sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Uma Cilada Para Roger Rabbit


Desenhos devem fazer as pessoas rirem. Uma risada pode ser bastante poderosa. Porque às vezes, na vida, é a única arma que nós temos”. 

É quase mágico e utópico quando paramos para refletir que, apesar da passagem do tempo e das mudanças sociais, os desenhos ainda permanecem encantando e entretendo gerações. A possibilidade de se divertir com algo surreal e de viajar por entre um mundo impossível de existir é uma experiência que as crianças, inclusive os saudosos adultos, fazem questão de descrever. 

Deve ser por isso que Uma Cilada Para Roger Rabbit é um filme tão surpreendente. Lançado em 1988, o longa foi o pioneiro na união do live-action com a animação tradicional; não é difícil imaginar o estarrecimento das crianças que cresceram na década 1990 ao vislumbrar pessoas reais interagindo com desenhos animados em uma história inteligente, lapidada com suspense e humor. 


Baseado no romance de Gary K. Wolf, publicado em 1981, o enredo nos transporta para Hollywood no final da década de 1940. O detetive particular Eddie Valiant (Bob Hoskins) é contratado por R.K. Marron, dono da empresa Marron Desenhos, para averiguar com quem a esposa de Roger Rabbit, o atrapalhado coelho, o está traindo. Logo se descobre que Marvin Acme, proprietário da Desenholândia, a terra de todos os desenhos, está intimamente envolvido com a senhora Rabbit. 

A trama se intensifica com a morte de Acme e a culpa do homicídio recai sobre o suspeito mais óbvio: Roger. Desesperado, o coelho pede a ajuda de Eddie, uma vez que no passado a especialidade do detetive era ajudar desenhos. É por meio de muitas desavenças, puxões de orelhas e confusão que Eddie vai descobrindo que o esquema por trás da morte de Acme é muito mais sorrateiro e misterioso, capaz até de extinguir a Desenholândia. 


Vencedor de 4 Oscar, incluindo para Efeitos Visuais, o filme foi dirigido por Robert Zemeckis (diretor da trilogia De Volta Para o Futuro) e produzido por Steven Spielberg. Além do longa ter sido inovador para a época nos padrões técnicos, também conseguiu uma proeza que muitas pessoas duvidaram: firmar um acordo com a Warner Bros. e Disney, fato que permitiu a aparição de seus personagens nas mesmas cenas (É provável que tenha sido aqui que o Mickey e o Pernalonga apareceram juntos pela primeira e única vez). 


No entanto, é importante frisar que não é um roteiro voltado exclusivamente para o público infantil; violência, tiroteio, morte, alusões a sexo e adultério estão presentes na obra, elementos que não denigrem a qualidade da película, pois a proposta é clara desde o início. É também necessário lembrar do sádico juiz Doom, interpretado por Christopher Lloyd, criador da substância que mata desenhos em questão de segundos: o Caldo. 

Uma versão comemorativa foi lançada recentemente para celebrar os 25 anos deste clássico que certamente marcou a infância de uma geração. Uma Cilada Para Roger Rabbit não mostrou apenas desenhos sob uma perspectiva mais adulta; atiçou a imaginação das crianças que sempre quiseram acreditar na existência de um mundo que antes parecia inalcançável. É claro que, com a tecnologia da atualidade, tudo é possível. Mas a emoção de ver Roger Rabbit e Eddie juntos em cena, em uma louca aventura, é uma nostalgia que a modernidade jamais poderá apagar.

Trailer dos 25 anos:

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Círculo de Fogo


Nós sempre pensamos que a vida alienígena viria das estrelas. Mas veio das profundezas do mar, por um portal entre dimensões no Oceano Pacífico. Algo lá fora havia nos descoberto. Eles contavam que nós, humanos, iríamos nos esconder, desistir, falhar. Eles nunca consideraram nossa capacidade de resistir, de suportar... De estar à altura do desafio”. 

É preciso mais do que coragem para apostar em uma ficção científica. Além da ousadia, estudos e criatividade – elementos cruciais no processo da criação ficcional – é necessário acrescentar mais um ingrediente à fórmula. Sem ele, talvez todo o projeto perca o seu sentido. É preciso que o criador acredite em sua criatura. 

E quando se trata em fé por ficções científicas na esfera cinematográfica do século XXI, o nome de Guillhermo Del Toro é um dos mais lembrados. Sendo produtor de alguns filmes que fogem da realidade, como Kung Fu Panda 2 e o Gato de Botas, ambos resultados de sua parceria com a DreamWorks, o cineasta mexicano soma ao seu currículo a direção dos filmes O Labirinto do Fauno e os dois Hellboy, obras cujo conteúdo se assemelham no quesito imaginário. 

Em Círculo de Fogo, sua película mais recente, Del Toro se debruça com mais afinco no conceito de irrealismo, sem qualquer tipo de receio e tampouco medo de extrapolar os limites da lógica, e entrega uma nostálgica e ótima homenagem ao espectador que cresceu assistindo os clássicos japoneses exibidos nas décadas de 1980 e 1990. 


No futuro, a Terra começa a ser atacada por monstros que surgiram das profundezas do Oceano Pacífico. Os Kaiju, as bestas de proporções descomunais (uma mistura de Godzilla com os gigantes do jogo Shadow of the Colossus), atacam sem motivo aparente, devastando tudo por onde passam, e nada se sabe dos seus objetivos e muito menos se pretendem cessar a destruição. 

Entretanto, os humanos desenvolveram um método para combater as criaturas. Construíram robôs gigantes, os quais são manipulados por dois pilotos, cada qual responsável por controlar um hemisfério da faceta robótica. A esperança reside em um plano insano, que só pode ser realizado com a ajuda do piloto Raleigh (Charlie Hunnam) e da treinadora Mako (Rinko Kikuchi). Os dois têm suas respectivas razões para aceitar a missão e encontram compatibilidade por meio de experiências traumáticas do passado. 

 

A prova de que Del Toro se divertiu na construção do filme está nas cenas de luta, uma mais impactante que a outra. E o auxílio do extraordinário 3D, unido com a forte mistura de cores, deixa o cenário mais claro e psicodélico. A trilha sonora é empolgante e aqui o alívio cômico se destaca por ter uma função bastante inesperada e satisfatória, embora exagerada em certos trechos. Mas tudo é grande e exagerado em Círculo de Fogo, e não seria surpresa se Del Toro tiver feito isso intencionalmente, uma vez que o propósito principal é retomar os consagrados programas japoneses em que os enormes monstros destruíam os prédios de isopor. 


Infelizmente, o roteiro deixa um pouco a desejar em relação ao desenvolvimento do protagonista (a narração em off que inicia o filme de repente some e não volta mais) e talvez um pouco mais de drama enaltecesse o brilho do enredo. Porém, Círculo de Fogo não veio para se preocupar com detalhes literários, veio para entreter. E com um diretor cuja mente parece estar sempre disposta a acreditar na fantasia, o fabuloso e encantador resultado não poderia ter sido diferente.


"Hoje, no limite da nossa esperança... No fim do nosso tempo... Nós escolhemos acreditar uns nos outros. Hoje enfrentaremos os monstros que estão a nossa porta! Hoje vamos cancelar o apocalipse!".

Trailer:

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Sina


Para você que valoriza o afeto familiar,

Para você que tem coragem de sonhar,

Para você que acredita no destino e no amor,

Para você que não se deixa levar pelo rancor.

Para você que já gostou de alguém,

Para você que só quer ver o bem,

Para você que gosta de poesia,

Para você que batalha dia após dia.

Para você que não tem vergonha de sorrir,

Para você que odeia fingir,

Para você que adora ler,

Para você que ama viver.



Letra:


Pai e mãe, ouro de mina
Coração, desejo e sina
Tudo mais, pura rotina, jazz
Tocarei seu nome pra poder falar de amor

Minha princesa, art-nouveau
Da natureza, tudo o mais
Pura beleza, jazz

A luz de um grande prazer é irremediável neon

Quando o grito do prazer açoitar o ar, reveillon

O luar, estrela do mar
O sol e o dom, quiçá, um dia a fúria
Desse front virá lapidar
O sonho até gerar o som
Como querer caetanear o que há de bom

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A Viagem



Nossa vida não é nossa de fato. Do útero ao túmulo, temos ligações com os outros, no passado e presente. E por cada crime e cada bondade, geramos nosso futuro”.

A História é viva e, portanto, está em constante processo de desenvolvimento. O curioso e talvez, de certa forma, impressionante, é que ao fazer uma análise histórica de determinados fatos ocorridos na humanidade, é possível ver que há alguns personagens, de épocas e classes sociais distintas, que lutaram e acreditaram em ideais semelhantes.

Não sei se existe uma teoria histórica para isso, mas às vezes fica fácil de ver que toda a linha do tempo está interligada quando se observa os erros passados refletindo no presente e ecoando no futuro. Esse efeito dominó, que perpassa o interior das eras, é um dos temas centrais do filme A Viagem, baseado no romance de David Mitchell.


Após uma exibição de quase 3 horas, é realmente difícil não refletir a respeito da ideologia proposta. E as peculiaridades vão desde o enredo à direção, uma vez que foi um filme comandado pelos irmãos Wachowski (criadores de Matrix) e por Tom Tykwer (diretor de Corra, Lola, Corra). Ainda que seja um filme projetado por três visões, o resultado final causa uma forte e boa impressão na memória devido ao equilíbrio delicadamente explorado.

O roteiro, por si só, é digno de mérito. Procurando ser fiel à obra, o longa apresenta ao espectador seis núcleos, os quais se passam em anos totalmente diferentes. A proeza reside em fazer isso aleatoriamente sem prejudicar o entendimento, pois todas as histórias estão conectadas de alguma maneira. E por isso uma atenção redobrada é essencial. Começamos no século XIX, acompanhando a viagem de um advogado que almeja voltar para casa ao passo que inicia uma amizade com um escravo.


Em seguida, há o primeiro salto temporal: a edição nos leva para a década 1930, na qual conhecemos um jovem deserdado que sonha em se tornar um compositor. Sendo ajudante de um grande músico, o rapaz consegue compor o Sexteto Atlas das Nuvens (Cloud Atlas, título original do filme e da obra). Na década de 1970, vemos uma jornalista tentando desvendar um misterioso assassinato. 2012 é o núcleo da comédia, em que um grupo de idosos tenta escapar de um asilo. Em 2144, um clone transforma-se no ícone de uma resistência. E, por fim, somos apresentados ao que sobrou da civilização em um futuro pós-apocalíptico.

E se o roteiro e direção merecem suas congratulações, o mesmo vale para a equipe de maquiagem e efeitos visuais. Os atores, também ótimos, foram transfigurados e algumas vezes nem é possível identificá-los em meio a tantas transformações; alguns aparecem em todas as histórias e inclusive há casos de troca de sexo. Destaque especial para Tom Hanks, Halle Berry, Jim Sturgess, Donna Bae e Hugo Weaving.


Acima de tudo, A Viagem defende a liberdade, o amor e a verdade como um direito de todos, independente da hierarquia social. Para que essa ideia seja sustentada até o fim, o enredo se apoia em reflexões filosóficas, sociais e cristãs, elementos que criam uma atmosfera mais lúdica ao filme. Muitos personagens, de épocas diferenciadas, deixaram suas marcas na História, conectando vidas e emoções. E se houver uma teoria para isso, espero que resultados positivos ecoem nas gerações futuras. Pelo menos, não custa nada acreditar.


"Acredito que há outro mundo esperando por nós. Um mundo melhor. E eu estarei esperando por você lá".



Trailer:

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O Mundo de Sofia


Sofia achou a filosofia particularmente excitante, pois ela conseguia acompanhar todas as reflexões com sua própria razão, isto é, sem precisar se lembrar de tudo o que tinha aprendido na escola. E chegou à conclusão de que, basicamente, não se pode aprender filosofia. O que se pode aprender é a pensar filosoficamente”. 

Há talvez quem discorde desta assertiva, mas acho que o indivíduo que possui um caráter leitor bem fundamentado provavelmente já deve ter acreditado, assim como eu, que existe um tempo certo para se ler determinados livros. É algo que depende tanto do contexto em que a pessoa está situada quanto do aprendizado que foi adquirido no decorrer dos anos, e não há limites para a idade.

O fato é que nem todo o livro que temos a curiosidade de ler pode estar a nossa mercê no momento que queremos. Não é assim que funciona o comércio da leitura. A questão é que O Mundo de Sofia me perseguiu por muito tempo e foi somente depois de várias aulas de filosofia, e uma graduação inteira, que finalmente consegui pôr as mãos nesta tão famosa e consagrada obra. 

Jostein Gaarder, escritor norueguês, consegue implantar o mistério desde o início de sua narrativa. Sofia Amundsen é uma menina de 14 anos que, nas vésperas do décimo quinto aniversário, começa a receber cartas intrigantes. As epístolas, inicialmente, contêm perguntas curiosas, como, por exemplo, ‘Quem é você?’ e ‘De onde vem o mundo?’. 

Essas simples indagações são o prefácio para as reflexões de Sofia e, consequentemente, para sua jornada filosófica, uma vez que, logo em seguida, as cartas se transformam em aulas e passam a vir assinadas por Alberto Knox, o qual se apresenta como o seu professor de filosofia. A cada capítulo que passa, a menina assimila um novo conteúdo do vasto mundo filosófico, desde o Jardim do Éden, passando pelos pré-socráticos – e também algumas escolas como o Barroco e Romantismo –, e culminando nos estudos cósmicos, incluindo na implosão do universo. 

Contudo, se o enredo se resumisse apenas a isto, a obra de Jostein seria somente um manual de filosofia, tornando a história completamente enfadonha em um quadro geral. O que alimenta o leitor, porém, são os mistérios paralelos. Na medida em que conhece mais da filosofia, Sofia também vai recebendo cartões-postais do Líbano de um major desconhecido, endereçados a outra garota chamada Hilde Knag. Diante de um enorme quebra-cabeça, cabe a Sofia unir as peças e descobrir qual a relação do seu curso de filosofia com esse major e, sobretudo, qual o papel da enigmática Hilde. 

É possível que Jostein, em uma manobra literária bastante corajosa, prenda o leitor mais pela curiosidade de querer ver esses mistérios resolvidos do que pela vontade de aprender filosofia. A quantidade de informação é tão alta e densa, que é recomendável parar e respirar várias vezes durante a leitura. Entretanto, alguns elementos que são acrescentados à narrativa, como o fato de Sofia conversar pessoalmente com Platão na Grécia Antiga, ver de perto famosos personagens de desenhos e contos, e ainda todo o arco metalinguístico que se revela de uma maneira profundamente inimaginável, servem para amenizar e salvar o livro. 

A obra foi publicada em 1991 e ganhou uma versão cinematográfica norueguesa em 1999. Em O Mundo de Sofia, o leitor acompanha o olhar de uma menina, a qual tenta compreender um mundo repleto de injustiças, crenças e ensinamentos, mesmo que para isso seja necessário quebrar as leis da razão. Ao final do curso, fica a vontade de ser um pouco igual a ela. E embora o meu encontro com a obra tenha demorado a acontecer, acredito que veio no momento certo. Foi um prazer, Sofia.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Dia do Amigo



O Brasil adotou a data 20 de julho como o Dia do Amigo. Assim como foi feito ano passado, o Menino das Letras festejou por meio de um vídeo, o qual pode ser visto acima. 

Porém, talvez poucas pessoas saibam que o Dia Internacional da Amizade é celebrado em 30 de julho, ato instituído pelas Nações Unidas. Dessa maneira, se você por acaso esqueceu de parabenizar um amigo e agradecê-lo por cada gesto cordial, não se preocupe; ainda há tempo até que 30 de julho chegue. 

Não perca tempo!

Música do vídeo: Rookmaaker. 
Banda: Palavrantiga.

sábado, 13 de julho de 2013

O Homem de Aço




Você dará às pessoas da Terra um ideal pelo qual lutar. Elas seguirão você. Elas vão tropeçar, vão cair. Mas com o tempo, elas se juntarão a você no Sol. Com o tempo, você irá ajudá-las a realizar maravilhas”. 

Pode até parecer loucura ou piada, mas uma das características que me chamam mais a atenção no Super-Homem não são seus poderes fantásticos e habilidades sobre-humanas. Não que sejam atributos secundários; pelo contrário, tais peculiaridades são os propulsores que me levam a enxergar algo maior: a capacidade de levar fé e esperança às pessoas, mesmo quando tudo possa estar perdido.

E O Homem de Aço, o novo longa e também o reboot da jornada do herói kryptoniano nos cinemas, não decepciona neste quesito, resgatando, inclusive, os conceitos básicos que ajudaram a compor o personagem nos quadrinhos: o Antigo e o Novo Testamento. Este último estando mais em evidência, especialmente no que diz respeito aos quatro evangelhos (a cena em que Clark dialoga com um padre soa quase como uma parábola).

 

E é nesta atmosfera de questões teológicas, filosóficas e sociais que se constitui o roteiro de David Goyer (mesmo roteirista de Batman Begins), e suas abordagens estão presentes do princípio ao fim da exibição. Sob a direção de Zack Snyder (diretor de 300 e Watchmen) e produção de ninguém menos que Christopher Nolan (diretor da trilogia Batman - O Cavaleiro das Trevas), o Homem de Aço chega como uma obra que talvez mude a maneira de ver os heróis no âmbito cinematográfico. 

O enredo tem início com algo jamais feito antes. No prólogo conhecemos Krypton, sua cultura, costumes e tecnologia, assim também como Jor-El (Russel Crowe), cientista que tenta a todo custo retardar a destruição do planeta que habita. Em um ardiloso golpe de Estado, o General Zod (Michael Shannon) começa seu plano para tomar o poder governamental de Krypton, fato este que, aparentemente, serve como mote para as atrocidades do personagem. A história já é conhecida: o planeta é sucumbido e o último filho de Krypton é enviado à Terra.


Clark (Henry Cavill) é educado por Martha (Diane Lane) e Jonathan Kent (Kevin Costner), e é por meio de flash backs e uma narrativa não linear que o espectador vislumbra um pouco da infância conturbada de uma criança que não consegue entender por qual motivo é tão diferente. O menino cresce e passa a vagar por um caminho de incertezas – um estranho no ninho – até encontrar vestígios de sua origem extraterrestre, conhecer sua linhagem e se preparar para assumir sua identidade messiânica. 

Outros elementos e personagens do cânone estão aqui também; Lex Luthor não aparece, mas sua existência é perceptível. Lois Lane (Amy Adams), a qual não poderia deixar de faltar, serve bem no papel de repórter investigativa. No entanto, sua função nas cenas de ação se resume apenas ao intuito de Superman se esforçar para salvá-la. A trilha sonora não faz referência ao clássico consagrado por John Williams, porém Hans Zimmer se empenhou e, embora não seja o melhor trabalho que ele já fez, a melodia de sua composição é capaz de reverberar por horas incontáveis.


É provável que este seja o filme mais peculiar de Zack Snyder. O diretor, conhecido pela sua estética visual, aprimorou os efeitos que utilizou em Sucker Punch – Mundo Surreal e parece não ter poupado gastos aqui. Pelas cenas de luta e a destruição de proporções colossais, o orçamento deve ter pesado no bolso da Warner Bros. Snyder também optou por uma câmera mais veloz e trêmula, de modo que fica difícil piscar ou olhar para o lado nas cenas em que Kal-El luta contra os invasores kryptonianos, pois cada detalhe é valioso. 

Sendo assim, esse fato, tal qual alguns flash backs (os quais foram tão bem utilizados no primeiro Batman de Nolan), pode tornar cansativa, confusa e um pouco maçante a interpretação de alguns espectadores. É preciso lembrar, todavia, que a premissa básica do salvador, de um homem como símbolo de fé e esperança, foi preservada, apesar de todo o espetáculo visual que o filme oferece. O Homem de Aço apresenta princípios simples como ferramentas essênciais para se compreender os objetivos e a missão de um indivíduo. Requisitos que, quando bem conservados, podem fortalecer a crença de que toda falha e iniquidade têm a chance de encontrar salvação. 




Só tem que decidir que tipo de homem será quando crescer, Clark. E seja quem for esse homem, sendo seu caráter bom ou mal, ele vai mudar o mundo”.


Trailer: