sábado, 16 de julho de 2011

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2


Harry Potter, você lutou bravamente... mas permitiu que seus amigos morressem por você no lugar de me enfrentar. Esta noite, encontre-se comigo... e enfrente seu destino”.


É uma sensação desconcertante (quase indescritível, ouso dizer) saber que o final está próximo, especialmente quando ele está com data e hora marcadas. O sentimento de perda e de partida são os resquícios de tudo aquilo que foi assimilado, visitado e preenchido. O receio de presenciar o fim é, afinal, uma característica compreensível visto que milhões de leitores e telespectadores compartilham da mesma apreensão; é possível deixar tudo para trás após 10 anos? Será que uma simples despedida conseguirá suprir todas as aventuras vividas em centenas de páginas e revividas nas telas do cinema? Quem dera ter essas respostas para amenizar o sofrimento dos fiéis seguidores, pois muitos deles hoje, assim como eu, deram seu último adeus a Harry Potter, o menino que sobreviveu.

Ano passado, na minha crítica de Relíquias da Morte.1, disse que o filme havia sido bastante fiel à obra, o que realmente agradou muitas pessoas e esclareceu as razões pelas quais a adaptação do último livro da saga precisou ser dividida em duas partes. Escolha essa que se revelou mais do que sensata, uma vez que a extensão da história exigia uma abordagem mais minuciosa. É por isso que é necessário lembrar: embora sejam duas partes distintas, elas contam a mesma história; consequentemente, aquele que pretende assistir a parte 2 sem antes ter visto a 1 ficará mais aluado do que astronauta girando em órbita.


A chegada de Relíquias da Morte.2 não causou tanta euforia por motivos tolos e simplórios. Ela é a peça fundamental que faltava para completar o quebra-cabeças, o farol que restava para iluminar o fim do túnel. Se na parte 1 tivemos a oportunidade de conhecer o prato principal, aqui temos o prazer de degustá-lo. E fico feliz em dizer que o filme conseguiu desempenhar essa função muito bem. Logo de início, temos um breve vislumbre da última cena da parte 1, em que Voldemort rouba a Varinha das Varinhas do túmulo de Dumbledore. Agora dotado do poder da invencibilidade, o Lorde das Trevas recruta o maior número possível de Comensais da Morte e juntos armam um cerco ao redor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Ainda no perigoso desafio de procurar e destruir Horcruxes, Harry, Rony e Hermione descobrem que um dos nefastos objetos que ocultam parte da alma de Voldemort está escondido em Hogwarts. Assim, o inseparável trio retorna à escola e lá descobre que um grupo de alunos rebeldes, liderados por Neville Logbottom (um dos grandes heróis do filme), formaram uma resistência contra o novo diretor ditador, Severo Snape. Neste ponto, o longa começa a exibir seus momentos tocantes na relação entre vários personagens, destacando merecidamente a professora Minerva McGonagall, o professor Flitwick e Horácio Slughorn, que, unidos, evocam defesas para proteger o castelo enquanto os alunos se preparam para a Batalha Final.


E por falar em guerra, cujo grau de violência é bastante notável neste último episódio, isso me leva a tecer alguns comentários a respeito da direção. Sempre disse que David Yates foi o melhor diretor que já apareceu na franquia de Harry Potter, elevando a série a um patamar glorioso a cada filme sob sua direção. Entretanto, neste derradeiro filme, ele me deixou muito intrigado; se Relíquias da Morte.2 tivesse caído nas mãos de outro diretor, provavelmente haveria muitas cenas a mais de duelos e batalhas, e a questão sentimental seria posta em segundo plano. O que surpreende em Yates, porém, é que ele fez o inverso. Aliás, desde que ele assumiu o controle da franquia a parte mágica se tornou elemento secundário e deu espaço ao sentimento humano de cada personagem.

Yates também se sobressaiu nos efeitos especiais e na trilha sonora. E não é de se admirar, pois, tratando-se de um desfecho épico, isso era mais do que essencial. Os efeitos estão magníficos, os melhores já vistos na série, talvez prejudicados por algumas cenas intensamente escuras, mas arrisco supor que desta vez a equipe técnica corre grandes riscos de receber a tão cobiçada estatueta dourada. A equipe de som também merece enaltecimento; a trilha, que poderia ser exagerada ao extremo se não estivesse sob o domínio de Alexandre Desplat, é triste e melancólica, fazendo uma combinação perfeita com as cenas em que Hogwarts está sendo destruída e tendo um destaque excepcional nas memórias de um determinado personagem.


Em 10 anos, Harry buscou a Pedra Filosofal, enfrentou perigos na Câmara Secreta, ficou cara a cara com o Prisioneiro de Azkaban, foi escolhido pelo Cálice de Fogo, participou das reuniões da Ordem da Fênix, decifrou o Enigma do Príncipe e possuiu cada uma das Relíquias da Morte, sempre tentando obter respostas do porquê ter sobrevivido ao ataque de Lorde Voldemort quando era apenas uma criança, sempre tentando entender por que os dois possuem uma ligação e o que aquilo representaria no instante do confronto decisivo. Relíquias da Morte.2 responde esses questionamentos por meio de lágrimas e muita tristeza. No entanto, erra por não dar uma maior atenção a certos personagens e a momentos tão aguardados pelo público.

Portanto, antes de encerrar, acho justo enfatizar que Harry Potter é uma história que fala sobre amor. O amor de dois pais que deram suas vidas para proteger seu filho, um amor que uma criança mal-tratada pelos tios só conseguiu conhecer quando de fato descobriu sua verdadeira identidade e o lugar ao qual pertencia. Amor que contagiou milhões de fãs e inspirou uma geração inteira de leitores e até mesmo novos escritores. Certa vez, nos primórdios de A Pedra Filosofal, Alvo Dumbledore fez uma citação a respeito da morte. Eu tomo a liberdade para modificar a frase: para uma mente bem estruturada, o final é apenas uma passagem seguinte. Eu poderia, é claro, citar vários superlativos para descrever esse momento de emoção. Contudo, digo somente isso: muito obrigado, Harry Potter. Foi uma grande honra.


"Eu jamais quis que nenhum de vocês morressem por mim".

Trailer:

sábado, 9 de julho de 2011

O Adeus do Homem de Aço


"Kal-El, no terceiro planeta do Sistema Solar você será um rei entre os homens. É uma raça imperfeita. Governe-os com força, filho, pois é daí que reside sua grandeza".

A jornada de um herói é baseada em obstáculos. Para que se possa amadurecer e evoluir é preciso, antes de mais nada, observar e aprender a retirar as pedras do seu caminho e, feito isso, colher os bons frutos daquela experiência. Sabedoria e aprendizado, diante dos desafios, são as chaves para um herói não cometer o mesmo erro duas vezes e finalmente conseguir trilhar o seu destino. Ironicamente, essa teoria também pode ser aplicada a nós.

No processo de crescimento pessoal e profissional, nos agarramos a todo conhecimento adquirido ao longo dos equívocos e acertos no intuito de encarar um obstáculo da maneira mais correta possível. E embora boas experiências fiquem guardadas na memória, sempre exercendo a função do relembrar, é preciso desligar-se de outras para poder seguir em frente. Não estou falando de esquecê-las completamente, apenas de guardá-las em um local especial. Primeiramente, claro, é necessário dizer adeus.


Há aproximadamente oito anos, minhas tardes de domingo começaram a ser destinadas a um único propósito: assistir um seriado na emissora SBT, intitulado de Smallville - As Aventuras do Superboy. Lembro-me que, naquela época, poucos eram os programas que atraíam minha atenção. Na verdade, acredito que foi após gostar de Smallville que passei a me interessar por outros seriados. Eu mal poderia imaginar que parte da minha jornada (assim como a de Clark) se iniciava ali, e tampouco seria capaz de prever até que ponto aquilo me levaria.

O seriado começa com uma chuva de meteoros massacrando a cidade de Pequenópolis (Smallville, no original). Acompanhando a chuva, veio uma nave alienígena que caiu nos milharais da região. Uma criança estava dentro da nave e foi criada pelo casal de fazendeiros Jonathan e Martha Kent. Com eles aprendeu todos os valores humanos, apesar das habilidades extraterrestres que se desenvolviam ao longo do tempo. Na adolescência, Clark Kent participava do jornal estudantil A Tocha, ao lado dos amigos Chloe Sullivan e Pete Ross, enquanto sofria de paixão platônica pela encantadora Lana Lang, seu primeiro amor, mas não a mulher do seu destino.


Nas primeiras temporadas, Smallville era voltada para o público jovem. Alguns até comparavam com Malhação, em uma versão americanizada e muito melhor. Talvez, no início, esse fosse um fator atrativo para mim e meus colegas de escola, visto que éramos adolescentes. Contudo, outro fato de interesse maior era descobrir como Clark Kent se transformaria no Homem de Aço e por qual razão sua amizade com Lex Luthor se dissolveria, tornando-os os inimigos que estavam destinados a ser. A maldade de Lex é explorada desde suas origens até o momento de total domínio sobre o lado bom, demonstrando que todo Luthor tem, por natureza, um extinto perigoso e doentio.

À medida que as temporadas iam passando, o seriado foi amadurecendo e entrando cada vez mais na mitologia do Superman. Clark descobre que veio de um planeta chamado Krypton, Lois Lane entra em cena, além de Brainiac, General Zod e outros inimigos lendários das HQs, como Doomsday e Darkseid. Também houve a entrada de novos cenários: a Fortaleza da Solidão, local em que Clark conversa com seu pai biológico, Jor-El, e o Planeta Diário, em Metrópolis. Isso sem mencionar as milhares de referências a outros heróis da DC Comics: Aquaman, Cyborgue, Flash, Arqueiro Verde e, nesta última temporada, há uma citação óbvia a Bruce Wayne.


Depois de 10 anos, Smallville chegou ao seu tão esperado fim. Mesmo que o seriado tenha perdido a qualidade das temporadas iniciais, ainda que tenha abordado enredos e personagens inexistentes na mitologia do Superman, todo o caminho foi preparado para que Clark Kent se tornasse o herói da humanidade, fortalecendo a ideia de que a história do Homem de Aço faz uma forte analogia ao cristianismo (E sim, há muitas semelhanças). Essa semana tive a chance de ver o episódio final, em que a Terra está prestes a colidir com outro planeta e Clark tem de esquecer todas suas inseguranças humanas para conseguir abraçar sua sina kriptoniana.

Desde seu início, os produtores de Smallville diziam que a série terminaria no instante em que Clark estivesse pronto para assumir sua identidade heroica e usar a vestimenta azul e vermelha. E assim foi. No capítulo derradeiro, além de ter o encontro decisivo com seu eterno oponente careca, o último filho de Krypton surge em seu momento de maior glória. Smallville cumpriu com seu objetivo ao desvelar todo o potencial de um fazendeiro, através de todos os testes e desafios, e fazê-lo acreditar em seu próprio destino e traçar sua jornada. Diante de um mundo que preza valores torpes e deploráveis, são histórias como as do Superman que nos fazem ter a esperança de tempos melhores e nos provam que, com uma dose de fé e paciência, um herói pode realmente salvar o dia.


ALGUMAS FRASES MARCANTES DO SERIADO:

"Todo predador é a presa de alguém".

“Aqueles que não gostam de poesia não percebem que ela é uma arma de sedução”

"Quanto maior a confiança, maior é a traição".

"Eu sou o vilão dessa história" - Lex Luthor.

"Não se deve ferir aquilo que não se pode matar".

"Grandes fortalezas não são destruídas por forças externas e sim por fraquezas internas".

"Um homem do futuro é moldado por suas batalhas atuais".

"A grandeza é um ar rarefeito que temos que aprender a respirar".

"As lições que aprendemos na dor são as que nos tornam mais fortes".

"Nunca subestime o valor dos excêntricos e malucos. Todo Arthur tem seu Merlim."

"Eu sou um homem... E sou de aço" - Clark Kent.

"Durante um tempo eu acreditei que éramos definidos por nossa família, depois pensei que fosse pelos amigos, mas aí olhando a história percebi que os grandes homens são definidos pelos seus inimigos. Nós somos grandes homens, Clark... Mas em lados opostos!" - Lex Luthor.

Uma breve retrospectiva (Narração em português):

sábado, 2 de julho de 2011

Transformers: O Lado Oculto da Lua


"Talvez tenham perdido sua fé em nós, mas nunca em vocês mesmos. A partir de agora, lutarão por sua raça".


Há quatro décadas que se ouve a mesma história, entoada nos sete cantos do mundo. Ainda que seja um tema envolvido por teorias conspiratórias, das quais várias possuem fundamentos coerentes e assustadores, o assunto gera discussões até os dias atuais e muitos defendem a empreitada como sendo o "grande passo" que a humanidade já deu. Certamente, estou falando da chegada do Homem à lua.

Mistérios não resolvidos e fotos de conteúdo duvidoso servem como fontes inesgotáveis para aqueles que insistem em provar a fraude. Afinal, se tudo foi uma farsa, por que enganar o mundo inteiro? É claro que por trás de toda essa polêmica há o contexto da Guerra Fria, em que os EUA e a União Soviética disputavam o trono da corrida espacial. No entanto, mesmo que essa suposta conquista lunar tenha realmente acontecido, o que de fato aconteceu por lá? O que foi que os astronautas coletaram e viram?

Em Transformers: O Lado Oculto da Lua, algumas dessas indagações são respondidas. O filme nos mostra que Neil Armstrong, em seu passeio nos terrenos lunares, deparou-se com uma gigante nave alienígena. No interior desta nave jazia um robô de procedência desconhecida. O que o primeiro homem a pisar na lua não desconfiava era que aquele robô tinha um nome e um propósito, e que sua parada no nosso satélite natural havia sido um acidente. Ao retornarem à Terra, o governo forçou os astronautas a omitirem aquela enorme descoberta. E a partir deste dia, o destino dos homens e dos seres do planeta Cybertron foi traçado, unindo-os numa aliança que, no futuro, traria muitos problemas.


Os caminhos de Optimus Prime, líder dos Autobots, cruzam-se novamente com os de Sam Witwicky (Shia LaBeouf, sempre atuando bem neste personagem) e desta vez tentam evitar a invasão de centenas de Decepticons ao planeta. Sam agora é um recém-formado da faculdade e está à procura de um emprego, enquanto a sua nova namorada (substituta de Megan Fox) tem uma vida financeira bastante estável numa renomada empresa de veículos. Para um cara que já salvou o mundo duas vezes, é de dar inveja. Após ser atacado por um Decepticon em pleno ambiente de trabalho, o jovem Witwicky vê-se diante de uma trama que envolve portais intergaláticos e, é claro, os segredos do lado oculto da lua.

Em uma teia de mentiras, traições e mortes, o roteiro deste terceiro filme supera com louvor os erros cometidos no antecessor. Michael Bay (também diretor dos outros dois Transformers) demonstrou que aprendeu com as críticas negativas de A Vingança dos Derrotados. Aqui, no desfecho da trilogia, ele não apoiou-se somente em seu infindável aparato de pirotecnia; neste derradeiro capítulo, a dramaticidade atinge o seu ápice e é justamente o que faz o filme marcar pontos positivos, além dos esplendorosos efeitos visuais. É importante ressaltar o 3D, que ficou tão impecável quanto uma pipoca salpicada com sal e manteiga na medida certa. Repito: IM-PE-CÁ-VEL!


Bay também demonstrou amadurecimento nas cenas de ação. Os diálogos e as explicações são mais frequentes, e embora o clímax final seja muito longo, as cenas de ação contidas nele estão, em alguns momentos, muito organizadas. A câmera está menos trêmula e não foca apenas as explosões e os robôs; ela faz uma panorâmica de todo cenário devastado pela invasão dos alienígenas. O que faz o filme estagnar - se é que isso é possível diante de tanta adrenalina - é a falha do roteiro no que se diz respeito ao desenvolvimento dos personagens. Alguns aparecem e simplesmente não voltam mais, outros dão contribuições mínimas e alguns nem deveriam ter aparecido em cena devido ao tão pouco tempo que passaram na tela. Dá a impressão de que as coisas funcionam às pressas somente para que chegue logo a hora da pancadaria.

Transformers: O Lado Oculto da Lua tem um ótimo início, mostrando as origens dos Autobots e Decepticons, e com isso fazendo uma ponte com a nossa história. Infelizmente, para o encerramento de uma trilogia, o final deixou a desejar. A trilha sonora combina perfeitamente com o tom dramático e melancólico do filme, realizando uma bela simetria com as lágrimas e os escombros do enredo. Talvez Bay devesse ter apostado mais nisso, ainda que custasse aumentar a duração da película. Ao final da sessão em que eu estava, várias pessoas bateram palmas. Aplausos merecidos a Optimus Prime e toda sua trupe de guardiães; um ato de carinho e respeito entre duas raças que aprenderam a conviver entre si, em um lugar onde a centelha da esperança brilha como um sol incandescente, reverberando confiança por entre as estrelas e espalhando faíscas de amizade por todo universo.


"Daqui há alguns anos, as pessoas vão nos perguntar: 'Onde você estava quando eles conquistaram o planeta?'. E nós responderemos: 'Ficamos parados, olhando'".


Trailer:

sábado, 25 de junho de 2011

Iridescent





É incrível como a música, ao longo da vida, nos coloca em circunstâncias repetitivas que muitas vezes não prestamos atenção. Não importa qual seja seu estilo musical padrão ou quantas bandas você adora; sempre que se realiza o ato de escutar um álbum, há 2 ou 3 canções que se destacam e entram para o grupo seleto do paladar auditivo. E quando o ritual entre música e ouvido é selado, a repetição torna-se tão corriqueira quanto dormir de olhos fechados.

Claro que a pessoa que ama música não se incomodará com o grau de repetição e com o gasto de tempo causado por ela. Afinal, por mais que você escute milhares de vezes a mesma canção (ao ponto de enjoar-se dela), o mais importante é o significado que ela lhe transmitiu; os momentos que te fez recordar, as pessoas que te fez lembrar. É quase mágico o sabor das nuances que uma música é capaz de proporcionar.

Quando eu escutei A Thousand Suns pela primeira vez, das 15 faixas presentes no CD, apenas uma conseguiu me tirar do chão. Não estou falando simplesmente por tratar-se de uma banda que acompanho há quase 10 anos, mas porque, de fato, a música é linda. De todos os quatro álbuns de estúdio do Linkin Park, talvez "Iridescent" seja a canção mais bonita produzida pelo grupo.

Infelizmente, o videoclipe postado não contém a versão original da música e ainda por cima é repleto de mensagens subliminares, o que, de certa forma, é triste e decepcionante. A letra enfoca dramas pessoais e o clipe faz referências ao filme Transformers: O Lado Oculto da Lua, o qual estreia semana que vem e tem Iridescent como integrante da trilha sonora.

Por mais que muitos não concordem e me critiquem por isso, não consigo deixar de ver beleza em Iridescent. No caso dela, a repetição é primordial. E, se de alguma maneira ela tocar você ou apenas causar um momento de reflexão repentina, então garanto: é porque merece a oportunidade ser escutada mais uma vez.


Letra:

Iridescent

When you were standing in the wake of devastation
When you were waiting on the edge of the unknown
And with the cataclysm raining down
Insides crying, "Save me now"
You were there impossibly alone

Do you feel cold and lost in desperation
You build up hope but failure's all you've known
Remember all the sadness and frustration
And let it go
Let it go

And in a burst of light that blinded every angel
As if the sky had blown the heavens into stars
You felt the gravity of tempered grace
Falling into empty space
No one there to catch you in their arms

Do you feel cold and lost in desperation
You build up hope but failure's all you've known
Remember all the sadness and frustration
And let it go
Let it go

Tradução:

Iridescente

Quando você estava em pé no meio da devastação
Quando você estava esperando na beira do desconhecido
E com o cataclisma chovendo
Por dentro chorando, "Salve-me agora"
Você estava lá incrivelmente sozinho

Você sente frio e perdido em desespero
Você constrói a esperança, mas o fracasso é tudo que você conheceu
Lembre-se de toda a tristeza e frustração
E deixe-a ir
Deixe-a ir

E em uma explosão de luz que cegou todos os anjos
Como se o céu tivesse explodido o paraíso em estrelas
Você sentiu a gravidade da graça suave
Caindo em um espaço vazio
Ninguém lá para pegá-lo em seus braços

Você sente frio e perdido em desespero
Você constrói a esperança, mas o fracasso é tudo que você conheceu
Lembre-se de toda a tristeza e frustração
E deixe-a ir
Deixe-a ir

sábado, 18 de junho de 2011

O Show de Truman - O Show da Vida


"Lá fora, a verdade é igual a do mundo que criei para você. As mesmas mentiras. As mesmas decepções."


Algumas pessoas defendem a ideia de que a televisão é a escola da mentira. Elas estão certas. Tristeza, diversão, arrepio, passa-tempo, susto, lágrimas, frio na barriga, e mais uma dezena de sentimentos misturados num liquidificador de emoções; essas são apenas algumas das sensações produzidas no nosso organismo quando ficamos diante de uma TV assistindo aquela novela ou seriado favorito, aquele filme de que você tanto gosta... Programas que de certa maneira refletem os variados aspectos da sociedade para que o telespectador se identifique ou se reconheça em um determinado personagem ou situação.

Nós nos entretemos facilmente com uma mentira que tenta representar a verdade. E quando essa verdade é bem encenada, é digna de aplausos. Talvez por isso que tornou-se necessária a criação dos Reality Shows, para provar que a realidade crua também pode nos encantar. Há uma relação quase que terapêutica entre o telespectador e o aparelho televisivo: é bom chegar em casa após um dia árduo de trabalho e rir das palhaçadas dos outros; é um reconforto saber que, embora você esteja cheio(a) de dívidas ou se sentindo um zero a esquerda, muitos estão numa situação pior do que a sua. É um pensamento desumano, mas, acredite, existem pessoas assim.

Fugir da própria vida é a palavra mágica. Desconectar-se de tudo que está em volta e dedicar sua atenção aos problemas alheios. Essa é a definição do público alvo dos reality. Infelizmente, para esses tipos de pessoas, nunca existirá um programa que explore os limites da realidade. Apenas um realizou tal façanha e poucos são os privilegiados que o conhecem. O seu nome é O Show de Truman - O Show da Vida.

Truman Burbank (uma das melhores atuações de Jim Carrey) é um pacato cidadão que vende seguros e mora na ilha de Seahaven. Ele é casado com a enfermeira Meryl e tem um melhor amigo chamado Marlon. Quando criança, perdeu o pai em um passeio de barco e desde então sofre trauma do mar. Um sujeito simples que possui a ambição de explorar o mundo por nunca ter saído da ilha. Não há nada de anormal em Truman, exceto o fato dele ser o grande astro de um programa de TV exibido 24 horas, ao vivo e sem cortes, para todo o mundo. E o mais impressionante: ele não sabe de nada.


A ilha onde Truman reside é na verdade uma cúpula gigantesca capaz de ser vista do espaço. Sua mulher, seu amigo e sua mãe são atores contratados pela empresa que financia o programa. Seu trabalho, sua casa e cada parte da cidade, são falsos. Tudo artificial para manter a magia e fazer com que Truman acredite que seja real. Todavia, nem todos são a favor do reality e um dia Truman conhece Sylvia, uma garota disposta a contar a impactante verdade. É a partir deste ponto que o filme ganha empolgação, pois Truman passa a desconfiar que a atenção de todos gira ao seu redor e inicia a jornada para descobrir o que está acontecendo.

O filme é de 1998, foi dirigido por Peter Weir (mesmo diretor de Sociedade dos Poetas Mortos e Mestre dos Mares) e o roteiro extraordinário é de Andrew Niccol. A forma como a história se desenrola é incrível porque mesmo se tratando de uma ficção, revela algo que muitos não sabem: a televisão é capaz de tudo para obter audiência e, no caso de Truman, brincar com a vida de uma pessoa é um dos caminhos para se conseguir isto. A frieza da mídia é representada pelo diretor do programa, Christof (Ed Harris), sempre criando razões para manter Truman trancafiado na ilha no intuito de fazer o reality permanecer no ar.

O longa é crítico e metafórico, e diria até que os primeiros reality shows devem ter se baseado nele. Recebeu três Globos de Ouro, incluindo para a atuação de Jim Carrey, e possui atributos excepcionais (Como a trilha sonora, que é de derreter a alma). Por mais que tenha uma mensagem assustadora e talvez profética, O Show de Truman - O Show da Vida mostra o tipo de telespectadores que supostamente estamos destinados a ser: eternos protagonistas da ficção, sempre tentando afastar-se daquilo que é real. Verdadeiros palhaços do circo da mentira.


"Aceitamos a realidade do mundo no qual estamos presentes."


(Sem trailer hoje =/)

sábado, 11 de junho de 2011

Oração




Este ano eu não tenho motivos para comemorar o Dia dos Namorados, mesmo porque algumas pessoas sabem que é apenas mais uma data criada pelo capitalismo para consumirmos algum produto do qual você ou a pessoa amada não precisam. Ainda assim, há aqueles que permanecem fiéis em acreditar no encanto desta data. Não os culpo, eu já passei por isso...

Por mais que atualmente a magia desse dia não esteja me afetando, preciso tirar o foco de mim e ser altruísta; prefiro dedicar a postagem de hoje a você que considera esse evento um dos melhores do ano simplesmente por ter alguém ao seu lado, por sentir a reciprocidade carinhosa de um olhar, um abraço, um beijo, e qualquer outra coisa sentimental.

É por isso que o videoclipe de hoje é especial. A música "Oração", d'A Banda Mais Bonita da Cidade, possui uma letra que (ora, vejam só) fala sobre amor. O clipe foi gravado dentro de uma casa no formato de plano-sequência (sem cortes), um dos elementos que o tornou tão famoso na internet. Entretanto, o mais chamativo de tudo é o companheirismo e a amizade demonstrada por todas as pessoas que aparecem no vídeo.

A música tem 8 versos que são repetidos várias vezes, de forma entusiasmante e alegre. Talvez essa seja uma maneira diferente e interessante de comemorar o Dia dos Namorados: celebrar a amizade, que é por onde tudo começa, enfatizando a complexidade espacial do amor e dos ósculos e amplexos contidos nele.

Pense nisto e faça uma oração. Deseje um amor que possa atingir todas as pessoas, não somente no Dia dos Namorados, pois o amor de verdade necessita de uso diário. Deseje um amor maior que tudo, que neutralize todas as infelicidades, e que no final seja capaz de abraçar o mundo inteiro. Porque isso, sim, vale a pena comemorar.


Letra:

Meu amor essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na despensa

Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois

Cabe até o meu amor, essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na despensa

Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois

Cabe até o meu amor, essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na despensa

Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe essa oração

terça-feira, 7 de junho de 2011

Clube da Luta


"Nós somos os filhos do meio da história, sem propósito ou lugar. Não tivemos Grande Guerra, não tivemos Grande Depressão. Nossa grande guerra é a guerra espiritual, nossa grande depressão é a nossa vida. Fomos criados pela televisão para acreditar que um dia seríamos ricos, estrelas de cinema e astros do rock. Mas não seremos. E estamos aos poucos aprendendo isso. E estamos muito , muito revoltados".


É preciso que uma coisa fique clara: um filme clássico não tem que ser necessariamente preto e branco ou pertencer a décadas muito distantes. Essa é uma definição criada pelos saudosistas que ignoram com insistência o grau de qualidade que vem surgindo nos filmes modernos. Obviamente, o despertar dos clássicos ocorreu nos tempos antigos e Charles Chaplin certamente foi uma grande referência para o cinema no século XX, retratando temas que ainda podem ser vistos na atualidade.

Nós somos os responsáveis por dizer qual filme deve ser considerado como clássico, independente do período histórico em que ele foi produzido. Clássico é aquilo que te prende, emociona, faz rir; sua superfície é baseada no entretenimento, mas sua essência é composta pelo ensinamento, reflexão, filosofia... Aquele ato que nos faz aprender algo a respeito do mundo e que, principalmente, nos abre os olhos para coisas outrora invisíveis que sempre estavam debaixo do nosso nariz.

Clube da Luta é um longa de 1999, dirigido por David Fincher (mesmo diretor do recente Rede Social) e estrelado por Brad Pitt e Edward Norton. O surpreendente do filme é que a luta funciona como um dos elementos centrais, porém não é o que sustenta o enredo; ela é uma bengala que exerce o seu papel até um dado momento, permitindo que em seguida a história ande com suas próprias pernas e siga por caminhos imprevisíveis.

Norton dá vida a um personagem-narrador sem nome, cuja vida se resume ao trabalho e ao consumo de produtos sofisticados que estão na moda ou que simplesmente chamam a atenção. Ele sofre de uma insônia terrível e recebe um conselho para participar de grupos de apoio. Lá ele não encontra apenas a cura para insônia, mas também a fuga da solidão. Ele ganha carinho e atenção de pessoas infelizes e descobre como um abraço reconfortante pode ser tornar um vício.


A tragédia: seu apartamento explode misteriosamente com todas as coisas que o faziam sentir-se perto da perfeição. Ele concentra-se no trabalho e em uma viagem de negócios conhece Tyler Durden (Pitt, em uma atuação sensacional), um homem que fabrica e vende sabonetes. Ambos tomam cerveja, batem papo e logo depois começam a brigar. Eles sentem prazer em espancar um ao outro e passam a fazê-lo todo fim de semana, atraindo a atenção de várias pessoas. E assim nasce o Clube da Luta, composto por homens que se reúnem no porão de um bar com o intuito de extravasar, na base da violência, todas as frustrações de suas vidas "patéticas".

O clube havia se tornado uma válvula de escape, uma forma de escapar da realidade sufocante, uma maneira de atingir o potencial máximo através de socos e chutes. E isso ficou evidente e muito mais intenso para o narrador, visto que o grupo de apoio do qual fazia parte não lhe dava aquela sensação de liberdade, o sabor de sentir a vida. O problema é que Tyler é um visionário; ele enxerga no clube uma oportunidade de revolução, de mudar a história, e passa a montar uma facção. O Clube da Luta cresce, evolui, e cria uma ramificação chamada Projeto Destruição. O objetivo desse projeto é derrubar o sistema capitalista e libertar os consumidores do sacrifício de pagar dívidas.

É por meio do terrorismo e vandalismo que o exército de Tyler vai crescendo e cruzando as grandes cidades do país. A meta é alcançar o caos. O personagem de Norton logo percebe que Tyler transformou-se numa espécie de líder de uma rebelião iminente; todos veneram Tyler, todos obedecem Tyler, todos o veem como um salvador que os despertou para a vida real. Clube da Luta é inteligente por não se tratar apenas de luta. Nele vê-se claramente discursos políticos, filosóficos, sociais e aquele que é o responsável pela grande reviravolta do filme: o psicológico, a ideia de que a loucura é a única saída. Sem sombra de dúvidas, um clássico dos tempos modernos.


Trailer: