de Hades, localizada em Épiro, nas terras antigas, no intuito de fechar as Portas da Morte e impedir que os monstros ressuscitem tão rapidamente.

Porém, a jornada não será fácil, pois uma legião de titãs, gigantes, e deuses menores passaram para o lado da Mãe Terra e estarão dispostos a atrapalhar o caminho. Hazel, filha de Plutão, sabe que quando chegar o momento terá de entrar na casa de Hades e enfrentar a feiticeira que habita o interior da construção. E não apenas isso; o lugar também é um recipiente de um exército de fantasmas, o que obrigará Nico, Jason e Frank a procurarem um objeto sem o qual não terão êxito na missão. É primordial que eles se apressem, pois Gaia irá despertar em menos de um mês.

Enquanto isso, nas profundezas do Tártaro, Percy e Annabeth vagam por uma terra cercada por monstros que eles enfrentaram no passado. O perigo se encontra a cada metro quadrado e o tempo é relativo. O casal precisa caminhar até as Portas da Morte para fechá-las do lado do Tártaro ao mesmo tempo em que os amigos devem fechá-las do lado do mundo mortal. Por sorte, eles conseguem a ajuda de Bob, que lhes explica que podem atravessar o Tártaro com a ajuda da Névoa da Morte.    

A Casa de Hades, quarto volume da série, é repleto de aventuras do início ao fim, e sua narração é dividida entre os sete semideuses da Profecia. Esse nível de informação poderia ter prejudicado o desenvolvimento da obra, contudo, Riordan é mestre em acrescentar humor na trama e inserir elementos que fazem a leitura se tornar mais leve e prazerosa.


Por ser o penúltimo livro da série, A Casa de Hades prepara o terreno para o maior desafio que espera pelos heróis e, devido a isso, o leitor irá se deparar com outro gancho (As últimas linhas são de arrepiar e cortar o coração). Torna-se árduo falar mais do que isso sem estragar as grandes surpresas do enredo. Embora seja um livro grande, tudo se encaixa no final e agora Percy Jackson e seus amigos terão de se preparar para mais uma batalha pelo destino e salvação do mundo. 

sexta-feira, 13 de março de 2015

Os Heróis do Olimpo - A Marca de Atena


A filha da sabedoria caminha solitária
A Marca de Atena por toda a Roma é incendiária
Gêmeos ceifaram do anjo a vida
Que detém a chave para a morte infinita
A ruína dos gigantes se apresenta dourada e pálida
Conquistada por meio da dor de uma prisão tecida”.

Sete meios-sangues responderão ao chamado, é o que diz o primeiro verso da Profecia dos Sete, recitada no final da série Percy Jackson e os Olimpianos. Não demorou muito e, quando a saga Heróis do Olimpo teve início, logo se descobriu que os versos proclamados eram um alerta para o retorno de Gaia. E sendo Rick Riordan um autor extremamente organizado, os leitores se perguntaram a quais personagens essa profecia se referia.   

É no terceiro volume da séria, A Marca de Atena, que o mistério se desfaz. Se o primeiro e segundo volume apresentou, cada qual, uma narrativa traçada em três perspectivas (Jason, Leo, Piper, Percy, Frank, Hazel), aqui o grupo se fecha com a presença da filha da sabedoria e também namorada de Percy Jackson, Annabeth Chase.

A trama começa exatamente onde o seu antecessor terminou: a chegada dos semideuses gregos no Acampamento Júpiter. Percy torna-se o mediador entre gregos e romanos, e os dois grupos se reúnem para discutir qual será o próximo passo para impedir que a Mãe Terra ressurja. No entanto, as coisas acabam de maneira trágica, e agora além de deter o despertar da deusa, o grupo dos sete tem que fugir da ira dos romanos. 

Para a sorte dos heróis, nem tudo está perdido. Uma nova profecia aparece e cabe a um filho de Atena buscar a Marca que está escondida em Roma, a qual é protegida por uma criatura horrenda. Se a Marca for encontrada, a animosidade entre romanos e gregos pode finalmente acabar.

Infelizmente, o tempo é curto e a destruição de Roma é iminente. Se a velha cidade cair, os deuses enfraquecerão e Gaia se fortalecerá. A missão se complica ao descobrirem que Nico Di Angelo, filho de Hades, foi sequestrado por dois gigantes, e o seu resgate é também de suma importância. 

Desta vez o enredo é narrado por quatro personagens, e novamente Rick mostra o conflito psicológico que um grupo de adolescentes tem de suportar para salvar o mundo; Annabeth sabe que ela foi a incumbida de encontrar a Marca de Atena, mas não acredita em seu sucesso; Leo se acha o excluído do grupo, porém pressente que terá uma função crucial até o fim da jornada; Piper tem estranhas visões dela e seus amigos se afogando; e Percy terá de enfrentar uma viagem que talvez seja apenas de ida.

A Marca de Atena prepara o leitor para as etapas difíceis que os queridos heróis terão pela frente. O clima de tensão é somente sufocado pela comédia irresistível, uma característica já típica da série, e os locais reais e históricos (Estreito de Gibraltar, Coliseu, entre outros) ajudam a embelezar a obra. Aqui, por meio de um final inesperado e surpreendente, a saga Heróis do Olimpo continua, comprovando que a Profecia dos Sete, tanto para o bem quanto para o mal, está cada vez mais próxima de ser consumada.   

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Os Heróis do Olimpo - O Filho de Netuno


É normal que um escritor tenha carinho por seu protagonista. Caso contrário, a magia da literatura não funciona. Assim como Harry Potter se tornou a galinha dos ovos de ouro de J.K. Rowling, o mesmo pode ser dito de Percy Jackson para Rick Riordan. No caso do autor texano, no entanto, a afeição pelo semideus acabou gerando uma segunda série, Os Heróis do Olimpo e, obviamente, para o deleite dos leitores, expandiu o universo já estabelecido anteriormente.

Em O Filho de Netuno, segundo volume da saga, Percy Jackson retorna, e igualmente como ocorre com o personagem Jason no volume anterior, está com amnésia. Tudo o que se lembra é de receber instruções para encontrar um lugar chamado de Acampamento Júpiter, onde semideuses romanos são treinados.

Ao chegar lá, ele conhece Hazel, filha de Plutão (Hades, em grego). A garota vive atormentada com o segredo que causou a morte da sua mãe e também pelo fato de já ter morrido uma vez. Percy também ganha outro amigo, Frank, este muito bom no arco e flecha, mas extremamente desastrado e infeliz por não saber qual dos deuses é o seu pai.

Riordan imediatamente apresenta o novo acampamento para o leitor, com todas as suas regras e tradições. Contudo, com a chegada de Percy, eles descobrem que Gaia, a Mãe Terra, está acelerando o processo do seu despertar; o gigante Polibotes, liderando um gigantesco exército de ciclopes e centauros, está marchando para destruir o acampamento.

Da maneira mais improvável possível, Percy, Hazel e Frank são escalados para cumprir a missão de ir até o Alasca para resgatar Tânatos, pois ele é quem guarda as Portas da Morte. Se elas permanecerem abertas, nenhum mostro poderá morrer, e o caos será total. O problema é que o Alasca é uma terra que está além dos poderes dos deuses e quem manda por lá é o gigante Alcioneu, um dos filhos legítimos de Gaia, o qual aguarda ansiosamente a chegada dos três heróis. 
  
Mais uma vez a ação é o ponto chave da narrativa. Durante o trajeto do trio, muitos obstáculos surgem e cada um dos semideuses demonstra sua importância para a jornada e para os planos da Profecia dos Sete. Riordan também continuou trabalhando no aspecto psicológico, algo que se destacou no primeiro livro; Percy vez ou outra tem lampejos do passado, o que causa no leitor uma sensação nostálgica; Hazel, por ter saído do Mundo Inferior sem autorização, tem medo de que Tânatos a jogue novamente nas profundezas; e Frank é incomodado pela maldição que carrega e também pela curiosidade de saber qual é o dom de sua família.

Em o Filho de Netuno, Rick Riordan demonstra que a gravidade dos eventos da saga Os Heróis do Olimpo é bem mais alarmante do que o período em que Cronos tentou invadir Nova York. Tudo faz parte de um grande plano, e Percy Jackson e os seus amigos, como de costume, terão que pôr suas coragens à prova para não permitir que a civilização seja engolida pela Mãe Terra. Ainda há muito caminho para esta história se expandir.   

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A Sociedade do Raio



Como diria o notável Fernando Pessoa: "Tenho em mim todos os sonhos do mundo".

E embora sejam sonhos demais para conter, fico feliz em dizer que pelo menos um deles consegui realizar. Com a bênção divina, a oportunidade oferecida e boa parte do salário gasto, finalmente meu primeiro livro foi oficialmente publicado. 

O manuscrito de A Sociedade do Raio ficou aproximadamente dois anos engavetado até que eu pudesse visualizar a esperança de publicá-lo. Após algumas tentativas frustradas de procurar editoras, descobri, por intermédio de um amigo poeta, cujo primeiro livro também foi publicado recentemente (Valeu, Mauricio!) a existência do site Clube de Autores.  

O site em questão disponibiliza o serviço de publicações gratuitas. Porém, o processo (registro ISBN, diagramação, revisão, ficha catalográfica, capa e direitos autorais) tem que sair do bolso do autor. E, juntando tudo isso, o serviço não sai barato. Cultura no nosso país custa caro. Mas para quem tem um sonho, alguns sacrifícios são necessários. 

A Sociedade do Raio é uma obra que conduz o leitor a um passeio pela cultura do Rio Grande do Norte, com ênfase na literatura potiguar. O protagonista e também narrador do livro é o escritor José Valentim, cuja rotina vira de cabeça para baixo quando assassinatos e sequestros começam a preocupar os cidadãos natalenses. Segue abaixo a sinopse oficial da obra: 

As pessoas têm o costume de me perguntar como eu conheci a Sociedade do Raio. Honestamente, ainda que o objetivo da causa seja revolucionário e nobre, há detalhes não muito agradáveis de contar”.

Na noite de lançamento do seu segundo livro, o escritor José Valentim recebe uma estranha mensagem do seu editor. Um segredo precisa ser decifrado antes que caia em mãos erradas, e o misterioso código forçará o escritor a traçar uma jornada entre sangue e assassinatos, a qual colocará em risco a segurança de sua família, dos seus amigos, e a existência da literatura do Rio Grande do Norte.

Quem é o responsável pelos sequestros que assolam Natal? Quem é o culpado pelos incêndios e os assassinatos? Quem está tão interessado em destruir a literatura potiguar? Se a Sociedade do Raio lhe convocasse, você atenderia ao chamado? São muitas perguntas, e o que José descobre é que tudo está relacionado com a enigmática mensagem deixada por seu editor.

Por enquanto, a obra está disponível para ser vendida apenas no site do Clube de Autores, por meio deste endereço: https://www.clubedeautores.com.br/book/177279--A_Sociedade_do_Raio#.VIpi2PnNnKQ.

O livro também ganhou uma página no Facebook, por onde é possível conhecer um pouco mais a respeito da obra e ficar por dentro das novidades: https://www.facebook.com/asociedadedoraio.

Adquira um exemplar de A Sociedade do Raio e faça companhia a José Valentim, pois ele vai precisar de bastante ajuda. 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Inferno


Os lugares mais sombrios do Inferno são reservados àqueles que se mantiverem neutros em tempos de crise moral”. 

O termo “dantesco” é comumente relacionado ao escritor florentino Dante Alighieri porque o mesmo é o autor de uma obra grandiosa e atemporal, na qual um homem (o próprio Dante) precisa atravessar o Inferno, Purgatório e Céu para reencontrar-se com sua amada. O livro, que possui uma narrativa épica com elementos teológicos, tornou-se referência na literatura universal. 

A Divina Comédia de fato é uma obra rica em informações e reflexões, tendo inspirado centenas de artistas. Talvez um dos mais famosos e recentes desses admiradores seja Dan Brown, que em seu livro Inferno utilizou-se da obra de Dante como a bússola para guiar o professor e simbologista Robert Langdon em uma nova jornada. 

Certa noite, Langdon acorda em um hospital em Florença, com um ferimento na cabeça e perda de memória. Sem saber como foi parar ali, ele pede a ajuda da Dra. Sienna Brooks. No entanto, antes que a médica possa fazer qualquer coisa, ambos são atacados por uma assassina cuja missão é matar Langdon. 

Após uma eletrizante fuga, Robert descobre um objeto peculiar dentro do seu paletó. Nele está a pista do que o professor esteve fazendo nas últimas 36 horas; curiosamente, ele foi à Florença para seguir os vestígios que alguém deixou para ele. Evidências que apenas um bom conhecedor de simbologia e leitor fanático da Divina Comédia conseguiria identificar. 

Com o passar do dia, na companhia de Sienna, a trama se desenrola e os dois acabam descobrindo que o responsável por tais pistas não é apenas um homem rico e inteligente, mas também um cientista com a deturpada visão de que, para que a humanidade não fique diante de um iminente evento cataclísmico, bilhões de pessoas precisam morrer. Dessa maneira, é necessário que Robert e Sienna corram contra o tempo antes que um mal desconhecido se alastre pelo mundo. 

Assim como fez em O Código Da Vinci e Anjos e Demônios, Dan Brown constrói a narrativa de Inferno ao redor de um intenso suspense que prende o leitor desde as primeiras páginas. O enredo contém explicações didáticas a respeito de temas relativos à ciência biológica e social, convergindo áreas distintas para um clímax interessante. Além disso, faz um passeio por algumas cidades europeias de um modo tão detalhado e específico, que fica notável a abundante pesquisa que Brown fez para desenvolver a trama. Todavia, vez ou outra a descrição exacerbada torna a leitura cansativa. 

Inferno também é repleto de reviravoltas, diferente do morno Símbolo Perdido, revelando que aquilo que antes parecia não ser tão simples para o professor Langdon agora pode se expandir ao resto do planeta. E como de costume, o livro é considerado um fenômeno e sua versão cinematográfica já está confirmada. Em seu isolamento, Dante criou uma obra que para alguns da época foi considerada transgressiva. Hoje a sua importância e valor são imensuráveis. Destino irônico à parte, o incrível permanece dantesco. 

Busca e encontrarás”.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Cidades de Papel



Na minha opinião, todo mundo tem seu milagre. Por exemplo, muito provavelmente eu nunca vou ser atingido por um raio, nem ganhar um Prêmio Nobel, nem ter um câncer terminal de ouvido. Mas, se você levar em conta todos os eventos improváveis, é possível que pelo menos um deles vá acontecer a cada um de nós. Eu poderia ter presenciado uma chuva de sapos. Poderia ter me casado com a Rainha da Inglaterra ou sobrevivido meses à deriva no mar. Mas meu milagre foi o seguinte: de todas as casas em todos os condados da Flórida, eu era vizinho de Margo Roth Spiegelman”. 

O norte-americano John Green parece gostar de esquadrinhar os meandros das variadas perspectivas que a juventude pode proporcionar. Em A Culpa é das Estrelas, o mote de Hazel Grace, de certo modo, é a incerteza da vida, o que a compele a traçar um rumo e aproveitar o tempo que lhe foi concebido. Em Cidades de Papel, embora o protagonista não seja portador de câncer, ele também precisa de uma razão que o faça sair da mesmice. 

Quentin Jacobsen é um adolescente que está no último ano do Ensino Médio. Diferente dos melhores amigos, Radar e Ben, ele está pouco se importando com o baile de formatura e recentemente saiu de um relacionamento. Mas ele sente uma paixão platônica por sua vizinha, Margo Roth Spiegelman, desde que ambos tinham dez anos e encontraram um cadáver no parque. 

Inesperadamente, quase nas vésperas do fim das aulas, Margo aparece na janela do quarto de Q e o convida para uma jornada noturna, repleta de planos de vingança e subversão. É durante este passeio nada convencional que Margo explica o termo “cidades de papel”, referindo-se a pessoas vazias, sem caráter e que se rendem facilmente aos padrões sociais. 

Quentin tem a certeza de que essa foi a melhor noite da sua vida e imaginou que sua rotina na escola mudaria consideravelmente. Porém, no dia seguinte, Margo desaparece e desta vez seus pais não fazem ideia da onde ela possa estar. E é aí que Q encontra seu mote: Margo deixou pistas para ele. Sendo assim, o garoto, com a ajuda de seus amigos, segue as pistas na esperança de encontrar sua vizinha antes que ela faça alguma bobagem. 

O realismo, novamente, é o elemento primordial na narrativa de Green. Se em A Culpa é das Estrelas temos a morte como uma ceifadora implacável, cercando o cotidiano dos personagens, aqui temos o olhar ingênuo – e até egocêntrico – de um adolescente a respeito de muitas coisas, em especial na maneira como enxerga as pessoas; esse olhar vai ficando mais maduro à medida que a fase adulta se aproxima e a imagem ideal da sua amada vai se desconstruindo. 

John Green utiliza Cidades de Papel para uma bela lição de moral, em que é preciso despertar para se autoavaliar e descobrir se o material do qual somos feitos é papel ou não. As conclusões que Quentin adquire ao final servem para qualquer faixa etária, pois todos, em algum momento, precisam de um estopim para perceber a importância do outro e sentir que o medo de sofrer é uma característica comum. Os fios se entrelaçam e se rompem, as raízes se aprofundam e morrem, o papel voa e segue na direção que o vento soprar. É o milagre da vida.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

O Azarão


Jurei que, se um dia eu tivesse uma namorada, eu a trataria direito e nunca seria mau nem safado com ela, nem a magoaria. Nunca. Jurei e tinha toda a confiança do mundo de que manteria a promessa”.

Em A Menina que Roubava Livros, Markus Zusak demonstrou todo o seu talento por meio da criatividade e da sensibilidade. Elementos que foram reprisados de maneira satisfatória em sua segunda obra publicada no Brasil, Eu Sou o Mensageiro. Entretanto, muitos leitores e fãs dos dois livros citados ainda não sabem que, antes de escrevê-los, Zusak começou sua carreira com uma trilogia.

O Azarão é o primeiro volume da Trilogia dos Irmãos Wolf, o qual foi lançado aqui pela editora Bertrand Brasil. E mesmo este sendo voltado para o público juvenil, já fica evidente no decorrer da leitura uma das características mais marcantes das tramas de Zusak: a narração em primeira pessoa.

Cameron Wolf é um adolescente de 15 anos e o caçula de quatro filhos. Sua família é aparentemente normal, mas sob a ótica do garoto fica bastante claro a desordem e o abismo existente entre cada um deles. Rube, seu terceiro irmão, é o único com quem ele tem mais afinidade e, mesmo assim, não é das melhores; ambos estão sempre tentando arquitetar roubos.

Em meio a planos frustrados e lutas de boxe, Cameron resolve trabalhar com seu pai nos finais de semana e acaba conhecendo Rebecca Conlon. Nela está a oportunidade de se relacionar com uma garota real e também a esperança de ele se tornar um menino mais normal e, talvez, feliz.

Do mesmo modo em que ocorre nas outras obras de Markus, a narração aproxima o leitor do personagem e faz com que seja possível sentir e compartilhar de todas as dores, incertezas e batalhas pessoais dos indivíduos envolvidos no enredo. E, por ser uma história focada em um adolescente inseguro, inconsequente, que busca um dia mudar de rumo e adquirir respeito, as emoções são mais latentes e profundas.

Com apenas 175 páginas, O Azarão é uma breve representação do que é a vida de um jovem de baixa autoestima dentro do processo de amadurecimento. O final de cada capítulo é composto por um sonho, o que reflete os medos, desejos, crenças e o novo olhar que Cameron tem de cada pessoa da sua família. Sendo este o primeiro livro que escreveu, Markus Zusak deixou claro a que veio e mostra aquilo que seus personagens têm de melhor: a veracidade dos sentimentos, o compromisso com a vida, e a incansável vontade de lutar contra o mundo.

"Sabe, eu nunca fui um cara com um monte de amigos. Meio que fiquei na minha. Odiava isso, mas também me orgulhava. Cameron Wolf não precisava de ninguém. Não precisava estar no meio do bando. Nem todo mundo gosta de andar por aí. Não, precisava apenas do instinto. Precisava apenas era dele mesmo, e poderia sobreviver às lutas de boxe no quintal de casa, aos roubos e a qualquer outra vergonha que viesse pela frente. Então, por que me sentia tão estranho agora?
 
Vamos ser sinceros. Tinha que ser por causa da garota".

sexta-feira, 25 de abril de 2014

As Crônicas dos Kane - A Sombra da Serpente


Esta é a transcrição de um arquivo de áudio. Carter e Sadie Kane já me mandaram outras duas gravações, que eu transcrevi nos livros A Pirâmide Vermelha e O Trono de Fogo. Sinto-me honrado com a confiança dos Kane, mas preciso avisar que este terceiro relato é o mais perturbador até agora. O áudio chegou à minha casa em uma caixa chamuscada e esburacada com marcas de garras e dentes que o zoólogo municipal não conseguiu identificar. Não fossem os hieróglifos protetores do lado de fora, duvido que a caixa tivesse sobrevivido à jornada. Continue lendo e você vai entender o porquê”. 


Não é de hoje que o autor Rick Riordan vem mostrando seu talento para dissertar narrativas de teor épico e histórico. Talvez essa facilidade se dê ao fato de que o texano foi professor de História por muitos anos, experiência que lhe rendeu um vasto conhecimento. No entanto, Riordan já provou que tem um carinho especial por mitologias e sua série Percy Jackson e os Olimpianos ocupa um lugar de destaque na lista dos mais vendidos. 

Curiosamente, o autor não se atém apenas ao universo Greco-romano; outra série escrita por ele, As Crônicas dos Kane, fez sucesso e apresentou ao leitor vários aspectos da mitologia egípcia. E, por se tratar de uma trilogia, o desfecho da saga se concretiza em A Sombra da Serpente

A vida de Carter e Sadie Kane é tão tumultuada que parece piada dizer que o futuro do mundo depende deles. No primeiro volume de suas aventuras – A Pirâmide Vermelha – ambos descobrem que são descendentes de uma linhagem faraônica do Antigo Egito e seus pais são magos da Casa da Vida, portanto, têm como objetivo estabelecer o equilíbrio da Criação. Em o Trono de Fogo, eles são incumbidos de descobrir um jeito para derrotar Apófis, a Serpente do Caos, que depois de anos presa recobrou suas forças e está pronta para destruir a Terra. 

Em A Sombra da Serpente, a situação pouco mudou. Após a tentativa falha de despertar Rá, o deus Sol, e perceber que ele ressurgiu na forma de um velho senil e caduco, restam apenas três dias para Apófis se reerguer e afundar a Terra no mar de caos e escuridão. 

À medida que a Serpente ganha mais aliados, mais a ordem do universo entra em colapso. Muitos magos permanecem contra a Casa da Vida e os deuses começam a enfraquecer, e alguns seres e criaturas desapareceram. Contudo, em meio a tantos problemas, Carter e Sadie descobrem uma provável chance de enfrentar Apófis: capturando a sombra da serpente. Mas a missão nunca é fácil, e para isso terão que ter a ajuda de um notável, ardiloso e assassino personagem egípcio. 

De maneira cômica e envolvente, Rick Riordan mais uma vez conseguiu expor todo o seu arcabouço para esmiuçar e explicar uma mitologia. É claro que, por não ser um enredo episódico e sim contínuo, o autor parte da premissa de que, com o universo já estabelecido, explicações demais não são mais necessárias. Sendo assim, como é um encerramento, a tensão ganha maior espaço, e a ação se sobressai em diversos capítulos. 

Os conflitos de Carter e Sadie estão mais agravantes, tanto na esfera social quanto na amorosa, e há uma pequena brecha para refletir se de fato são capazes de proteger o mundo ou se seria melhor entregar-se definitivamente ao Caos. A Sombra da Serpente finaliza (temporariamente, pelo menos) a jornada dos irmãos Kane e consolida ainda mais a ideia de que Riordan adora escrever para o público jovem. Carter e Sadie saem de cena e agradecem a companhia. E os leitores também.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Cartas de um Diabo a seu Aprendiz


Há dois erros semelhantes mas opostos que os seres humanos podem cometer quanto aos demônios. Um é não acreditar em sua existência. O outro é acreditar que eles existem e sentir um interesse excessivo e pouco saudável por eles. Os próprios demônios ficam igualmente satisfeitos com ambos os erros, e saúdam o materialista e o mago com a mesma alegria. Os documentos contidos neste livro podem ser obtidos facilmente por qualquer pessoa capaz de aprender o truque; mas não o ensinarei às pessoas de má índole ou muito voláteis, as quais podem fazer mau uso da prática”. 

Algumas pessoas ainda não sabem disso, mas C.S. Lewis e J.R.R. Tolkien eram grandes amigos. E além de possuírem em comum a prática da docência, ambos também são autores de duas obras ficcionais muito famosas: As Crônicas de Nárnia e O Senhor dos Anéis, respectivamente. Inclusive foram membros de um grupo literário intitulado de “Os Inklings”, o qual encorajava narrativas de teor fantástico. 

Essa amizade rendeu a Tolkien a dedicatória do livro Cartas de um Diabo a seu Aprendiz, escrito por Lewis e publicado em 1942. Tendo se convertido em 1929, essa experiência ajudou o escritor irlandês a dissertar a respeito de vários assuntos do mundo cristão, embora a obra em questão tenha um tom mais peculiar e sombrio.

A estrutura do enredo é composta pelo gênero carta. As epístolas são escritas pelo demônio Fitafuso e direcionadas ao seu sobrinho Vermebile, que aparentemente é um recém-formado na Faculdade de Treinamento de Tentadores. A função dos textos de Fitafuso é guiar o sobrinho naquilo que os demônios melhor sabem fazer: corromper a alma dos homens. 

Durante toda a obra, o leitor acompanha os ensinamentos que Vermebile tem de assimilar para fazer com que seu paciente, convertido ao Cristianismo, seja desviado dos caminhos do Inimigo (Deus). De uma maneira irônica, impactante e sufocante, Fitafuso relata a história de muitos homens bons que foram atraídos pelas trevas e dá dicas ao sobrinho de como o seu paciente pode ter um destino similar, seja estimulando desavenças com a mãe ou causando medo em relação à Segunda Guerra Mundial. 

A leitura é pesada em diversos trechos (É incontável o número de vezes que Deus é zombado) e, segundo o próprio Lewis, pode produzir uma cãibra espiritual. A intenção, obviamente, é criticar a demasiada fragilidade e mediocridade do caráter humano e a ideia é executada de uma forma bastante criativa. 

O livro é válido e, para aqueles com um bom conhecimento cristão, serve para fortalecer o fundamento de que o homem, mesmo sem perceber a profundidade dos seus erros, se permite transformar em marionete. E sob a ótica de um demônio, os seres humanos não poderiam ser vistos de maneira tão pateticamente realista.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A Culpa é das Estrelas


Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre o 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros... Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Eu queria mais números do que provavelmente vou ter”. 

Existe uma teoria de que o Universo gosta de chamar a atenção. E diante de uma matéria que está em um processo de expansão contínua, é de fato difícil não percebê-la ou até mesmo deixar uma marca que seja capaz de sobrepujar a sua existência. Afinal, somos uma pequena partícula dentro de um infinito sistema estelar. 

No entanto, pessoas são capazes de fazer cicatrizes em outras. E ainda que esta seja uma dádiva e maldição da nossa condição humana, é preciso lembrar que os livros também possuem essa façanha. E a história de Hazel Grace tem potencial suficiente para atingir o âmago de um leitor maduro. 

Em A Culpa é das Estrelas, o escritor norte-americano John Green tece uma narrativa doce, triste e bonita, revelando que mesmo em meio à dor e com a expectativa da chegada de uma morte iminente, é possível filosofar a respeito das coisas mais simples da vida – como a leitura de um livro, por exemplo – e também se ver aturdido com o encantamento de um verdadeiro amor. 

Hazel Grace é uma adolescente comum, se não fosse o câncer em seus pulmões o motivo que pode ceifar sua existência a qualquer momento. Sua mãe, considerando a hipótese da garota estar ficando deprimida, a coloca no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer, em que, dentro de uma roda, os pacientes e os sobreviventes compartilham suas melancólicas realidades. 

É neste Grupo que Hazel conhece Augustus Waters, rapaz que teve uma das pernas vencidas por um tumor. Eles se tornam amigos e se reconhecem por meio de hábitos distintos, ao ponto da garota convencer o garoto viciado em videogame a viajar para outro país apenas para conhecer Peter Van Houten, o autor do seu livro preferido. Apesar de um enredo aparentemente simplório, é admirável e encantador acompanhar a jornada de dois personagens que dividem as alegrias e as lágrimas dos malefícios da doença e dos benefícios de viver. 

Com profundas reflexões e diálogos apaixonantes, John Green entrega uma história irreverente ao passo que também é dolorosa e fatal. A Culpa é das Estrelas narra com paixão e sofrimento a luta pela vida de jovens que estão à mercê de perder esperanças e sonhos. Contudo, no final resta ao leitor a responsabilidade de aceitar a cicatriz deste livro tão tocante; uma bela marca que até o Universo sentiria vontade de deixar. 

A tristeza não nos muda, Hazel. Ela nos revela”.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Eu Sou Deus


As certezas não são desse mundo. E as poucas que existem são quase sempre negativas”.

Quando se trata de um leitor assíduo, com uma boa bagagem literária no tema suspense e ação, chega um tempo em que o olhar consegue classificar se a narrativa que se desvela diante de si é agradável ou não. Às vezes o livro prende desde o início, enquanto em outras ocasiões o enredo demora um pouco para acelerar seu desenvolvimento. Contudo, se o fim não for satisfatório e não entrar em sintonia com o restante da história, todo o deleite pode ser dissolvido. 

Em Eu Sou Deus, tem-se o exemplo básico de uma boa obra, mas que infelizmente não ultrapassa a linha que uma excelente catarse literária é capaz de oferecer. O livro, escrito por Giorgio Faletti, foi lançado no Brasil pela editora Intrínseca e alcançou a marca de 2 milhões de exemplares vendidos somente na Itália. 

Em uma estratégia que lembra vagamente os livros de Dan Brown, a trama começa com um evento alarmante. Depois há um regresso no tempo, em que um determinado personagem é apresentado, porém sua função apenas fica clara na última metade da leitura e, de início, sua história não causa muita empolgação, até acontecer as primeiras mortes do enredo. 

Com o mistério no ar, a narração retorna à cronologia do presente e o leitor é apresentado aos verdadeiros protagonistas da aventura. Vivien Light é uma detetive da cidade de Nova York, solteira, que quando não pensa nos problemas do trabalho ocupa a mente com os transtornos familiares que precisa enfrentar. Já Russel Wade é o fracasso em pessoa; a ovelha negra de uma milionária família, um ímã que atrai dívidas com frequência e um triste homem que busca redenção. 

Esses adjetivos são fundamentais, pois são expostos de uma forma que familiariza o leitor com os personagens; tornam-se mais verdadeiros e é possível imaginar o drama pelo qual têm de passar. O caminho de ambos se cruza de uma maneira inesperada, tendo uma grandiosa catástrofe como o elo que os une. Logo Vivien e Russel se veem juntos diante de uma perigosa investigação: descobrir quem é o psicopata que está ameaçando toda Nova York e que se autodenomina Deus. 

A narração que Faletti conduz é extremamente coesa e rica de detalhes emotivos e psicológicos. Os diálogos são excepcionais, as relações bíblicas condizem com as características da trama e todo o arco investigativo deixa a centelha da curiosidade cada vez mais animada. No entanto, a surpresa do final não satisfaz toda a ansiedade adquirida ao longo da leitura; talvez por ser imprevisível demais ou até mesmo por se esperar algo melhor e ousado. 

Com Eu Sou Deus, Giorgio Faletti conseguiu demonstrar sua exímia habilidade no estilo narrativo. Personagens bem construídos, uma história interessante e uma coerência exemplar. Todavia, o leitor acostumado com obras de suspense e ação provavelmente não irá se convencer com a solução encontrada no final, lançando a obra no ramal das histórias nem ótimas e nem ruins; apenas admirável. 


As guerras acabam. O ódio é eterno”.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O Mundo de Sofia


Sofia achou a filosofia particularmente excitante, pois ela conseguia acompanhar todas as reflexões com sua própria razão, isto é, sem precisar se lembrar de tudo o que tinha aprendido na escola. E chegou à conclusão de que, basicamente, não se pode aprender filosofia. O que se pode aprender é a pensar filosoficamente”. 

Há talvez quem discorde desta assertiva, mas acho que o indivíduo que possui um caráter leitor bem fundamentado provavelmente já deve ter acreditado, assim como eu, que existe um tempo certo para se ler determinados livros. É algo que depende tanto do contexto em que a pessoa está situada quanto do aprendizado que foi adquirido no decorrer dos anos, e não há limites para a idade.

O fato é que nem todo o livro que temos a curiosidade de ler pode estar a nossa mercê no momento que queremos. Não é assim que funciona o comércio da leitura. A questão é que O Mundo de Sofia me perseguiu por muito tempo e foi somente depois de várias aulas de filosofia, e uma graduação inteira, que finalmente consegui pôr as mãos nesta tão famosa e consagrada obra. 

Jostein Gaarder, escritor norueguês, consegue implantar o mistério desde o início de sua narrativa. Sofia Amundsen é uma menina de 14 anos que, nas vésperas do décimo quinto aniversário, começa a receber cartas intrigantes. As epístolas, inicialmente, contêm perguntas curiosas, como, por exemplo, ‘Quem é você?’ e ‘De onde vem o mundo?’. 

Essas simples indagações são o prefácio para as reflexões de Sofia e, consequentemente, para sua jornada filosófica, uma vez que, logo em seguida, as cartas se transformam em aulas e passam a vir assinadas por Alberto Knox, o qual se apresenta como o seu professor de filosofia. A cada capítulo que passa, a menina assimila um novo conteúdo do vasto mundo filosófico, desde o Jardim do Éden, passando pelos pré-socráticos – e também algumas escolas como o Barroco e Romantismo –, e culminando nos estudos cósmicos, incluindo na implosão do universo. 

Contudo, se o enredo se resumisse apenas a isto, a obra de Jostein seria somente um manual de filosofia, tornando a história completamente enfadonha em um quadro geral. O que alimenta o leitor, porém, são os mistérios paralelos. Na medida em que conhece mais da filosofia, Sofia também vai recebendo cartões-postais do Líbano de um major desconhecido, endereçados a outra garota chamada Hilde Knag. Diante de um enorme quebra-cabeça, cabe a Sofia unir as peças e descobrir qual a relação do seu curso de filosofia com esse major e, sobretudo, qual o papel da enigmática Hilde. 

É possível que Jostein, em uma manobra literária bastante corajosa, prenda o leitor mais pela curiosidade de querer ver esses mistérios resolvidos do que pela vontade de aprender filosofia. A quantidade de informação é tão alta e densa, que é recomendável parar e respirar várias vezes durante a leitura. Entretanto, alguns elementos que são acrescentados à narrativa, como o fato de Sofia conversar pessoalmente com Platão na Grécia Antiga, ver de perto famosos personagens de desenhos e contos, e ainda todo o arco metalinguístico que se revela de uma maneira profundamente inimaginável, servem para amenizar e salvar o livro. 

A obra foi publicada em 1991 e ganhou uma versão cinematográfica norueguesa em 1999. Em O Mundo de Sofia, o leitor acompanha o olhar de uma menina, a qual tenta compreender um mundo repleto de injustiças, crenças e ensinamentos, mesmo que para isso seja necessário quebrar as leis da razão. Ao final do curso, fica a vontade de ser um pouco igual a ela. E embora o meu encontro com a obra tenha demorado a acontecer, acredito que veio no momento certo. Foi um prazer, Sofia.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

As Formigas



Estavam aqui 100 milhões de anos antes de nós e, se considerarmos o fato de que foram um dos raros organismos a escapar da bomba atômica, continuarão aqui por mais 100 milhões de anos depois de nós. Não passamos de um acidente de três milhões de anos na história delas. Aliás, se extraterrestres desembarcarem um dia em nosso planeta, não vão se enganar. Sem dúvida alguma hão de querer conversar com elas. São as verdadeiras donas da Terra”. 

Ano passado, ao assistir o filme Planeta dos Macacos: A Origem, lembro-me de ter ficado fascinado com a capacidade encantadora que o enredo teve de induzir o espectador a torcer a favor dos macacos e, consequentemente, ficar contra a própria espécie. A ideia dos homens serem subjugados por uma raça aparentemente inferior foi bem recebida e serviu como pretexto para respeitarmos os seres que compõem à natureza. 

Entretanto, após a leitura de As Formigas, esse respeito tem que ser muito mais admirável. No primeiro volume da trilogia O Império das Formigas, publicada no Brasil pela editora Bertrand Brasil, o autor Bernard Werber nos transporta, por meio de uma escrita minuciosa (até demais), ao mundo subterrâneo dos infraterrestres. A riqueza da descrição dos cenários e dos detalhes é o resultado de 15 anos estudando a civilização das formigas. 

O romance é dividido em dois núcleos que se intercalam constantemente. No início somos apresentados à família Wells. Jonathan se muda para casa que herdou de seu tio Edmond, juntamente com a esposa e o filho. Tudo parece bem até Jonathan descobrir uma mensagem do falecido tio deixada para ele, avisando-lhe para jamais descer ao porão da residência. Contrariando a ordem, ele desce e se depara com um mistério que permeia toda a trama, englobando a segurança de sua família e atiçando uma investigação policial. 

O segundo núcleo pertence, é claro, às formigas. Aqui acompanhamos a aventura de três formiguinhas cidadãs de Bel-o-kan, o maior formigueiro da região. O suspense se desenrola quando uma delas descobre a existência de uma arma mortífera, a qual pode matar um animal sem deixar vestígios. Além disso, um grupo de formigas rebeldes se infiltrou no formigueiro e está disposto a liquidar qualquer inseto que tentar desvendar o que acontece nas raízes da cidade. O trio tem uma longa jornada pela frente e precisa entender o que se passa ao seu redor. 

Durante quase toda a leitura, a parte condizente aos humanos é a mais atrativa. Nela, o clima misterioso é cômodo e intrigante, relacionando biologia com psicologia, filosofia e, inclusive, um pouco de religião. A parte das formigas, por ser descritiva ao extremo, pode se entediante para alguns em certas passagens. Contudo, o que torna a leitura válida são as informações e curiosidades presentes por toda a obra, transformando os insetos – as formigas, especificamente – em seres bem mais interessantes e deslumbrantes do que se imagina. 

Talvez o maior triunfo de As Formigas seja o seu final, no qual os dois núcleos se encontram, de uma forma absurda e impressionante, revelando que grandes coisas, equivalentes aos acontecimentos mostrados em Planeta dos Macacos: A Origem, estão para acontecer nos dois livros seguintes. Bernard Werber, através do primeiro volume de sua trilogia, mostra que devemos tomar cuidado com as formigas. Afinal, elas habitam o planeta desde 100 milhões de anos antes de nós e sua civilização mundial já ultrapassa a marca de um bilhão de bilhões de indivíduos. Elas estão por toda a parte e essa é uma bela razão para ficarmos preocupados.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Os Heróis do Olimpo - O Herói Perdido


"Sete meios-sangues responderão ao chamado.
Em tempestade ou fogo, o mundo terá acabado.
Um juramento a manter com um alento final,
E inimigos às Portas da Morte afinal".   


O ciclo da vida é composto por teorias que defendem a continuidade, seja por meio da reprodução ou no modo de ver a morte como a oportunidade de permitir que outro organismo nasça. Uma supernova, por exemplo, ao explodir, libera elementos químicos que podem gerar vida para uma nova estrela ou até mesmo luas e planetas. Acredito que deveria ser assim na literatura; ao passo que uma trama é encerrada, uma nova história se prepara para nascer. 

Rick Riordan, consagrado autor texano, parece pensar dessa maneira. No final da saga de Percy Jackson, no livro O Último Olimpiano, ele deu sinais de que uma continuação estava por vir. Confesso que, inicialmente, achei um pouco improvável; afinal, esse cara não para de escrever? Fui pego pela surpresa ao descobrir que Riordan deu início a mais uma série, Os Heróis do Olimpo, no qual o primeiro volume – O Herói Perdido – nos transporta de volta ao cotidiano dos guerreiros semideuses.

Aqui somos apresentados a novos personagens. O enredo começa com Jason, afetado pela amnésia, despertando dentro do ônibus da escola. Está ao lado de Piper McLean, garota que diz ser sua namorada, e de Leo Valdez, seu suposto melhor amigo. Sem saber quem era e o que fazia ali, ele e seus colegas logo são atacados por espíritos da tempestade e em seguida resgatados por uma menina chamada Annabeth (personagem que os leitores conhecem muito bem), que se intitula filha de Atena. 

O trio é levado para o Acampamento Meio-Sangue, onde velhos personagens reaparecem, como Quíron e Rachel Dare. Partindo do princípio da obviedade, cada um deles descobre que é descendente de um deus olimpiano. Leo é filho de Hefesto, o que explicava sua habilidade de criar coisas mecânicas e sentir a capacidade das máquinas, incluindo a evidência de conseguir produzir fogo com as mãos. Piper é filha de Afrodite e sempre teve uma capacidade de persuasão bastante acentuada. E Jason descobre ser filho de Júpiter (Zeus, para os gregos) e tem a habilidade de voar. 

Como de costume, há algo de muito errado acontecendo. Percy Jackson, filho de Poseidon, está desaparecido e o Monte Olimpo foi fechado, revelando que os deuses se retraem por alguma razão desconhecida. Graças a Profecia citada pelo novo Oráculo – e também às visões estranhas que somente o trio possui – os heróis descobrem que a deusa Hera foi raptada e está servindo como fonte de energia para que um antigo gigante possa se reerguer. Um gigante mais poderoso até que Cronos, o Titã do Tempo. 

O trio embarca na missão de resgatar a deusa, montados em um dragão de ferro batizado de Festus. Durante essa jornada, é possível sentir o enorme clima de suspense que Rick cria e, infelizmente, algumas respostas serão respondidas apenas nos livros seguintes. No entanto, o psicológico dos personagens é muito bem desenvolvido: Leo sente-se culpado pela morte da mãe quando ainda era uma criança; Piper nunca tivera uma vida de fato normal por ser filha de um astro famoso do cinema e agora receia precisar trair seus amigos para poder se salvar; e Jason, além de ter a estranha mania de chamar os deuses por seus nomes romanos, não tem ideia de quem é, das coisas que fez no passado, e do papel que irá desempenhar nesta aventura. 

Ainda que O Herói Perdido seja um livro bom, do mesmo jeito que Riordan sabe descrever momentos de tensão, ele também deveria amenizar o humor do enredo. Em muitas situações sérias, de perigo quase mortal, a comédia está sempre presente de alguma forma. É compreensível, visto que a temática é infanto-juvenil, mas um pouco de seriedade ajudaria. Isto, certamente, não altera o resultado final e comprova que a saga Os Heróis do Olimpo veio com força total. O ciclo literário realmente existe, e uma história termina para que outra possa começar.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Mano Celo - O Rapper Natalense



"Eu sou o Mano Celo
Represento as minorias
Exijo mais respeito
E o pão de cada dia".

A literatura nordestina, ao contrário do que muitos pensam, é bastante rica. E, atrevo-me a dizer, promissora. Nomes como Ariano Suassuna, José de Alencar, João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira constroem a herança da escrita regional e elucidam a importância da cultura nordestina.

Afinal, esses “cabras da peste” fizeram história. E durante o período em que me aventurei no acadêmico mundo das letras, foi-me dado o privilégio de apreciar a literatura do meu querido Rio Grande do Norte. Viajei com os versos sonoros de Jorge Fernandes, com o folclore de Cascudo e com a narrativa poética e indecente de Nei Leandro de Castro. 

Ao passo que fui desbravando as linhas deixadas pelos mestres potiguares, recebi a oportunidade de voltar meu olhar para algo mais contemporâneo. E assim descobri o livro Mano Celo – O Rapper Natalense, do cronista Carlos Fialho. A obra, publicada pela editora Jovens Escribas, concede ao cidadão norte-rio-grandense a percepção de compreender o quão fundamental é conhecer um pouco do meio que o cerca. 

Mano Celo, mais conhecido na classe burguesa como Marcelo Maurício Rodrigo de Paula Gadelha Dutton, é o fruto da união de duas grandes famílias renomadas da cidade do Natal. Nascido em berço de ouro – ou, como o próprio texto diz, diamantes – o jovem cresce sob a falsidade e as injustiças de pessoas que se julgam o degrau mais alto do patamar social. 

Diante de tanta hipocrisia e ausência de honestidade, o rapaz se revolta e assume a identidade de Mano Celo. Um artista que utiliza o rap como ferramenta para denunciar as falcatruas dos poderosos e defender a causa dos menos favorecidos. Em sua jornada quixotesca, o herói desastrado atravessa diversas situações cômicas, mas nunca perdendo o propósito de proteger o seu rebanho. 

Em o Rapper Natalense, Carlos Fialho realiza a proeza de criticar uma sociedade superficial que visa somente o lucro e, consequentemente, os benefícios próprios. Para quem reside em Natal ou já pisou na antiga cidade do sol, a aquisição de um exemplar é imprescindível. Eventos tradicionais e marcantes da província, como o Carnatal e o recente #ForaMicarla, são descritos de forma bem humorada e cativante. Mano Celo chegou com gosto de gás, provando que a literatura nordestina, de fato, caminha cada vez mais rumo ao progresso. YO!

sábado, 3 de março de 2012

As Crônicas dos Kane - O Trono de Fogo



"Esta é a transcrição de um arquivo de áudio. Carter e Sadie Kane tornaram-se conhecidos por uma gravação que recebi no ano passado e transcrevi no livro A Pirâmide Vermelha. Este segundo registro chegou a minha casa logo após a publicação do primeiro, então suponho que os Kane confiam em mim o suficiente para que eu continue a contar sua história. Se este relato for verídico, os novos acontecimentos só podem ser descritos como alarmantes. Pelo bem dos Kane, e do mundo, espero que tudo não passe de ficção. Caso contrário, estamos todos muitíssimo encrencados".


ATENÇÃO! Se ainda não leu a resenha do primeiro livro, segue o link: http://migre.me/86iSe.


A essa altura você já deve estar ciente de que prosseguir com esta leitura te levará a uma jornada repleta de perigos, monstros, fantasia, lugares inóspitos e a descobrir como as coisas estão se encaminhando para o fim dos tempos. E embora você queira participar, tentar ajudar de alguma forma, a consciência faz questão de lembrar que sua função é apenas observar. Portanto, um conselho: torça para que os irmãos Kane consigam resolver tudo. O destino do mundo depende deles.

A situação não melhorou muito para Carter e Sadie Kane. Após a batalha quase mortal em A Pirâmide Vermelha, os problemas se intensificaram e ambos se viram incumbidos de recrutar novos aliados à sua causa. Neste segundo episódio, os Kane deixaram a inocência de lado, e de aprendizes transformaram-se em mestres.

A Casa do Brooklyn, local em que residem, virou uma espécie de quartel-general para iniciantes em magia. Uma resistência liderada pelos irmãos Kane no intuito de medir forças contra o despertar de Apófis, a Serpente do Caos. Essa tarefa não será fácil e exigirá dos nossos heróis coragem para suportar alguns sacrifícios.

De acordo com a mitologia egípcia, Apófis era o arqui-inimigo de Rá, o deus Sol. Logo, Sadie e Carter veem nisso uma oportunidade de salvação. Se eles conseguirem unir as três partes do Livro de Rá e encontrar o rei dos deuses antes do equinócio, poderão impedir que Apófis se reerga e acabe com seu plano de entregar o planeta à escuridão absoluta. Entretanto, quando se trata dos Kane, o teor de dificuldade sempre é um pouco maior.

Além de aceitarem a missão suicida de encontrar todas as partes do Livro de Rá, as quais estão fortemente protegidas, os dois precisam encarar o fato da Casa da Vida persistir em persegui-los e permanecer ignorando a verdade: para evitar uma guerra e enfraquecer o poder de Apófis, é necessário que homens e deuses estabeleçam uma aliança. O que, se depender de Vladimir Menshikov, não irá acontecer tão cedo; o terceiro mago mais poderoso do mundo parece demonstrar um estranho afeto pelo Caos e não se envergonha de expor o prazer que possui em querer esmagar a família Kane.

Em O Trono de Fogo, segundo volume de As Crônicas dos Kane, Rick Riordan nos apresenta mais uma vez à fórmula que o tornou tão popular: a habilidade de ministrar uma aula de mitologia com humor e perspicácia, fazendo com que o conhecimento seja transmitido de maneira simples e sem clichês. Aqui, a trama ganha um tom mais sombrio, o suspense é quebrado nos momentos certos e as cenas de luta, especialmente as derradeiras, mesmo que sejam rápidas, sugerem que Riordan está guardando o melhor para o final (tudo indica que o próximo livro será o último da saga).

Novamente, Carter e Sadie narram essa aventura recheada de novos personagens. Ambos amadurecem em meio a alegrias e perdas, aprendem a controlar seus poderes, ficam mais íntimos na dor da saudade e do amor, e receiam que um futuro nebuloso chegue mais depressa que o esperado. À luz dos acontecimentos descritos em O Trono de Fogo, desejo que você esteja pronto(a) para os abalos que se aproximam. Sadie e Carter estão se preparando, e reservaram um lugar especial para todos nós.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Tequila Vermelha



O exercício da escrita já é considerado difícil por exigir de quem escreve um bom conhecimento da norma culta da língua, criatividade no desenvolvimento das ideias e organização no que diz respeito à estrutura textual. Imagine então se, além de tudo isso, também fosse cobrado do escritor um alto nível de versatilidade; a capacidade de transitar por diversos gêneros e temas diferentes, preservando sua genialidade e propiciando ao leitor uma viagem, ainda que curta, por seu mundo de imaginação.


Talvez seja possível contar nos dedos quantos autores se atrevem a sair de suas zonas de conforto e expandir os limites da sua sabedoria literária, e ainda realizar tal feito com uma magistral eficácia. Rick Riordan, sem dúvidas, é um dos escritores mais consagrados da atualidade e certamente sabe como ser versátil e encantar o leitor. Antes mesmo de se aventurar nos terrenos da Literatura Infanto-juvenil, contando histórias de mitologia egípcia e de jovens semideuses gregos, a escrita de Riordan era voltada para o público adulto.


Em Tequila Vermelha, obra publicada lá fora nos anos 90 e que já possui várias outras continuações, Riordan nos apresenta à Tres Navarre, um PhD em Letras que também é mestre de Tai Chi e tem um gato chamado Robert Johnson. Além dessas formidáveis características, ele é um degustador nato de Tequila Vermelha, bebida típica da região do Texas.


A trama se desenrola na cidade de San Antonio, no exato momento em que Tres retorna após 10 anos de ausência. Um dos principais motivos para se exilar por tanto tempo foi o assassinato do seu pai, cujo mistério nunca fora solucionado. Agora de volta, ele tem como objetivo não apenas revisitar águas passadas, como restaurar laços com amigos, a família, e reencontrar-se com sua antiga namorada, Lillian Cambridge, mas também tentar desvendar a enigmática morte do seu pai.

O que Tres não poderia imaginar é que se transformaria em um ímã para atrair problemas. Seu regresso à cidade natal e sua voracidade em remexer no homicídio do pai chamou a atenção de velhos aliados e despertou os olhares de antigos inimigos. A situação se agrava com o desaparecimento de Lillian, obrigando Navarre a abrir uma investigação paralela e, inevitavelmente, forçando-o a se envolver em um caminho em que as chances de sair ileso são quase incertas.

O enredo é narrado pelo próprio Tres, o que garante muitas situações cômicas devido ao sarcasmo do personagem. E o fato do mesmo ser veterano na arte do Tai Chi assegura ótimas cenas de luta, detalhando para o leitor como os golpes devem ser aplicados. Navarre conseguirá encontrar Lillian e descobrir quem a sequestrou? O desaparecimento dela teria algum tipo de relação com a morte do seu pai? Rick Riordan lança seu protagonista em uma rede de intrigas recheada com jogos de poder, corrupção, traições, máfia e assassinatos, descontruindo aquela imagem de alguém que somente escreve fantasias.

Tequila Vermelha nos oferece a chance de ver um homem lutando contra um passado atormentador, na esperança de esclarecer assuntos inacabados e fazer com que peças perdidas voltem ao seu lugares de origem. Mesmo que aqui a história não seja composta por elementos mágicos, Riordan se consagra mais uma vez e provavelmente irá aumentar o número de fiéis seguidores, porque, embora continue conservando os leitores adolescentes, agora também terá variadas gerações de adultos para encantar. O exemplo do que podemos chamar de um escritor versátil.




"Senti como se fosse 1985 outra vez. Ainda tinha 19 anos, meu pai estava vivo e ainda amava a garota com quem planejava casar desde o oitavo ano. Mudei de roupa mais uma vez e pedi um táxi. Tentei me lembrar do gosto da Tequila Vermelha. Não sei se conseguiria voltar a beber algo parecido e sorrir, mas estava pronto para tentar".